segunda-feira, 17 de julho de 2017

[RESENHA] O Círculo, de Dave Eggers


Editora: Companhia das Letras
Páginas: 522
Publicação: 2014

O Círculo, escrito pelo americano Dave Eggers, é um romance crítico que fala sobre a relação das pessoas com o mundo cada vez mais presente das redes sociais. Nele, acompanhamos a trajetória de Mae Holland, que está ingressando nessa conceituada e poderosa empresa de tecnologia chamada Círculo.

O texto não é estruturado com capítulos, mas com seções ocasionais - aquelas interrupções que normalmente vemos dentro de capítulos. A narrativa é em terceira pessoa e foca no ponto de vista de Mae. Há uma certa distância do narrado, que não sofre influência ou influencia os pensamentos e atitudes do personagens.

Em vários momentos, O Círculo pode ecoar 1984 (Companhia das Letras, George Orwell, 416 páginas, 2009). Neste, as teletelas funcionam tanto para transmitir quanto para observar o comportamento dos cidadãos. No livro de Dave, embora a invasão de privacidade a princípio seja limitada aos funcionários da empresa, é através do imediatismo do comportamento online que as pessoas são avaliadas - e rankeadas. Há outras características semelhantes que vocês podem reconhecer ao lerem as duas obras, incluindo certas escolhas dos personagens influenciados pela necessidade do ambiente em que vivem.

O livro traz um forte questionamento sobre a relação das pessoas com o mundo virtual e em como isso pode influenciar no mundo real.

Eu não costumo falar sobre isso. Mas durante a leitura, não pude deixar de lembrar de um lugar em que trabalhei. Nesse lugar, os donos queriam forçar que nós, funcionários, fizéssemos das nossas redes sociais vitrines para a empresa. Queriam, também, controlar o que cada um fazia em sua rede social, como por exemplo não podíamos citar outras empresas que vendiam produtos semelhantes aos comercializados lá. Eles alegavam, entre outras coisas, ética. É claro que nenhum dos funcionários, pelo menos não enquanto trabalhava lá, foi anti ético a ponto de compartilhar algo desabonador sobre a empresa. O resultado dessa "intromissão" só trouxe resultados desastrosos para a empresa.

O Círculo, como empresa no livro, influencia o funcionário a postar sobre tudo o que ele faz, se inscrever em fóruns diversos, externar opiniões e gostos, publicar fotos, compartilhar... enfim! Fazer de tudo para que sua presença seja notada dentro dessa nova rede social que abrange tudo o que conhecemos. Em alguns momentos, me questionei se O Círculo é um bom livro para esta época, ou se teria uma crítica mais efetiva daqui a alguns anos. Não é especificado em que tempo no futuro essa história se desenvolve, embora "num futuro próximo" não seja uma resposta errada. Acredito que algumas ideias exploradas por Dave não estejam tão longe de serem concretizadas, como a transparência em relação aos políticos ou o uso de empresas privadas como células governamentais.

O livro vai agradar bastante quem procura uma leitura questionadora sobre um assunto atual, trazendo na memória os mesmos moldes vistos no livro de Orwell. Na verdade, seria um livro bom para ser lido por qualquer pessoa. Assim como a maioria dos lares possui uma televisão - que até onde se saiba só é um transmissor -, há uma gama absurda e crescente de pessoas com celulares conectados à rede, inclusive nas mãos de crianças.

Dave Eggers é autor de, dentre outros, Os monstros, adaptado do livro ilustrado de Maurice Sendak e baseado no roteiro para o cinema de Onde vivem os monstros, que o autor assina junto com Spike Jonze. Em junho de 2017, O Círculo ganhou uma adaptação para os cinemas com Emma Watson (Harry Potter, As vantagens de ser invisível, A Bela e a Fera) e Tom Hanks (O Código Da Vinci, Forrest Gump) no elenco principal.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

[RESENHA DUPLA] A Zona Morta, de Stephen King

Editora: Suma de Letras
Páginas: 480.
Publicação: 2017

Olá, galera! Hoje, vamos de mais uma resenha dupla do Marcos, em azul, e do Tiago, em laranja.

Eu já li alguns livros do King. Comecei minhas leituras de suas obras por Sob a redoma, que devorei em pouco tempo. A partir de então, tenho, sempre que posso, lido algum livro dele. A forma como o autor desenvolve seu enredo e personagens foi o que mais me chamou a atenção em Sob a redoma e fez tudo funcionar para mim. Afinal, eu poderia levar um tiro no pé com um livro daquele tamanho quando sempre recomendam começar a ler o autor por O iluminado.

Algumas obras raras e antigas do autor estão sendo relançadas. É o caso de A Zona Morta.

Johnny Smith é um jovem professor de literatura da escola de sua cidade, no interior do Maine. Ele está tentando começar a namorar Sarah, também professora. Ambos vão a um festival que está acontecendo na cidade, com parque de diversões e barracas de comidas típicas. Em uma dessas, um jogo de roleta chama a atenção de John, que resolve atender ao pedido do vendedor e tenta apostar a sorte naquele jogo. Na primeira rodada ele logo fatura o prêmio e resolve tentar de novo. Na segunda, idem. Quando na terceira ele consegue novamente muito dinheiro, Sarah e os demais começam a achar estranho aquele acontecimento e John consegue quebrar a banca inteiramente. Porém, sua noite não acabaria ali. Após deixar Sarah em casa, ele apanha um táxi para a sua residência. Durante o trajeto, um trágico acidente acontece matando o motorista e deixando nosso protagonista em coma profundo pelos próximos quatro anos.

Quando criança, Johnny já havia sofrido um acidente mais grave, porém, omitiu isso de toda a sua família. Numa pista de patinação, ele caiu e bateu com a parte frontal da cabeça no gelo, mesma região que ele machucou agora. Depois de acordar de tanto tempo em coma, Johnny percebe que há algo diferente em sua percepção do mundo: ao tocar uma pessoa, ele consegue ver o que acontecerá em seu futuro. Um dom que pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal e Johhny sentirá na pele o peso e a responsabilidade disso.

King trabalha com poucos personagens neste livro. Cada um traz alguma importância em algum momento da história, mesmo aqueles que acabamos conhecendo sobre suas vidas para em poucas páginas morrerem. No começo, a gente não sabe muito bem o que pensar sobre alguns. Por exemplo, quando a mãe de John descobre que o filho sofreu o acidente de carro a narrativa nos traz um certo ar cômico devido sua reação. Um pouco mais tarde, vamos descobrir que a reação dela provém de outras razões.

A Zona Morta é um livro escrito no final da década de 70 tendo sua história se passando no mesmo período. Em virtude disso, todo o cenário, o comportamento dos personagens e também boa parte da narrativa sofre influência dessa época. Minha leitura do livro oscilou à medida que o avançava. No início, a viciante narrativa do King se faz presente e me manteve ávido pela história o tempo todo. Porém, do meio em diante o ritmo decai muito e só vem ser retomado nas últimas 100 páginas. King se estende bastante em diversas partes que poderiam ser facilmente enxugadas ou somente citadas brevemente no enredo.

O livro tinha tudo para ser uma história do caramba. Enquanto o lia, ficava imaginando como teria sido se alguém o tivesse estruturado para ser um romance policial. A meu ver, houve uma tentativa do autor de levar por esse caminho, mas falha. O começo chama a atenção como deve ser, mas o período de coma do John é longo, as coisas que acontecem após seu despertar são narradas em páginas e mais páginas e quando o livro tinha tudo para se encerrar muito bem temos mais cem páginas para ler. Por mim, a história poderia ser bem enxuta, mas ser prolixo é uma característica do autor.

No mais, A Zona Morta foi uma leitura boa, que traz momentos que prendem o leitor e outras que o deixam entediado. Acredito que não seja a melhor porta de entrada dos livros do King, uma vez que o autor demonstra mais do seu potencial em outras obras já publicadas.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

[ESPECIALl] "Só perguntas erradas", de Lemony Snicket

Olá, galera! É o Seguinte, hoje eu vou comentar com vocês sobre uma série muito divertida que eu acredito que muitos de vocês vão gostar. Vocês poderiam me perguntar: quem é o autor desses livros? E eu diria que essa é uma pergunta muito errada. Erradíssima, caro leitor. Afinal, quem é que ainda não ouviu falar de Daniel Handler?


Bem, talvez vocês não o conheçam por esse nome. Daniel Handler escreveu a série "Desventuras em série" com o pseudônimo "Lemony Snicket". Todos os treze volumes das desafortunadas aventuras dos irmãos Baudelaire são publicados pela Companhia das Letras. A série de livros inspirou um filme com Jim Carrey e ganhou uma adaptação na Netflix, com Neil Patrick Harris. Além desses treze livros, Lemony Snicket possui outras obras publicadas. Dentre elas, está a série "Só perguntas erradas" em que ele próprio narra alguns acontecimentos da sua adolescência num vilarejo muito peculiar.

No primeiro livro, Quem poderia ser a uma hora dessas?, Lemony Snicket se torna aprendiz de S. Theodora Markson em uma missão para recuperar um artefato roubado que talvez não tenha sido de fato roubado. O segundo livro, Quando você a viu pela última vez?, retorna com Lemony e Theodora tentando desvendar o mistério do desaparecimento da herdeira da Tintas S. A., a empresa responsável pela extração da tinta dos polvos no vilarejo. Durante suas investigações, descobrem uma pista misteriosa: um semibilhete escrito com tinta invisível. Mas por que a herdeira da Tinta S. A. escreveria um bilhete invisível tento toda a tinta de polvo às mãos?

Você não deveria estar na escola? tem um ritmo de leitura diferente dos dois primeiros, se tornando mais lento. Neste livro, Lemony precisa investigar os incêndios que estão ocorrendo no vilarejo e que estão forçando as crianças a irem para a escola. Antes de falar do último livro, é bom comentar um pouco sobre 13 incidentes suspeitos; o livro traz, como o título sugere, treze contos mostrando pequenas investigações à parte à história principal que Lemony realiza em Manchado-pelo-mar. Todos eles possuem resolução nas páginas finais.



Por que esta noite é diferente das outras?

No meio da noite, Theodora escapa sorrateiramente da suíte que divide com Lemony e pega um trem. Ao persegui-la, Lemony nota que outras pessoas estão tentando escapar da cidade também. Mas por quê?

É uma coisa engraçada, mas que eu gosto muito quando leio uma série. Ver o crescimento dos personagens. Este quarto livro não traz apenas um amadurecimento por parte do Lemony, mas a narrativa está mais densa e traz muito mais questionamentos do que eu esperava quando comecei a ler o primeiro livro. Isto de modo algum é ruim ou diminui a qualidade do livro. Enriquece muito. É claro que algumas pessoas não vão gostar, podem achar bem moroso uma vez que os outros livros têm uma dinâmica diferente. Eu não cheguei a ler os livros de Desventuras em série, mas como conheço algo sobre sei que alguns nomes citados neste último livro fazem parte da outra série.

Concluindo

No todo, recomendo muito a série para quem quer se divertir de forma despretensiosa. A narrativa em primeira pessoa é carregada de humor e referências a livros clássicos e contemporâneos - é preciso ficar bem atento para pescar essas referências. O trabalho gráfico está bem bonito, da capa, passando pelas diversas ilustrações internas, à quarta capa.

                                                                     

Onde comprar?

quarta-feira, 12 de julho de 2017

[RESENHA] Coração em Chamas (Spin-Off de Viajando com Rockstars #0.5) de Aline Sant'Anna


Editora: Charme
Páginas: 224
Publicação: 2017


Courtney Hill sempre teve prazer em esportes radicais onde a adrenalina sempre era bem-vinda. Para juntar o útil ao agradável sua profissão envolve muito esse prazer, pois é dublê de filmes da ação. Porém, um acidente interrompe sua paixão e a deixa devastada. Foi como cessar todo um projeto que sempre idealizou, mas de forma abrupta é retirado de sua vida.

Jude Wolf é marinheiro e sua vida sempre foi baseado em regras. Com uma educação militar, Jude tinha que fazer tudo na hora e no momento certo estipulado pelo seu pai. Até a área sentimental era regrada e com limites. Isso fez brotar um espírito de rebeldia, e a partir daí sempre quis viver além dos limites. Ele está cansado de trabalhar na marinha e decidiu se retirar para abrir seu próprio empreendimento. No entanto, ele não faz ideia do que investir.

Tudo está prestes a muda na vida de Jude e Courtney na despedida do marinheiro. Brian é irmão da melhor amiga de Courtney, Bianca. Ele levou a garota para espairecer a mente. Porém, sua mente está mais para estar ocupada com pensamentos proibidos quando seus olhos pousam sobre Jude. O sentimento de atração é imediato entre eles e algo está prestes a explodir. Esse encontro irá mudar a vida dos dois em diversas áreas de sua vida.
Confesso que desde quando li 7 dias com você não imaginei de onde veio o cruzeiro Heart On Fire. A ideia de Aline criar uma história relatando a origem do cruzeiro foi fantástica e ainda mais propícia para lançar no dia dos namorados.

Os personagens Jude e Courtney é um casal que se complementa, pois o gosto musical, pensamentos e ideais se batem. O encontro entre os dois é atração à primeira vista, sem conter nenhum sentimento tão profundo. São protagonistas reais que conseguimos identificar e torcer a cada momento por eles.

O livro é dividido em duas partes. A primeira narra como o casal se conheceu e o desenvolvimento da ideia do cruzeiro nascendo. A segunda a ideia já está concretizada e só falta realizar o maior sonho deles. Essa divisão foi importante para compreender mais a interação e as sementes lançadas para o objetivo profissional do casal.

Foi incrível identificar a ideia dos criadores nascendo com o que já lemos em 7 dias com você já concretizado, e o mais importante: tudo que aconteceu com Carter e Erin no cruzeiro é elucidado em Coração e Chamas. As festas, os jogos e todo itinerário foi criado de maneira intensa e com muito sentimento por trás.

Falar da escrita de Aline se tornou redundante. É impossível não se envolver e se apaixonar por ela. A autora consegue transformar uma cena trivial em algo profundo, com palavras certas e diálogos reflexivos. Sua escrita é intrigante e faz com que o leitor queira ler mais para descobrir como irá terminar determinado evento.

Coração em Chamas é indicado para os fãs de romance, mas já adianto que há cenas calientes. A história dos personagens é tocante e a forma que eles fazem buscar o seu lado positivo e sair por cima é inspirador. Um trama com muita paixão, atração, superação e a busca dos seus sonhos é encontrada nesse spin-off de Viajando com Rockstars.

Algo que amei foi que Aline mais uma vez não colocou amor instantâneo entre o casal. É possível identificar o crescimento da relação e a maneira que o amor começa a ser brotado. Isso é maravilhoso para quem gosta de romances desse estilo. Leiam esse livro! A conexão de Jude e Courtney é avassaladora, apaixonante, intensa e faz com que você termine o livro pensando: Eu preciso viver um romance desse jeito!


Aline você não quer escrever um romance da minha vida, mas que termine em um final feliz como esse?
                                                                     

Onde comprar?

[RESENHA DUPLA] O Bazar dos Sonhos Ruins de Stephen King



Editora: Suma de Letras 
Páginas: 528
Publicação: 2017

Oi, gente! A resenha de hoje é dupla. O Marcos e o Tiago falam suas impressões sobre o livro O Bazar dos Sonhos Ruins. Os comentários do Marcos estão em azul e do Tiago em laranja. Segue o baile!

O Bazar dos Sonhos Ruins é uma coletânea de contos do considerado maior autor de terror do mundo: Stephen King. Nele, vemos um apanhado de contos que englobando basicamente o tema terror, mas também suspense e uns com um leve toque de fantasia. Os contos reunidos no livro foram escritos em diferentes épocas da carreira de King de modo que, durante a leitura, é fácil detectar o período em que cada um se insere.

Escuridão total sem estrelas foi meu primeiro contato com um livro de contos do Stephen King. Eu o li intercalando com outros livros, uma vez que os contos de Escuridão são relativamente maiores que os contos de O Bazar dos Sonhos Ruins. Já Bazar, li sozinho. 

Meus contos favoritos foram: Milha 81: é o conto que abre o livro. Ágil, bem construído com dois núcleos bem interessantes e congruentes. Só o King para fazer ter medo de uma "protagonista" como a dessa história; A Duna: uma história incrível que tem um final sensacional; Ur: em que King usa um Kindle como portal de um universo paralelo. O conto foi escrito inicialmente para a promoção do Kindle Keyboard e vinha dentro dos aparelhos comprados nas primeiras semanas de venda; e Obituários: cujo nome já resume tudo.

O conto Duna e Obtuários meio que ecoam um ao outro, já que eles falam sobre a antecipação da morte. Eu gostei bastante do desfecho de Duna, já Obtuários me lembrou bastante Death Note.

O mais legal do livro é que, além dos contos em si, King bate um papo com o leitor entre uma história e outra. Antes de cada conto há um texto de apresentação em que o autor conta suas motivações, as polêmicas envolvidas durante a escrita ou após a publicação e em quem estava pensando quando o escreveu. Esses textos eram muito legais e aproximavam muito o King do leitor. Algumas vezes eles eram melhores que o conto em si.

Eu sou um leitor curioso, por assim dizer. Isto porque uma das coisas que eu mais gostei neste livro são os comentários do autor antes de cada conto. É bem legal ver o que motivou o King a escrever cada conto e, de quebra, descobrir um pouco mais sobre a vida dele.

Esse é meu primeiro livro de contos do autor, que sou mega fã. Já tinha lido um conto dele, A Tribo que ele escreveu junto com seu filho, Joe Hill, e tinha gostado muito do trabalho de ambos em uma história mais curta. Com Bazar minha admiração por King escritor ficou ainda maior. Ele consegue sintetizar ideias de forma a trazer histórias completas, com início, desenvolvimento e fim, e, ao mesmo tempo, muito bem construídas.

Lendo Bazar, descobri que King também escreve poemas. Há dois contos em formato poemas, sendo que o segundo foi o que mais fez sentido pra mim. Não sou fã de poemas. Acredito que se você pode escrever em prosa, pra que poemas? Desculpa, Homero.

Recomendo muito a quem é fã do autor e para quem quer conhecê-lo. É uma ótima forma de começar a saborear a narrativa de King sem precisar se aventurar logo de cara por seus livros mais longos.


Onde comprar?

segunda-feira, 3 de julho de 2017

[Resenha] À procura do par perfeito (Searching for #2) de Jennifer Probst


Editora: Paralela
Páginas: 272
Publicação: 2017

Nathan Ellison Raymond Dunkle, iniciais de NERD faz bem o estilo do gênio no setor de engenharia espacial. Há muito tempo o foco em sua vida é o trabalho, sendo assim, sua vida sentimental está o fiasco. Para mudar isso ele decide ser um cliente da Kinnections, agência de relacionamento de quatro amigas. Ele não tem estilo nenhum para moda, seu faro para a vaidade é inexistente. Portanto, para conquistar o coração de uma mulher ele terá que se esforçar muito. Kennedy Ashe é a responsável com o visual dos seus clientes na Kinnections, e Ned será o seu maior desafio. O que ela não esperava era sentir atração pelo seu cliente e surpreender que a recíproca é verdadeira.

Quando li À procura de alguém amei os personagens e a escrita da autora. Sabia que teriam outros livros de outras integrantes da agência e fiquei curioso para saber mais de suas histórias. Kennedy foi a próxima e me fez gostar muito dela. Uma trama que mais uma vez trouxe uma leitura divertida.

Kennedy tem um estilo impecável para moda e esse dom é bem-vindo para os clientes da agência de relacionamento que ela tem com suas amigas. Se alguém precisa de alguns toques ela está disponível, pois segundo ela, a aparência é cartão postal da primeira impressão que a pessoa tem de você. Mas ela nem sempre foi tão confiante assim, por trás da camada impenetrável existe alguém que sofreu na época de escola e seu temível inimigo é o espelho. Assim que depara com Ned em uma situação em maus lençóis com uma mulher ela tem sente o desafio de ajuda-lo, e para isso terá um esforço para fazer uma mudança completa no rapaz. Porém, ela sente mais do que precisa ajuda, mas um sentimento mais profundo brota em seu coração e será difícil de retirar.

Os personagens deste livro me conquistaram. Ned é um homem que sempre teve o trabalho como prioridade, mas ele começou a se sentir sozinha e decidiu ir à procura de uma esposa. Mas as leituras das revistas como Marie Clarie e Glamour não deram certo. Ele terá uma mentora para ajuda-lo a alcançar seu objetivo, para isso ele se dispôs a mudança de visual. Kennedy é uma mulher elegante e divertida. Ela emana confiança e persuasão com sua voz. A fórmula que une Ned e Kennedy é perfeita e tem tudo para os dois derem certo, mas terão obstáculos para que o final feliz chegue.

A escrita de Jennifer é envolvente e divertida. Com cenas cômicas, pitadas de drama e eventos inesperados para os protagonistas, a trama se constrói de maneira que faça com que o leitor fique atento à leitura do começo ao fim. O desenvolvimento e diálogos foram bem construídos, mostrando mais uma vez a descontração.


Para os fãs de chick-lit À procura do par perfeito tem tudo para serem conquistados em À procura do par perfeito. Uma leitura divertida, romântica, com uma pitada de drama. Isso tudo torna a obra viciante desde o início. Estou ansioso para ler o próximo.
                                                                     

Onde comprar?

quinta-feira, 29 de junho de 2017

[RESENHA DUPLA] Maus, de Art Spiegelman


Editora: Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras)
Páginas: 296
Publicação: 2005

Olá, leitores!

Hoje trazemos mais uma resenha dupla do blog, sendo a primeira de uma HQ. Eu e o Tiago lemos juntos Maus do Art Spiegelman, uma história verídica sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial. As minhas impressões ficaram em azul e as do Tiago em verde. Esperamos que gostem da resenha! =)

Existe um certo fascínio ao redor das duas grandes guerras mundiais pelo qual todos nós deveríamos nos deixar envolver. Falando assim, soa como se fosse algo bonito pelo qual se encantar. De certo modo, quando lemos sobre as guerras há um mistura de sentimentos tão grandes que, naqueles instantes, mergulhamos no que estamos lendo e o mundo ao redor fica silencioso. Pelo menos, é assim que eu me sinto e senti quando li livros como "O Menino do Pijama Listrado" e "Fique Onde Está e Então Corra". Ambos são ficção que romanceiam os horrores das guerras. Maus, no entanto, é o relato real de um sobrevivente contado de forma lúdica, através de quadrinhos. Neste livro, os judeus são representados como ratos, poloneses como porcos, alemães como gatos e os americanos são os cachorros. Há outras nacionalidades por lá, outros animais para representá-las.

Maus é uma história sensacional. A grande sacada dos quadrinhos, além de trazer uma história verídica, foi a de retratar os personagens como animais, de acordo com as suas nacionalidades. Além de trazer uma forma explicativa de como a Guerra aconteceu, esse recurso pode salientar o preconceito vivido pelos judeus, que eu muitos panfletos do partido nazista eram colocados em charges como ratos, fazendo uma absurda chacota com os traços faciais desse povo.

O livro começa com um mensagem forte sobre como Vladek Spiegelman entende o valor da amizade. Anos depois, Art Spiegelman visita o pai, com quem em algum momento deixou de ter muito contato, para biografar a história dele. Vamos conhecer Vladek momentos antes da Segunda Guerra Mundial o alcançar.

Vladek era um udeu que sobreviveu a vários campos de concentração e relata ao filho tudo o que sofreu na pele. Sua história de vida é muito tocante e dura, ao mesmo tempo, e boa parte de tudo o que ele passou acabou por moldar a sua personalidade atual, quando já está enfrentando os anos de sua velhice. Art conseguiu exprimir isso de uma forma muito eficaz nos quadrinhos, sem tender para o esteriótipo judeu e, ainda assim, embasar todas as atitudes de seu pai.

Lembro de quando assisti pela primeira vez à adaptação de "O Menino do Pijama Listrado" e fiquei chocado com a cena final. Na época, eu ainda não havia lido o livro e não sabia da capacidade humana de elaborar algo tão abominável quanto aquilo. Maus vai nos falar das famosas chaminés, do cheiro doce e de gordura queimando. Não importa a "suavidade" de vermos animais e não pessoas naquelas situações - nos é contado pelos olhos de alguém que presenciou e teve a sorte de escapar, o que torna tudo muito mais real.

Toda a parte gráfica do livro é muito importante para trazer ao leitor o horror e as condições deploráveis e sub-humanas que o Tiago levantou aí em cima. É chocante demais ver que tudo isso ocorreu com seres humanos e se torna mais forte ainda quando contada pela boca de alguém que vivenciou isso de dentro e sofreu na pele. 

Podemos ler e ouvir relatos sobre a guerra, mas é incrível como sempre há algo a mais pra ser contado e descoberto. E é de suma importância que a história seja contada de todas as formas para que ela permaneça fresca na memória. 

Leitura mais do que recomendada a todos que gostem de livros sobre Segunda Guerra e para quem quer se aproximar de tudo o que ocorreu por lá. Maus é leitura de um dia. Mesmo sendo publicada em dois fascículos originalmente, esse volume único que a Companhia das Letras traz fará com que você não consiga largar a história em nenhum momento. Não há como sair da leitura de Maus da mesma forma como que se entrou.

Cupom de desconto Saraiva https://cupomterra.com.br/desconto/saraiva/

                                                                     

Onde comprar?