sexta-feira, 16 de novembro de 2018

[RESENHA] Norman de Antônio Moutinho


Editora: Amazon
Páginas: 257
Publicação: 2018

Marx é um arquiteto bem sucedido e que tem verdadeira paixão pela profissão. Junto com seu melhor amigo, um bem sucedido corretor imobiliário, num determinado dia, sai para avaliar alguns imóveis. Um destes é o apartamento de um senhor idoso que acabara de falacer. Sua neta, Regine, é a herdeira mas, como sua profissão exige que ela tenha de viajar o tempo todo, não consegue ver nenhum interesse em manter o imóvel do avô.

Norman, o antigo proprietário falecido, era um intelectual recluso, que adorava livros e conhecimento. À medida que vão conhecendo o imóvel, Marx e seu amigo e sócio Ronaldo vão percebendo que ali morava uma pessoa que realmente era apaixonada pela sabedoria. Mas tudo mudará para o protagonista quando ele se depara com a biblioteca do local. Com uma quantidade estimada de algo entre 20 e 25 mil exemplares, esse cômodo era algo mágico, sem dúvidas o verdadeiro paraíso para qualquer leitor. Marx, que sempre adorou ler, fica encantado com tamanha diversidade e logo se interessa no local. Quando anda pelas prateleiras percebe que há algumas frases em uma língua desconhecida por ele em cada uma delas, como um sistema de organização dos tomos. É quando começa a tentar decifrá-las que a jornada de Marx se inicia. A biblioteca esconde um mistério que pode ganhar proporções históricas. Será que ele conseguirá solucioná-lo? E o que ela esconde de tão precioso?

Norman é um livro para quem gosta de livros. Por ter uma biblioteca como cerne central, é uma narrativa fascinante para quem é bibliófilo e para quem tem verdadeiro amor pelo conhecimento. Além desse pano de fundo, o autor usa ao longo da narrativa trechos e poesias extraídos de diversas obras, além de citar inúmeros títulos ao longo do texto, o que faz com que o leitor fique o tempo todo relembrando leituras já feitas e desejando fazer outras mais.

Embora dê nome à obra, o Norman e aquele personagem que não está presente fisicamente no enredo mas que o seu legado o constrói por inteiro, ou seja, todaa narrativa gira em torno dele e do que ele deixou em sua biblioteca. Mesmo Marx sendo o protagonista do início ao fim, é Norman quem empresta a alma para a sua jornada. Ele é, sem dúvidas, o meu personagem favorito desse livro.

A escrita do autor mescla elementos de suspense, ação, romance e de introspecção no protagonista. O livro é narrado por Marx em primeira pessoa e, por conta disso, ficamos muito próximos de seus pensamentos e reaçõs diante do desenrolar do enredo. Protagonista esse que, devo destacar, é muito bem construído, com suas facetas bem claras e delineadas fazendo com que o leitor fique conectado a ele do começo ao fim do livro.

Por dosar bem os momentos de investigação com os eixos de vida pessoal de Marx, Norman é um livro de leitura muito rápida e fluída. Quem lê acaba se enveredando por suas páginas e não sente o tempo passar. Acredito, inclusive, que a trama tem potencial para continuações uma vez que o protagonista, além de ter um ótimo apelo, consegue passar por diversas situações por conta de sua carreira profissional, o que dá margem para a construção de novas histórias.

Recomendo Norman para todos que queiram ler uma boa trama nacional envolvendo mistério, ação, romance e livros, muito livros. É o tipo de livro para quem ama livros.

Para comprar o livro, acesse: https://www.amazon.com.br/Norman-Antonio-Moutinho-ebook/dp/B07JVNM9FJ/ref=sr_1_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1542396616&sr=1-1&keywords=norman+ant%C3%B4nio+moutinho

e https://www.amazon.com/Norman-Portuguese-Antonio-Moutinho-ebook/dp/B07JVNM9FJ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1542397385&sr=8-1&keywords=norman+ant%C3%B4nio+moutinho

O livro também está disponível no Kindle Unlimited.

                                                                     

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terça-feira, 13 de novembro de 2018

[RESENHA] A Torre do Amor (Contos de Fadas #4), de Eloisa James


Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Publicação: 2018


Quando Gowan, também conhecido como duque de Kinross, adentra salão para o baile promovido pelo conde Gilchrist, e repousa os olhos em Edie, filha do conde, logo conscientiza que irá se casar com ela. Ele viu a calmaria emanando dos olhos da moça, a sutileza do seu toque e a voz mansa como cantiga em seus ouvidos. Por outro lado, ele não sabia que a moça estava com uma febre alta e por isso tal comportamento, pois na verdade, ela é o oposto do que Gowan viu.

Concordando com as ordens do seu pai para se casar com o Gowan, ela logo joga as cartas na mesa e expõe do que espera do casamento para o futuro marido. Isso o deixa impactado e até mesmo nervoso, pois não esperava receber ordens da futura esposa. Porém, o tempo passando e encontros ocorrendo, ele está decidido em mudar a opinião dela com relação ao casamento. Uma relação de confiança, amizade e amor é construída, mas durante o casamento algo incomoda Edie e isso a deixa mal e não sabe como falar com o marido. Assim, são formados muros que faz distanciar um do outro.

A Torre do Amor é o quarto volume da série Contos de Fadas, e traz uma releitura do conto da Rapunzel. Quando iniciei a leitura logo me apaixonei pela trama construída por Eloisa James, por diversos fatores. Porém, tenho que destacar que o livro não é uma releitura acirrada de Rapunzel, o que na verdade a autora faz uma alusão em um determinado momento do conto original.

Edie é uma moça com um talento nato quando o assunto é violoncelo, assim como seu pai. Decidida, com personalidade forte e ao mesmo tempo amável, Edie se torna uma pretendente irrecusável para Gowan. Ela pontua algumas coisas com relação ao futuro matrimônio e isso faz despertar sentimentos ambíguos ao futuro esposo. Ela pode ser considerada muito nova e talvez até inocente para algumas coisas, mas sua maturidade para dar conselhos é indiscutível.

Gowan é um escocês forte e que teve um infância triste, por seus pais morrerem cedo, teve que aprender a administrar desde muito novo as propriedades da família. Quando conhece Edie, sua razão e coração o mostra que ela é a mulher certa para tomar o posto de duquesa. E sem sombra de dúvidas, ele percebe isso no decorrer do tempo.

O livro sendo narrado em terceira pessoa, possibilitou o leitor ter acesso uma amplitude de informações com relação aos sentimentos dos personagens, ações e atitudes. Logo no primeiro momento é perceptível a química entre os dois e isso vai se desenvolvendo e amadurecendo ao passar das páginas. 

Esse foi o livro com mais descrições íntimas entre os personagens. Isso é porque algo é abordado na trama que faz ser relevante e até mesmo um conflito importante na história envolvendo a relação de Edie e Gowan.

A escrita de James continua fascinante. Seus personagens são apaixonantes, diálogos perspicazes, conflitos bem construídos e uma releitura bem pensada com relação a Rapunzel. Devo destacar que há uma outra história como plano de fundo, que acompanhamos em certos momentos, envolvendo personagens secundários que são a madrasta e o pai de Edie, que se tornou engraçado e emocionante ao mesmo tempo na trama.

Para os fãs da série e do gênero, esse livro é recomendado. Uma leitura fluida e viciante, me conquistou no primeiro capítulo. Uma trama sobre novas descobertas, a construção da confiança, arrependimento, perdão e recomeços. Muitas doses de romance, drama e sarcasmo.
 
                                                                     

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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

[RESENHA] Eu perdi o rumo, de Gayle Forman


Editora: Arqueiro
Páginas: 240
Publicação: 2018

Eu perdi o rumo é o retorno da autora Gayle Forman aos livros juvenis após se aventurar num livro adulto chamado Quando eu parti, publicado pela Editora Record.

Quando eu iniciei a leitura desse livro, eu não sabia muito bem o que esperar. Minha experiência com outros livros da autora me dizia que eu poderia esperar uma história jovem com grandes chances de ter uma carga dramática bem forte. Acompanhando o ponto de vista de três personagens que até então não se conheciam pessoalmente, a autora traça um rumo para esses transeuntes perdidos em Nova York.

Freya é quem abre a história. Ela perdeu o rumo quando perdeu a voz. Mas não perdeu literalmente a voz. A voz que ela perdeu é a sua voz de cantora. Desde muito cedo, fora despertado nela o sonho de cantar. Seu pai era seu grande incentivador, porém, um dia, ele disse que ia visitar a mãe na Etiópia e nunca mais voltou para casa. Freya perdeu a voz no pior momento possível. Uma estrela em ascensão, estava gravando o disco mais recente quando aconteceu. Agora, ela busca tratamento em todos os lugares possíveis para reverter o ocorrido. Freya, porém, está fatigada. Consegue se livrar da mãe e, numa caminhada por uma ponte pelo Central Park, acaba sofrendo um pequeno acidente.

Ao mesmo tempo em que Freya está pelo Central Park, em uma mesquita próxima, Harun tenta rezar para ter esclarecimentos sobre o que fazer da própria vida. Porque ele também sente que perdeu o rumo ao se apaixonar por outro garoto - o que não poderia ser mais contrário ao que prega a religião de sua família. Ele ainda tem esperanças de se encontrar com o ex namorado. Por isso, ele envia uma mensagem ao garoto para que se encontrem no seu local de costume, no Central Park. Ao chegar lá, Harun vê, à distância, duas pessoas próximas. Nenhuma delas é quem ele gostaria de ver.

Enquanto Freya consulta o médico e Harun tenta rezar, o invisível Nathaniel emerge numa rua de Nova York. Com um desejo que não pertence somente a ele - de conhecer o mundo -, ele chega nessa cidade estranha com uma ideia em mente. Sua família foi se desfazendo aos poucos, não muito diferente de como ele se sente sobre si mesmo. Querendo colocar essa ideia em prática, ele chega ao Central Park e caminha por uma trilha serpenteante que leva à ponte em que Freya se encontra e onde Harun a observa a alguma distância. Ele não tem muito tempo para pensar em nada, porque ao passar sob a ponte Freya simplesmente despenca sobre ele.

Através dessa reunião inusitada, os três estranhos se juntam primeiro para socorrer Nathaniel e, depois, um ao outro.

Acredito que eu posso dizer que este é um dos livros, se não o livro, que eu mais gostei da autora. Achei de uma representatividade magnífica reunir três desconhecidos que não sabem qual rumo levar na vida, mas que de algo modo farão uma diferença absurda um na vida do outro. Cada personagem tem um motivo sólido para ter perdido seu caminho, não é algo absurdo ou forçado. E naquele dia em que eles se esbarram, eles começam a enxergar novas possibilidades do que pode ser.

A editora Arqueiro caprichou na capa. Com toque suave, a capa traz um emaranhado de fios que representam todos os caminhos cruzados ou até mesmo uma confusão mental de quem não sabe o que fazer a seguir. Há, ainda, coordenadas novaiorquinas ao fundo.

Eu já li vários livros de Gayle Forman. Infelizmente, não li todos. Assim como Colleen Hoover, autora da trilogia Slammed, Forman trata em seus livros sobre conflitos do adulto jovem. Esta fase gira em torna da transição do final da adolescência aos 18 anos para o começo das responsabilidades da vida adulta. Apesar de um ou outro assunto ter um ponto mais delicado, acredito que esse livro não tem nada que possa despertar um gatilho psicológico em quem o lê. Diferente do que poderia acontecer com quem lesse Um caso perdido, de Hoover, ou mesmo Eu estive aqui, da própria Forman.

Recomendo muito esse livro para quem procura uma história que traga um certo alívio, uma ponta de esperança. Um "calma, essa vida é bem mais do que você pensa e valoriza". Enfim, quero que todos leiam e amem essa história assim como eu amei.
                                                                     

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

[RESENHA] Um Acordo e Nada Mais (O Clube dos Sobreviventes #2), de Mary Balogh


Editora:Arqueiro
Páginas: 304
Publicação: 2018


Sophia Fry sempre viveu às sombras de seu tio, tia e prima. Ela não é criada como uma criada, mas também não é tratada como membro da família. Seu cabelo mal cuidado, suas roupas não acompanhavam à moda da época. A família apelidava a dama de ratinha. Sua mãe fugiu e seu pai morreu em um duelo por se envovler com uma mulher casada. Sophia cresceu com a autoestima baixa, por julgamentos e olhares que foram criando raízes de mágoa e contentamento que não era mulher o suficiente para se casar.

Já Vicent, é um dos sobreviventes das guerras napoleônicas. Infelizmente ele voltou com sequela, na qual perdeu a visão. Por conta disse, sua família, regada por mulheres sempre foi muito protetora logo quando ele voltou da guerra. Ele estava cansado, pois estava ansiando por liberdade. Após dispensar uma pretendente para se casar, algo que sua família estava torcendo que acontecesse logo, decidiu fugir e se exilar juntamente com seu amigo e valete Martin Firsk. 

Barton Coombs foi o destino de Vicent, o lugar em que ele cresceu e foi muito feliz. Lá também é que Sophia mora e eles não imaginavam que uma história de amor começaria após Sophia salva-lo de uma emboscada planejada pela sua família. Após ser expulsa de casa, Vicent se sente na responsabilidade de ajuda-la, pois foi por ele que seus familiares a deixaram na sarjeta. Ali começava a história que eles escreveriam além das aparências e dos julgamentos.

 "O futuro tinha o hábito de nunca ser como o esperado ou o planejado."

Li Uma Proposta e Nada Mais, primeiro volume da série O Clube dos Sobreviventes, e não me conquistou tanto. Achei muito dramático e pouco mostrado o desenvolvimento do casal. Por outro lado, Um Acordo e Nada Mais se mostrou superior ao anterior. Tudo aquilo que senti falta no primeiro fui suprido nesse.

Sophia é uma moça que foi abandonada pela mãe, ficando sozinha com o pai, que não era flor que se cheire. Ele se envolveu com uma mulher casa e foi morto pelo marido da amante. A menina foi enviada para morar uma tia, que a tratava mal e com frieza. Essa tia faleceu e foi morar com outra tia, com seu marido e prima. O que poderiam ser uma família feliz e unida, mostrou o contrário, pois a tratavam nem como criada, mas também não demonstravam nenhum tipo de carinho com a garota.

Quando ela conhece Vicent algo aflorou em seu coração, mas ela sabia que ele não se interessaria por ela, por vários motivos enumerados em sua mente. Após salva-lo de uma emboscada para se casar com sua prima, o tio a expulsa de casa e a deixa sem para onde ir. Quando Vicent soube logo se dispôs em ajuda-la, mas ela não esperava que uma acordo seria oferecido: se casar com ele. Ambos se beneficiariam, pois ela teria um lugar para onde morar e sentiria em segurança e ele conseguiria sair do sufoco em que estava vivendo, pela sua família sempre querendo protege-lo, por conta de sua condição.
 "Nas nossas fraquezas, talvez possamos encontrar forças."
O casal no início se tratavam como amigos, mas a relação foi amadurecendo. Eles foram se conhecendo intimamente, aprofundando na vida um do outro, até que sentimentos fossem brotados e em pouco tempo floresceriam. Amei como o casal foi crescendo gradativamente. Como Vicent foi essencial para ajudar Sophia a se sentir linda e especial. Sophia também foi importante para ele, por abrir meios para que ele ganhasse sua independência dentro de sua própria casa.

A escrita de Mary Balogh é envolvente e com os personagens foi a cereja do bolo para que a leitura fluísse. Sophia e Vicent tem uma química forte e se tornam cúmplices no decorrer da trama. Os outros integrantes do Clube dos Sobreviventes aparecem e conhecemos mais um pouco de suas histórias. Apesar da trama não conter tantos momentos de clímax, os conflitos que foram apresentados foram os suficientes para que ajudasse na dinâmica do livro.

Para os fãs de romance de época, esse livro é uma ótima indicação. Apesar de não ter gostado tanto do primeiro, o segundo compensou. Uma história que fala sobre recomeços, a busca da autoestima, da gentileza e da solidariedade. Cada capítulo é uma porção de amor compartilhada da autora para seus leitores.
 
                                                                     

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