terça-feira, 24 de janeiro de 2017

[Resenha] Uma Dama Imperfeita (Os Preston #2) de Lucy Vargas

Editora: Charme
Páginas: 384
Publicação: 2016  

Resenha de "O Refúgio do Marquês" #1   
 
Bertha Gale é considerada como uma Preston. Ela é acompanhante de Lydia, filha mais velha da família, mas seu cargo não interfere com o carinho que sentem por ela. Ela e Lydia estão prestes a entrar na temporada, para conhecer rapazes que poderão ser seus futuros esposos. Não será fácil para Bertha, pois ela é uma mera acompanhante e há pessoas da alta nobreza que despreza esse tipo de comportamento. Mas Eric Northon, mais conhecido como Lorde Bourne não vê problema nenhum, muito pelo contrário.
Lorde Bourne entrou na temporada com o único objetivo de se casar, pois precisa de uma esposa para conseguir o título de conde e também alguém para ajudar a cuidar de sua sobrinha, considerada como filha. Ele não liga para as regras, e vive sua vida intensamente. Irá aproveitar este tempo ao máximo, mas o casamento tem que ser garantido. Ele se sente atraído por Bertha, mas há diversas barreiras para que este romance engate, como por exemplo a classe nobre achar contra um Lorde se envolver com uma mera funcionária do marquês. Mas será que os sentimentos de ambos poderão ultrapassar e quebrar qualquer regra da sociedade ou será a destruição da reputação de Bertha?
Quando li O Refúgio do Marquês amei a trama e a escrita da autora. Minhas expectativas pra um próximo livro envolvendo a família Preston estavam atíssimas, e confesso que as superou. Lucy conseguiu me conquistar mais uma vez através de uma trama escrita belamente.
Bertha é uma jovem contida e que sabe o seu lugar, mas sua criação sempre foi como membra da família do marquês. Ela foi criada junto com Lydia e nunca se separaram. Ela é uma acompanhante para a filha primogênita do marquês exemplar, do conhecimento das regras de comportamento e até mesmo quando agir em momentos delicados e inesperados.
Ela faz parte do grupo Devon, onde pessoas diferentes criaram uma amizade com direito a diversões e brincadeiras que deixam a sociedade assustada e segundo eles são jovens rebeldes. É de lá que Bertha conhece Eric Bourne, jovem bonito e com um comportamento irreverente. Porém, ela tentará ao máximo impedir das investidas do rapaz para com ela prossiga. Ela jamais poderia se envolver com alguém da alta classe, pois seria um escândalo e seu nome ficaria na boca da sociedade londrina. No entanto, nem sempre o coração age da maneira como queremos e o sentimento entre ambos cresce a cada dia e vivenciarão momentos de muito romance e situações hilárias.

"-Cada vez que eu a encontro, que escuto sua voz e eu finalmente a toco, eu tenho mais certeza de que não há outra para mim. Eu quero um para sempre e vou busca-lo em você."
O segundo volume da série Os Preston nos apresenta um romance de época carregado de momentos engraçados, dramáticos, tensos e com muito romance. Os personagens são empáticos e logo conseguimos nos identificar. Uma forma cômica inserida na trama foi os apelidos criados por alguém com os nomes do grupo Devon. Bertha é uma jovem forte e sua posição inferior aos outros jovens não a impede de criar elos de amizade e até mesmo de conversar com eles por igual, inclusive o grupo não a discrimina, mas ela não ficará livre do preconceito. A família de Eric tem um passado manchado de escândalos, e ele não quer repetir a mesma história. Com sua desenvoltura conquistará Bertha e aos poucos quebrará os muros envoltos do coração da moça.
Há dois pontos que achei interessante no decorrer da história. A primeira é mostrar mais sobre Henrik e Caroline, o casal do livro anterior. O segundo é não só focar em Bertha e Eric, em determinado momento a trama vira um pouco do foco no casal principal e muda para outros, ganhando certa dinâmica.
A escrita de Lucy como sempre é extremamente envolvente, instigante, capaz de transpor o leitor para dentro da história. É nítido o quão grande foi a pesquisa para a construção da trama. No final do livro há uma nota da autora falando um pouco sobre a criação dos personagens, situações vividas por eles e como ela idealizou alguns momentos presentes na trama.
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

[Resenha] A Garota do Calendário (Outubro #10) de Audrey Carlan

     
Editora: Verus
Páginas: 160
Publicação: 2016     
 
Mia está de volta à Califórnia para reencontrar seu namorado, que foi sequestrado no continente asiático enquanto estava filmando seu novo filme. Ela será responsável de ajuda-lo a superar esse momento tão traumático, mas não será nada fácil. Mia precisará de muita paciência, cumplicidade e amor para tira-lo de um lugar distante e doloroso. A moça como está livre da dívida do seu pai irá apresentar um quadro num programa de TV do dr. Drew Hoffman, médico famoso das celebridades. O casal vivenciará momentos intensos e inesquecíveis, e um caminho será aberto para Mia mostrar todos os seus talentos.
A cada livro Mia vem mostrando amadurecimento em diversas situações vividas. Este mês o foco é em seu relacionamento com Wes e sua carreira profissional. Wes ficou com grande trauma após ser resgatado de um ataque terrorista. De volta a sua casa e ao lado do seu amor, terá que lutar para se livrar de imagens e situações dolorosas que vivenciou. Mia por um lado está triste e desesperado para trazê-lo de volta e por outro feliz por se apresentar em um quadro num programa famoso.
Audrey soube trabalhar muito bem essas duas áreas na vida de Mia. Afastou diversos personagens apresentados nos volumes anteriores e reservou esse mês para trazer a luz no romance e na vida profissional de nossa protagonista. Este mês para Mia é uma mescla de sentimentos.
Os fãs podem se preparar que outubro é um mês com bastante romance, drama e momentos felizes.
O próximo mês Mia estará de volta a Nova York a trabalho.

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

[Resenha] Jantar Secreto de Raphael Montes

 

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360
Publicação: 2016     
 
Quatro amigos mudam de Pingo d’Água, interior do Paraná, para a cidade maravilhosa (RJ). No intuito de estudar e conseguirem uma estabilidade financeira, independência e desprender da vida que tinham na cidade do interior. Porém, nada na vida é como os filmes de Hollywood e após quatro anos todos eles estão fadados ao fracasso. Não conseguem emprego na área que estudou, desistiu dos estudos no meio do caminho ou sua personalidade é forte demais para permanecer no emprego. Sem ter dinheiro para pagar o aluguel, pois o país está em crise, os quatro amigos decidem realizar jantares secretos, para que as pessoas tenham uma experiência gastronômica única. O que era para ser apenas algo para resolver o problema financeiro, a obsessão e a ganância sobressaiu e o caminho para o lado negro está cada vez mais perto.
Esta é minha primeira experiência com o autor Raphael Montes. Já tinham me avisado que este camarado é craque na escrita e seus livros são tensos e malucos – no bom sentido – ao mesmo tempo. E tenho que confirmar que isso é verdade. Jantar Secreto foi um livro totalmente diferente que já li e que despertou diversas reações que nos de romance que estou acostumado a ler não conseguiram ativar tais reações.
Dante é nosso narrador. Sua família é rica, mas ele decidiu desprender de suas raízes e andar com suas próprias pernas. Ele se formou em administração, mas como não conseguiu emprego na área trabalha como livreiro. Leitão é um rapaz obeso, que desistiu dos estudos no meio do caminho e é viciado em computação, o nerd e hacker da turma. Hugo é o egocêntrico, formado em gastronomia não consegue para em nenhum emprego, pois sua personalidade e soberba fala mais alto. Miguel é o mais calmo e centrado, formado em medicina, ele estagia em um hospital.
Um grupo comum de quatro amigos tornam-se pessoas especializadas em áreas específicas para o que planejaram em fazer, e mal esperavam o que iria acontecer. O jantar secreto, para sanar a dívida do aluguel, é de carne humana. Algo exótico e prometem uma experiência singular para os que participam. Os clientes são ricos e importantes na sociedade carioca.
A trama narrada em primeira pessoa consegue atrair o leitor em todos os acontecimentos e pensamentos. Conseguimos ter sentimento de amor, ódio e compaixão em diversos momentos. A obra evidencia muito sobre as decisões em momentos de desespero, como uma pessoa lida quando é dado poder, quando há muito dinheiro envolvido e sobre o que a ganância é capaz de fazer com alguém o que ela se transforma. São muitas lições que podemos tirar neste livro, e perceber como a sociedade atual está inclusa em diversos pontos inseridos na obra. #ÉTãoBlackMirror
Sem comentários para a escrita de Raphael. É um autor que tem grande merecimento através de sua escrita, pois ter a capacidade de atrair o leitor do começo ao fim, fazer com que ele se envolva em todas as situações e criar uma dinâmica fascinante sob os conflitos não é para qualquer autor. E nítido como o autor pesquisou vários elementos para a obra, e como expôs de forma objetiva e transparente.
Para os amantes de um thriller, este livro é mais do que recomendado. Estejam preparados para descrições detalhadas, humor negro e ácido carregado nas entrelinhas e uma leitura viciante e chocante. Não há pudores nesta obra, então esteja de estômago pronto para uma leitura eletrizante e sangrenta. Certamente a história ficará em minha cabeça por alguns longos dias.
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

[Resenha] A Garota do Calendário (Setembro #9) de Audrey Carlan


Editora: Verus
Páginas: 144
Publicação: 160
Mia está de volta a sua cidade natal para ver o estado de saúde do seu pai, que se agravou. Porém, como ela ficará sem trabalhar, em seu contrato com sua tia Millie há uma cláusula que se ela não trabalhar no mês já reservado para um cliente, deverá pagar os cem mil a ele. Não é só isso que abalará as estruturas da moça, mas também a saúde de seu pai e algo relacionado a Wes. O que nos outros meses não tiveram tantas bombas em seu colo, este mês está reservado para muito equilíbrio psicológico.
Desde o mês de julho, o que mostra ser um divisor de águas na série com relação a vida de Mia, todo mês vem se mostrando mais intenso e recheado de conflitos. Setembro é o mês com mais conflitos para Mia. Ela deverá respirar fundo muitas vezes, pois não será nada fácil. Além da saúde do seu pai, pagar a multa por não trabalhar no mês, algo com Wes, também tem sua dívida com Blaine.
Audrey não poupou em derramar drama neste mês sobre a protagonista. Mas isso será de aprendizagem e amadurecimento, como está acontecendo todos os meses quando vem surgindo diversos eventos não agradáveis. A autora tem trabalhado bem a série e a inserção de eventos ao derredor de Mia.
Para quem já se surpreendeu com o mês de agosto, este mês já pode se preparar com muito tiro, porrada e bomba. Muitos acontecimentos virá sobre Mia e ela deverá estar preparada.
O mês de outubro está reservado muitas surpresas para Mia e ela descobrirá talentos não pensados antes.
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

[Resenha] A Garota do Calendário (Agosto #8) de Audrey Carlan

 

Editora: Verus
Páginas: 160
Publicação: 2016     
O próximo destino de Mia é Dallas. Seu cliente se chama Maxwell Cunningham, empresário milionário dono de várias empresas de petróleo. A função de Mia é fingir ser a irmã desaparecida que Max descobriu no testamento de seu pai, senão correrá o risco dele perder grande porcentagem da participação da empresa. Porém, Mia não esperava que este mês estivesse destinado a mostrar um novo caminho de sua jornada. Ela presenciará momentos de grandes surpresas e um futuro com oportunidades únicas.
Desde o mês de julho percebe-se que o caminho de Mia está tomando outros rumos. Comprometeu-se com Wes, sua jornada tem gerado amigos e amadurecimento. Porém, a moça jamais imaginou que agosto seria algo mais intenso e crucial envolvendo ela e sua família. Segredos são revelados e seus sentimentos são testados.
Audrey conseguiu mostrar que há mais sobre a vida de Mia e não focou somente em cenas superficiais e só conflitos previsíveis, desde julho a trama tem sobre o foco a vida de Mia e não só sua relação com os clientes e sua função para determinado mês. A autora está se mantendo e evidenciando outras formas sobre a vida da protagonista.
Para quem gostou de julho, já adianto que o ritmo deste mês é mais ágil e envolvente. Mia se mostrou alguém centrada, apesar de seus dramas.
O mês de setembro Mia irá voltar para Las Vegas para ver o estado de  saúde do seu pai.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

[RESENHA TRIPLA] Cujo de Stephen King



Editora: Suma de Letras
Páginas: 376
Publicação: 2016

Olá, leitores!

Hoje teremos a primeira resenha tripla de nós três, blogueiros do Capa! \o/ Nós lemos Cujo do Stephen King e cada um teve uma visão parecida da leitura. Espero que gostem desse formato, quem sabe poderemos fazer mais desse jeito? ;) A opinião do Tiago está em vermelho, a minha em azul e a do Luke em verde.

O primeiro livro de Stephen King que eu li foi o camalhaço Sob a redoma. Fico pensando em como tudo podia ter dado errado ao lê-lo caso eu não gostasse nadinha do que li. Mas eu adorei, a leitura fluiu muito bem e me empolgou a ler outros livros do autor. Desde então, li Misery, Carrie e Escuridão total sem estrelas. No meu livreiro, tenho outros livros do autor para ler. E há vários outros livros por aí que eu gostaria de ter.

Mas estamos aqui para falar de Cujo.

Entre 1970 e 1975, a pacata Castle Rock, no Maine, vivenciou momentos sangrentos. O seu nome é Frank Dodd, um serial killer que aterrorizou a cidade, mas 1975 foi pego e executado. Cinco anos se passaram um evento peculiar acontece. Tad Trenton avista um ser estranho em seu closet e o mesmo promete a ele que irá mata-lo. Seus pais não acreditam, pois é coisa de criança, mas o mal está prestes a dar às caras para esta família.

Frank se tornou uma espécie de lenda urbana da cidade, sua história é usada pra aterrorizar as crianças a não cometerem algo de errado, como sair à noite sozinhas ou conversarem com estranhos. Por isso, quando Tred começa a relatar o que está acontecendo em seu quarto e tudo o que ele está vendo e vivendo à noite, seus pais não dão atenção e acredita que seja apenas mais um medo infantil. Mal sabem eles o que os esperavam.

A família Camber mora distante da cidade, o seu mascote é um são-bernardo chamado Cujo. Um cachorro divertido, amoroso e leal, porém, quando ele corre atrás de um coelho e coloca seu focinho em um buraco, é picado por um morcego que contém a doença de raiva. A partir daí tudo começa a mudar, Cujo é contaminado, encontros e desencontros acontecem. A única certeza sobre Castle Rock é que o mal está de volta, e dessa vez o desejo é mais intenso e feroz.

A raça de Cujo é conhecida por suas habilidades de busca e resgate. Quando bem treinado, nas regiões gélidas, ele é capaz de deitar ao lado de alguém perdido na neve e aquecê-lo até que esse alguém possa ser salvo. Apesar da aparência assustar a princípio, a gente fica se perguntando: como pode um cão com essas características se tornar tão assustador?

Cujo é um animal intrigante. Seu tamanho é de quase um urso de pequeno porte e seu olhar parece que transmite uma personalidade estranha. Todos que ficam perto dele sentem algo esquisito, mas não levam nada em consideração, afinal é apenas um cachorro. Porém, após ser mordido por um morcego, seu espírito animal se transforma. Logo ele foge de casa e sua agressividade aumenta. Castle Rock então, passará a viver dias de pânico e horror

Stephen King tornou meu autor preferido no gênero terror. Desde suas premissas instigantes até a sua forma de escrita envolvente. Soube do lançamento de Cujo na Bienal de São Paulo (2016) e fiquei curioso tanto com os comentários dos funcionários da editora como desta edição belíssima. Porém, a minha experiência com este livro tiveram controvérsias, positivas e negativas. A voz narrativa da trama é como um intruso na vida das pessoas, ou seja, é uma voz observadora que nos dá uma visão panorâmica da cidadezinha Castle Rock. Este modo narrativo nos permite perceber os eventos que colocam como consequência a outros, conseguimos compreender a motivação de alguns personagens e apreendemos mais informações sobre a cidade e seus habitantes.

King é sensacional! Já o lia há algum tempo, mas só em 2016 comecei a ler os livros de terror dele, principalmente os clássicos. A narrativa dele é incrível, ele consegue prender o leitor e as descrições da ação que ocorre na cena é de deixar qualquer um sem fôlego. Uma determinada morte me deixou tão agoniado que, como estava lendo o livro em público (numa sala de espera, para ser mais preciso rs), tive que parar um pouco, beber um copo d'água e ficar me segurando para não expressar minha careta de agonia para os que estavam perto de mim hahahah. 

Algo que me incomodou foi o início da história. É nos apresentado os personagens, mas transforma-se em um marasmo sem fim, é como assistirmos ao programa Casos de Família, com seus conflitos cotidianos e segredos familiares sendo revelados. No entanto, a trama dá uma reviravolta e todos os momentos de clímax nos transmitem sentimentos diversos. Outro ponto que me deixou intrigado, o que pode ser um erro da minha interpretação, foi a inserção do serial killer. Para mim não foi tão evidenciado e desenvolvido.

Algumas partes da leitura são de fato lentas, mas ao contrário do Luke, fiquei lendo de forma visceral o livro. Consegui devorá-lo em dois dias! A parte de Frank e a relação dele com Cujo ficou de fato um pouco nebulosa (tanto que discutimos isso bastante no grupo do Whatsapp, né meninos? xD), mas acho que o King quis dar um pouco de margem à imaginação do leitor nesse ponto.

O que a gente precisa entender sobre o King é que seus livros são também sobre as pessoas que estão envolvidas no argumento que ele pretende desenvolver. Portanto, apesar de Cujo ser sobre um cão raivoso King vai nos inserir nas histórias e relacionamentos dos personagens enquanto tece sua trama. O que pode deixar essa sensação de marasmo que o Luke comentou. Eu não considero de todo mau. Porém, recebemos informações que às vezes não são necessárias. Esta é outra característica do autor: a prolixidade.

A escrita de Stephen King dispensa comentários, apesar do meu incômodo no início do livro, sua forma de narrar é fascinante. Ele consegue envolver o leitor, trazê-lo para a história para nos sentirmos como os personagens, criando assim momentos de tensão e gerando em nós muita aflição. A dinâmica entre as histórias paralelas foi um ponto em destaque na trama.

Vale a pena destacar a qualidade dessa edição que a Suma deu ao livro. O tomo vem em capa dura,com detalhes incríveis, como o print em baixo relevo da pata de Cujo na capa, e com o extra de uma entrevista do King falando não somente sobre esse livro como também sobre a sua obra inteira e a sua visão da literatura no geral.

A coleção Biblioteca Stephen King tem tudo para ser uma coleção maravilhosa e para ninguém botar defeito.

Para você que é fã de ação e uma pitada de terror, Cujo é uma ótima indicação. Uma obra que é capaz de te envolver do começo ao fim, escrita envolvente, personagens que conseguimos criar certa empatia e diversos momentos que certamente você ficará aflito.

King consegue nos fazer sentir. Sentir vontade de empurrar os personagens em direção ao caminho certo para resolver toda a agonia apresentada, sentir aflição com suas descrições algumas vezes detalhadas demais para estômagos mais fracos. Recomendo!

Leitura mais do que recomendada a todos os fãs do autor e para quem gosta de um bom livro de terror e suspense. Cujo irá lhe tirar o sono.

                                                                     

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

[RESENHA] O Menino no Alto da Montanha de John Boyne



Editora: Companhia das Letras
Páginas: 228
Publicação: 2016

Pierrot é um jovem garoto francês que se vê numa situação complicada. Seus pais morreram e ele só tem como parente uma tia muito distante, que mora na Alemanha. Logo, ao estar sob sua tutela, ele terá de morar em uma mansão que fica no alto de uma montanha do país, onde ela trabalha como governanta. Mas, antes de chegar lá, ele acha estranho tudo o que está acontecendo no mundo ao seu redor. No trem que o leva ao seu novo país, um grup de jovens está usando um uniforme diferente e tem algumas atitudes grosseiras que o deixam perturbado e triste mas, ao mesmo tempo, curioso. Logo ele descobrirá que o lugar onde morará é a mansão do poderoso ditador da Alemanha na Segunda Guerra, Adolf Hitler.

À medida que cresce, Pierrot vai convivendo cada vez mais com os membros do partido Nacional-Socialista e entendendo cada vez mais o governo daquele país. Logo ele se juntará à juventude nazista e quererá,a  todo custo, se tornar um grande líder como Hitler. Mas seu percurso envolve um caminho de perdas, decisões difíceis e questionamentos a respeito do que é válido ou não para se conseguir o que quer.


Para quem já leu O Menino do Pijama Listrado, há uma surpresa do autor durante o livro. Um easter-egg logo no começo da jornada de Pierrot fará com que o leitor identifique algo da outra história nesse mesmo livro. Sem dúvida é algo nostálgico e emocionante para quem, como eu, é apaixonado pela história. John Boyne está começando a trabalhar esse elemento, que é tão usado por outros autores, como Stephen King, em sua obra. Em Tormento temos referência a O Pacifista e em Fique Onde Está e então Corra também.

Sem dúvidas aqui temos John Boyne em sua melhor forma. É simplesmente impossível conseguir largar o livro depois de se ter começado a leitura. É incrível como ele consegue fazer com que o leitor entre no universo onde está se passando a história, criando uma aura própria para o texto. Boyne faz com que sintamos que estamos apenas observando a cena se passando bem diante dos nossos olhos e não lendo algo. Soa como se estivéssemos ali, lado a lado dos personagens, apenas observando as suas ações.

Não à toa, Boyne e meu autor favorito. A construção dos personagens é algo sensacional, principalmente do protagonista, Pierrot. A sua desconstrução se deu de forma muito bem feita, usando da palavra e da interpretação do discurso e de sua internalização. O monólogo interno dele, a isenção da expressão deste para o mundo exterior e sua jornada de aprendizado ao longo de toda a vida é feita de forma fascinante que só um autor com o tamanho do talento que John Boyne tem é capaz de fazer. O uso da narrativa em primeira pessoa soa especialmente útil para contar esses aspectos do personagem.

O viés histórico do livro também se sobressai. É possível ver em cada página o esforço de pesquisa e o grande conhecimento que Boyne tem da temática da Segunda Guerra Mundial, tema recorrente em sua obra. 

Sem dúvidas essa é uma leitura que recomendo a todos, sem exceção. Emocionante, tocante e sábia. Deixo apenas a sugestão de se ler O Menino do Pijama Listrado antes, para que seja perceptível o easter-egg colocado pelo autor.

                                                                     

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