quinta-feira, 16 de novembro de 2017

[RESENHA] Suicidas, de Raphael Montes


Editora: Companhia das Letras
Páginas: 432
Publicação: 2017

Nove jovens se reuniram em um porão para tirar as suas vidas em um jogo perigoso, o roleta-russa. Ninguém sabe o que os motivaram a cometer tal ato, porém um ano se passou e a delegada reúne as mães dos jovens para esclarecer algumas informações, pois uma possível prova foi encontrada: um caderno de Alessandro, um dos participantes do jogo narrando detalhadamente o que ocorreu naquele dia.

Diana terá que lidar com as mães exaltadas e fragilizadas, pois terão um contato mais próximo dos acontecimentos que ocasionaram a morte de seus filhos. Durante os capítulos escritos pelo rapaz, verdades e suspeitas surgirão no decorrer das páginas, e terá Diana a função de observar o que real motivo desses jovens participarem desse jogo macabro.

Já li Jantar Secreto, de Raphael Montes e me apaixonei pela sua escrita. Ele tem o dom de criar histórias bizarras, macabras e horripilantes aos olhos humano e atrair o leitor a cada página. Não foi diferente em Suicidas, arrisco em dizer que ele me prendeu mais nesse livro, foi algo que despertou muitos sentimentos em mim.

Deve-se atentar nos três tempos narrativos da trama: passado, presente e futuro. Eles estão encaixados e para ter uma compreensão maior da trama eles se complementam. Essa forma narrativa é algo novo para mim, mas consegui entender essa linha e achei surpreendente.

A história em geral me chocou. Confesso que tiveram momentos que parei para respirar, pois Raphael tem a capacidade de trazer o leitor para dentro da história e a partir dali começar sentir a reação dos personagens, tanto Alessandro como narrador principal quanto a reunião com as mães. O que mais me assustou é a história ser tão real e podemos parar pra pensar que isso pode e ocorre no mundo.

Sobre a motivação dos jovens participarem da roleta-russa foi algo muito bem planejado pelo autor, e por incrível que pareça consegui decifrar o final por conta de uma frase. Senti-me o Sherlock Holmes. Raphael joga artimanhas no decorrer da trama e ficamos aflitos por tanta suspeita jogada no ar.

A trama construída por Raphael Montes é instigante e muito envolvente. Assim que a leitura é iniciada não há como lagar mais. Os personagens são muito reais e o desfecho é incrível! O autor termina a história de forma inusitada, criativa e capaz deixar o leitor sem reação.


Aos fãs de thriller e policial essa é uma ótima recomendação. Quando você chegar no fim dessa história certamente ficará deitado refletindo sobre a vida, a trama e ainda sobre a mente do autor. Raphael é muito criativo e sempre traz histórias macabras e bizarras. Ele tem o dom de conta-las ao ponto de falarmos: “esse homem precisa de oração”. Raphael entrou na lista dos meus autores preferidos de thriller e quero muito ler Dias perfeitos e O Vilarejo.
                                                                     

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

[RESENHA] As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain


Editora: Autêntica
Páginas: 240
Publicação: 2017

Tom Sawyer é órfão desde bebê e vive em um vilarejo nas margens do rio Mississipi, nos Estados Unidos, com sua tia Polly, seu irmão mais novo Sid e sua prima Mary. Ele é uma criança livre e que diverte com seus amigos diariamente. Tom é um garoto que lidera a maioria das brincadeiras das crianças e ainda por cima consegue influencia-las.

Junto com seus amigos entram em várias enrascadas e deixam seus pais com os corações aflitos. O dia a dia do vilarejo não é nada monótono, mas é recheado de acontecimentos e as crianças vivem uma verdadeira aventura nos rios, grutas e trilhas.

A obra As aventuras de Tom Sawyer é mais que uma aventura de uma criança com seus amigos. Vai além do relato do cotidiano de um vilarejo. Com uma leitura divertida e cativante, o autor foi capaz de trazer muitas emoções.

Tom é uma criança que ama se divertir com seus amigos, criar novas histórias e ser diversos personagens. Ele não é quieto, muito pelo contrário, é atentado e entra em várias situações perigosas, mas sempre leva para o lado da diversão e aventura.

Ele tem um amigo de jornada chamado Huckleberry Finn, um morador de rua e seu pai é alcoólatra. Quando o vilarejo despreza o garoto por andar sujo e com roupas velhas, Tom o vê como amigo e nenhum momento julga sua aparência. Essa é uma das lições que a obra traz. Há outros personagens, como a primeira paixonite do protagonista, Becky Tatcher e seus amigos de aventura.

A obra é narrada em terceira pessoa, contendo diversos comentários do autor. Isso criou uma narrativa intimista, pois em alguns momentos o narrador pergunta ao leitor sobre algo contido na história. Isso tornou a leitura ágil e envolvente. A trama contém capítulos pequenos e parecem ser mini episódios de desenho. Aliás, a obra já foi adaptada para desenho e filme. 

No início do livro, o autor escreve um prefácio dizendo que a obra possa alcançar não somente crianças, mas também os adultos para que eles possam relembrar de momentos de sua infância. Isso foi algo marcante, pois foi o que realmente senti ao ler a obra. A cada página e aventura consegui trazer à memória momentos de diversão com meu irmão e minha prima no quintal da minha avó. O autor despertou uma nostalgia linda.


Este livro não é somente para crianças, mas sim para todos aqueles que amam ler histórias que vão relembrar de momentos divertidos da infância. Uma trama que traz diversas lições, mas também carregada de peripécias infantis e que talvez um dia eu ou você já vivenciou.

O livro já foi publicado em diversas edições, e a editora autêntica vem trazendo uma primorosa edição com ilustrações lindas que retratam situações e personagens da história.
                                                                     

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

[RESENHA] Como agarrar uma herdeira (Agentes da Coroa #1), de Julia Quinn


Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Publicação: 2017


Quando seu pai morreu, Caroline Trent foi cuidada por vários tutores, porém o seu último chamado Oliver Prewitt que de todas as maneiras colocar as mãos em sua herança. Assim que vê uma oportunidade de fugir após um evento quase traumático ela se vê livre de pessoas ambiciosas e interesseiras.

Mas tudo que é bom dura pouco e quando pensou que sua fuga estava bem sucedida, a jovem foi sequestrada por Blake Ravenscroft, por confundi-la com a famosa espiã Carlotta De Leon. O rapaz trabalha no Departamento de Guerra, espécie de FBI.

Carolina então passa a morar na casa de Blake, pois está sendo investigada e ao mesmo tempo ela ganha tempo, pois deverá esperar algumas semanas para receber sua herança. Esse tempo será regado de desentendimentos e uma paixão avassaladora prestes a entrar nos corações e mostrar que o amor pode reconstruir o que foi se perdeu.

Amo romance de época e a escrita de Julia Quinn. Então assim que deparei com este lançamento não resisti e fui conferir mais uma trama da autora. Esse livro foi um dos primeiros que ela escreveu, então é perceptível alguns momentos arrastados e sem sentido. Porém, nada disso prejudicou o andamento da leitura e gostei bastante da maneira que ela construiu a obra.

Caroline é uma personagem impulsiva e não tem o famoso filtro para falar. Tudo que ela pensa profere, isso às vezes é algo negativo para ela. Ainda mais na presença de Blake, que sente uma tremenda atração por ele. Blake é um homem que tem um passado triste e que ainda carrega fantasmas em sua bagagem. Isso o tornou um homem frio e amargo. Porém ,quando Caroline entra em sua vida de uma maneira inusitada faz com que ele repense sobre suas atitudes, pensamentos e na própria vida que tem levado.

A escrita de Julia foi fluida e envolvente mas senti em alguns momentos se tornar arrastada e alguns diálogos sem sentido. Porém, a história construída pela autora foi consistente e fez com que torcêssemos para o casal.

Os fãs de romance de época vão amar a história de Carolina e Blake. A trama traz lições sobre perdão, escolher o amor ao invés dos passados que atormentam, entre outas. Como agarrar uma herdeira contém bastante humor e ao mesmo tempo um romance fofo.

O último livro da duologia já foi lançado e se chama Como casar com um marquês. Ele é protagonizado pelo marquês James Riverdale, melhor amigo de Blake.
                                                                     

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sábado, 4 de novembro de 2017

[RESENHA] Aluga-se um noivo (Os Di Piazzi #1), de Clara de Assis


Editora: Charme
Páginas: 435
Publicação: 2017


O casamento do irmão de Débora está chegando, o que quer dizer que encontrará se ex-namorado. Ela a trocou por Letícia, que dizia ser sua amiga. Essa situação fará com que ela tenha uma ideia louca, mas viável para a ocasião: contratar um acompanhante para se passar de namorado. Não será nada fácil, mas com a ajuda de sua amiga Carol elas saberão escolher o homem ideal.

Quando ligam para o número que acharam em um site, Débora teve a certeza que aquele homem seria o seu namorado de aluguel. Ele se chama Theo, e poderia muito bem ser um dos integrantes do Mahamudra. Negócios são feitos e o martelo é batido, Débora um namorado para ir ao casamento do seu irmão.

Porém, Carol pra acrescentar mais a história espalha que Theo não é namorado de Débora, subiram de nível e são noivos. Não será algo complicado, mas os planos terão que ser alterados e o tempo de se encontrarem será maior. No entanto, algo aconteceu o que a jovem estava evitando ao máximo: se apaixonar.

Quando li a sinopse do livro fiquei muito ansioso para começar, pois a premissa me lembra uma comédia romântica chamada Muito bem acompanhada (tem na Netflix rs). Porém, o filme só lembra algumas coisas do livro, pois a autora explorou muito bem toda a trama no geral.

Débora tem 30 anos, sua vida sentimental está um fiasco e a profissional também vai de mal a pior. Sua única saída em parecer que superou seu ex é contratar um garoto de programa. Ela não esperava alguém como Théo, então está no lucro. No entanto, o convívio com o rapaz e as coisas triviais que eles começam e a carência de Débora vira dependência de Théo. Atração à primeira vista é nutrida e aos poucos foi se transformando em paixão, o que também é recíproco da parte dele.

Débora é um tanto insegura. Primeiro, seus relacionamentos foram frustrantes e ela acabou com o coração partido. Segundo, ele era um garoto de programa e ela poderia ser mais uma na sua lista de clientes. Terceiro, ele poderia muito bem estar interessado só no dinheiro que ela irá depositar na conta dele. Isso é um montante que fará com que Débora impeça de mergulhar nessa relação. A pessoa responsável de conquistar a sua confiança é Théo, mas o rapaz é misterioso e não conta detalhes de sua vida para ela.

Débora é uma mulher que tem seus momentos de imaturidade, mas é compreensível pelo seu histórico sentimental e a situação que ela está vivendo. Ela segue aquela pergunta: “Como um garoto de programa vai apaixonar verdadeiramente por uma cliente?”.

A trama poderia com certeza virar uma comédia romântica nos cinemas e arrancar suspiros de muita gente. Além da colherada grande de romance, há pitadas de comédia e drama.

Clara tem uma escrita maravilhosa! Comecei o livro em uma manhã e fui até madrugada (tive que dormir e terminar na manhã dia seguinte). A forma que ela construiu os diálogos, o clímax, os conflitos foram de tirar o fôlego. A trama não gira em torno somente no casamento do irmão, tem o porvir. A autora soube explorar os acontecimentos posteriores, como por exemplo, qual o futuro do casal após o contrato terminado.


Para os fãs de chick-lit e um clichê bem desenvolvido, Procura-se um noivo é recomendadíssimo. Uma história atraente e que prende o leitor desde a primeira página. A escrita da autora é envolvente e os diálogos hilários. Terão momentos que irão arrancar gargalhadas do leitor. Foi um dos melhores livros que li no ano, pois além da obra ser maravilhosa, consegui ler compulsivamente até saber como iria terminar a história de Débora e Théo. 
                                                                     

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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

[RESENHA] O perfume da folha de chá, de Dinah Jefferies


Editora: Paralela
Páginas: 432
Publicação: 2017


Gwendolyn é a senhora Hooper agora, e está de mudança da Escócia para o Ceilão, Sri Lanka, para encontrar com o marido Laurence. Os dois formam um casal lindo, transparecendo amor e alegria. Gwen não está acostumada a temperatura do lugar e nem com a cultura, mas com o tempo ela vai aprendendo e admirando novos costumes. Mas o que a jovem não esperava é encontrar funcionários que não estão acostumados a ter contato com os donos da casa. Laurence, apesar de demonstrar carinho e amor a cada dia demonstra guardar segredos da família e do seu passado.

Meses depois, Gwen descobre que está grávida. Notícia de muita alegria para o casal, mas assim que a hora mais emocionante da vida de Gwen algo é revelado. Ela terá que tomar uma decisão e influenciará toda a sua vida. Um evento que poderá abalar não só a sua vida, mas de toda sua família. Não será fácil, mas ela terá que escolher a razão ou o coração. Será que a escolha da jovem será o bastante para sustentar o amor que Laurence demonstra ter por ela?

Assim que a capa deste livro foi divulgada achei linda, e quando li a sinopse fiquei muito interessado em ler a obra. O que poderia ter sido algo cansativo por ser um romance de época e autora inserir um texto mais rebuscado, foi algo extremamente diferente, sua escrita foi capaz de me prender do começo ao fim.

Gwen é uma mulher de 19 anos. Sua pouca experiência sofrerá um pouco de choque ao se mudar para outro país, com culturas e costumes diferentes. Porém, o seu sentimento por Laurence é maior e fará de tudo para ser uma boa esposa. O começo não será fácil, mas com o tempo ela irá conseguir aprender com tudo ao seu redor. Laurence é dono de uma fábrica de chá e sua responsabilidade é grande. Ele aparenta com seu sorriso ser feliz, mas há um peso do seu passado em suas costas.

Apesar da obra se passar em 1925, a escrita da autora é cativante. Com uma linha narrativa em terceira pessoa e uma linguagem intimista, a leitura se tornou fluida e ágil. A trama contém diversos plot twits, o que foi excelente para fazer com que a leitura tornasse mais envolvente.

A personagem Verity, irmã de Laurence demonstra ser uma pessoa amarga e extremamente apegada ao irmão. Achei ela poderia ter sido mais trabalhada, no quesito de explorar mais o porquê da fixação pelo irmão, por exemplo. O motivo que foi citado por não ter interesse de casar achei fraco. Além disso, senti que a autora deixou algumas pontas soltas sobre a trama em si ou deixou pouco explicado.

Dinah aborda assuntos sociais como o preconceito racial, narra conflitos que ocorreram na época. É nítido o cuidado que teve com pesquisas para tornar a história verossímil com os fatos. Isso foi um dos pontos que ela me conquistou. Com objetividade, mas destacando eventos importantes.

Para os fãs de romance de época essa é uma ótima recomendação. Uma trama que passa em um lugar incomum, ou seja, foge da linha vitoriana que estamos acostumados. A história tem uma escrita instigante, que despertará o desejo do leitor de saber dos segredos e mistérios ao redor da vida de Gwen. 
                                                                     

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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

[RESENHA] Sandra S contra o Tráfico de Diego Albuck e Elton Rodrigues



Editora: Amazon
Páginas: 59
Publicação: 2017

Sandra Silva é uma jovem delegada que trabalha na polícia investigativa da cidade de Recife, Pernambuco. Sua rotina envolve a prisão de elementos de alta periculosidade, soluções de casos que pareciam impossíveis e uma alta dose de ação. Como sempre obtem sucesso em seu trabalho, ela chama a atenção da mídia local que sempre fica ávida em saber qual o próximo caso que será solucionado por ela. Até que ela é escalada para uma nova situação: uma jovem que deu entrada em trabalho de parto na emergência de um hospital local teve seu bebê raptado de forma misteriosa. 

Logo Sandra se vê em uma trama cheia de conflitos de informações e situações duvidosas. Ela logo é informada que a imprensa local deve ficar de fora de tudo o que está acontecendo, mas logo o caso vira notícia e fica estampado em todos os jornais. À medida em que ela entra mair na investigação, uma série de novidades surge e ela percebe que não se trata de algo tão simples como parece. Conseguirá Sandra S resolver mais esse mistério ou ela falhará diante de um inimigo maior que ela própria?

Sandra S contra o Tráfico é o primeiro livro de uma série de romances policiais que tem a proposta de serem histórias curtas, de leitura mais rápidas mas nem por isso mais superficiais. Com o intuito de escreverem obras de "Literatura de bolso" os autores apostaram em tramas concisas, mas intrincadas, com reviravoltas, ação e romance na medida certa.

Esse livro é, sem dúvida, um prato cheio para quem gosta de literatura policial. Toda a narrativa é recheada de ação e traz uma escrita objetiva, pautada nos diálogos, que resolvem o caso, sem grandes e longas descrições o que poderia tornar a leitura chata. Tudo é muito ágil e faz com que o leitor fique preso ao texto, do início ao fim do livro. As cenas são de tirar o fôlego e fazem com que as páginas se virem sozinhas.

A construção dos personagens é um dos pontos altos do livro. A protagonista segue uma tendência clássica de investigadoras policiais na literatura, mas não tende em nenhum momento para o clichê ou acaba por cair no lugar comum. Além de fazer com que torçamos por ela o tempo todo, Sandra S nos cativa e acaba por criar um público que fica extremamente interessado em ler mais, ansiando por novas histórias da mesma.

Outro ponto que gostei muito foi o fato da história se passar em Recife. É muito raro ver histórias que tem essa cidade (onde eu nasci e moro rs) como pano de fundo e, mais ainda, em se tratando de romances policiais. Os autores conseguiram acertar bem na forma como construiram o panorama da cidade e em como trazer uma trama que envolve diversas camadas sociais da mesma, sem forçar uma estratificação do texto e com um enredo envolvente e fácil de se identificar, sobretudo para quem conhece ou mora na cidade.

Sei que sou suspeito para falar da obra, uma vez que fiz a revisão completa do livro e um dos autores, Diego Albuck, é meu primo-irmão, mas sem dúvidas indico esse livro a todos que querem ler um bom romance policial e que queiram uma leitura rápida e de qualidade.

                                                                     

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

[RESENHA] O Menino do Pijama Listrado de John Boyne


Editora: Seguinte
Páginas: 326
Publicação: 2017

Bruno é um garoto de 9 anos de idade. Suas maiores preocupações na vida são de não se irritar com as provocações de sua irmã e de conseguir comer um bom sanduíche. Ele vive em sua casa, que é próxima a casa dos seus avós, com sua mãe, sua irmã e seu pai. Porém, como seu pai trabalha no exército e tem um cargo importante lá, sua casa vive sendo visitada por diversos soldados, inclusive por um senhor muito chato e incoveniente a quem chamam de Fúria. Até então, a vida de Bruno é muito boa e ele não tem muito do que reclamar.

Até que, um certo dia, seu pai o chama em seu escritório para avisá-lo que eles precisarão se mudar daquele local para um bem distante dali, para um local com um nome meio esquisito: Haja-Vista. Sem querer se separar de seus amigos e de seu modo de vida, Bruno odeia essa mudança e tudo que a envolve. Já na nova casa, ele não consegue encontrar crianças para brincar com ele, o que o frustra e o deixa perturbado. O que mais o indigna é que da janela do seu quarto ele vê uma cerca onde, do lado de lá, várias pessoas com pijamas listrados passam o dia fazendo atividades enquanto ele se vê tomado pelo tédio completo. Há várias crianças ali e Bruno acha muito injusto que ele fique desse lado da cerca, sozinho.

Seguindo seu faro de explorador, Bruno resolve então ver o que encontra nos arredores da nova mansão. Depois de andar bastante, ele se depara com a cerca que via de seu quarto e, próximo a ela, um garoto que aparentava a sua idade, usando um dos pijamas azuis listrados. Logo ele se aproxima e fica amigo de Shmuel. Mas o que ele não entende é porque o garoto está o tempo todo faminto e, em algumas das vezes que o encontra, está machucado no rosto ou em algumas partes do corpo. Mas, sobretudo, ele naõ consegue entender porque Shmuel não está do lado dele da cerca ou porque ele não pode ir para o outro lado para brincarem juntos. 

O Menino do Pijama Listrado é o romance de estreia de John Boyne, escritor irlandês e meu autor favorito da vida. O livro foi originalmente lançado em 2007 e agora chega numa nova edição, comemorativa aos 10 anos do lançamento. Nesta temos, além de uma introdução do autor explicando um pouco do processo de escrita e do impacto que a obra teve em sua vida, ilustrações de Oliver Jeffers, artista plástico australiano que já trabalhou com o autor nas edições de outros dos seus livros voltados ao púbico infantil.

Além de todos os extraordinários elementos narrativos usado nesse livro, e de toda a força dramática que a história em si carrega, um ponto que me agrada muito nesse livro e nesse autor genial é a sua escrita. A narrativa de Boyne é suave, extremamente agradável de se ler e envolvente para com o elitro a ponto de fazer com que ele não sinta que está olhando para uma página cheia de palavras mas sim entrando em uma história que se desenrola logo ali, em frente aos seus olhos. Poucos escritores tem esse talento de contar histórias de forma tão mágica e acurada quanto ele. Fui arrebatado desde a primeira vez que li esse livro, há mais ou menos oito anos, e, desde então, fiquei completamente viciado em suas histórias.

A construção do enredo é algo que é muito característico na obra de Boyne. A forma como ele usa o olhar infantil para narrar um período tenso e obscuro da humanidade é genial e traz um contraponto narrativo impressionante. O autor já afirmou em entrevistas que gosta muito de colocar como protagonistas crianças que estão sozinhas e que passam por um momento muito delicado. Esse formato se repete em algumas de suas obras e ele o faz de maneira magistral, sem soar repetitivo ou como autor de fórmula pronta.

Essa é uma dauqelas resenhas em que não importa o quanto eu escreva, nunca chegarei a passar 10% do que representa a obra ou o meu amor pelo autor. O Menino do Pijama Listrado é, sem dúvidas, uma das melhores leituras que já fiz na vida, senão a melhor. Recomendo muitíssimo a todos, sem exceção. 
                                                                     

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