quarta-feira, 16 de agosto de 2017

[RESENHA] Escândalos de Elisabeth, de Eléonore Fernaye


Editora: Leque Rosa
Páginas: 229
Publicação: 2016

Elisabeth d’Arsac é uma jovem que não acredita no amor. Diversos rapazes mostraram interesse por ela, mas nenhum conseguiu acender a fagulha que talvez pudesse abrir uma exceção. Isso não acontece até a chegada de Henry Wolton, jovem americano astuto e bonito. A primeira troca de olhar os interesses de ambos despertaram e isso será apenas o começo. Ela com sua impulsividade arrisca em conhecê-lo mais, mas determinadas situações os fazem ter um elo mais forte. Será possível aquilo que a jovem francesa desacreditada num sentimento puro e intenso passar a conhecê-lo após uma experiência inesquecível?

No momento que vi a capa desse livro logo fiquei interessado. Amo romances de época, então a curiosidade prevaleceu. Um livro tem duzentos e vinte e seis páginas, mas foi uma leitura deliciosa e fluida.

Elisabeth é uma personagem além do seu tempo. Suas motivações e posicionamentos vão de contramão o que a sociedade parisiense pensa, por exemplo, o direito das mulheres estudarem e o direito de escolher casar com quem ela quiser, e se não quer, tenha a opção de ficar solteira. Pensamentos assim naquela época era motivo de vergonha e perigo de manchar a reputação. Ela não teme a isso e mantém suas opiniões até o fim.

Henry é um americano com segredos em suas costas, mas não pretende compartilhar com ninguém. Assim que vê uma jovem em um baile de máscaras a atração é imediato. Nessa noite eles terão uma experiência intensa, mas isso aumentará assim que descobrirem que conhecem alguém em comum.

A relação do casal inicialmente é casual, sem nenhum compromisso. Mas uma armação que os dois planejam faz com que o tiro saia pela culatra. O casamento que era impensável para ambos se torna concreto e convívio fará com que sentimentos anteriores intensifiquem e outros adormecidos despertem.

Eléonore tem uma escrita envolvente e objetiva. Não há muitos conflitos, mas os poucos conseguiram manter a minha atenção até terminar a leitura. Os personagens são apaixonantes e ficamos torcendo para os dois sempre no decorrer da trama.


Para os fãs de romance de época, Escândalos de Elisabeth é uma ótima indicação. Uma leitura rápida, fluida e fará arrancar suspiros em diversos momentos. O romance contém algumas cenas calientes, mas é do mesmo nível que podemos encontrar em outros romances do gênero.
                                                                     

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[RESENHA] Tash e Tolstói, por Kathryn Ormsbee

Editora: Seguinte.
Páginas: 376.
Publicação: 2017.


Tash e Tolstói, escrito por Kathryn Ormsbee, é um livro juvenil que pretende abordar uma forma de amar pouco conhecida chamada assexualidade. Uma pessoa assexual é aquela que pode ter interesse romântico por outras pessoas, porém sem ter vontade de fazer sexo. É através dos olhos de Natasha Zelenka, uma adolescente de 17 anos que ama Tolstói, que Kathryn abordar essa temática.

Narrados em primeira pessoa, o livro é dividido em capítulos relativamente curtos que fazem com que a leitura flua muito rapidamente. A escrita de Kathryn é leve e fluída, como um livro para jovem abordando um assunto delicado como esse deve ser.

A história conversa bastante com o dia de hoje. Tash e sua melhor amiga Jack criaram uma websérie para o YouTube chamada Famílias Infelizes, uma adaptação contemporânea do romance russo Anna Kariênina. Quando seu canal é mencionado por uma famosa youtuber, ele viraliza da noite para o dia e ganha milhares de seguidores. Isso faz com que Tash se torne um pouco obsessiva com tudo o que envolve a websérie, como cronograma de filmagens, e não perceba que algumas coisas estão mudando ao seu redor. Em pouco tempo, Famílias Infelizes é indicada ao prêmio Tuba Dourada como melhor série estreante. E essa é a oportunidade de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber por quem ela sente um forte interesse.

Kathryn aborda a assexualidade de Tash de forma bem sucinta, entre outros assuntos pertinentes à adolescência de qualquer garota. Por isso, não esperem encontrar aqui uma visão profunda sobre o que significa o A na sigla LGBTQIA. A assexualidade de Tash é, assim como a sexualidade de qualquer pessoa, apenas mais um elemento que compõe sua pessoa. Porém, senti que a autora podia ter explorado melhor o assunto. Arrisco a dizer que se não fosse falado em algum momento, não teria feito muita diferença à história.

Falando em história, é impossível ler este livro sem se deparar com todos os spoilers possíveis de Anna Kariênina. Como o romance é um clássico, provavelmente a regra do spoiler não deveria prevalecer tanto. Mas sempre deu aquela pontada no peito quando a autora contava alguma coisa relacionada ao romance de Tolstói. Foi duro ler os spoilers? Foi, mas faz parte.

Caso vocês terminem a leitura de Tash e Tolstói interessados em conhecer a história que inspirou Famílias Infelizes, a Companhia das Letras lançou recentemente uma versão de Anna Kariênina.
                                                                     

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

[RESENHA] O Último adeus (Rosemary Beach #10) de Abbi Glines


Editora: Arqueiro
Páginas: 224
Publicação: 2017


River Klipling, mais conhecido como Capitão, está em Rosemary Beach no intuito de montar um bar para seu chefe e amigo. O passado dele é carregado de fantasmas e que seu presente constantemente torna cada vez pesado em sua mente. Seu sonho é ter seu próprio negócio perto do mar.

Quando Capitão pousa seus olhos em Rose Henderson, seu coração pulsa mais forte. Ela faz lembrar alguém do seu passado que amou muito, mas decorrentes a eventos fora do seu controle os distanciaram. A moça é funcionária do bar, mas ele sente que Rose esconde algo.

Duas pessoas que tem tudo para dar certo, mas Elle, uma das funcionárias do bar está ficando com Capitão e fica de marcação cerrada direto. É um obstáculo, mas para ele não será difícil, pois não quer apegar a ninguém.

Esse é o primeiro contato que tenho com Abbi Glines. Tenho os primeiros livros da série Rosemary Beach, mas ainda li. Decidi começar por esse? Sim, corajoso sou. Algumas amigas me disseram que eu não encontraria muitos spoilers no decorrer dos capítulos. Aleluia, que foi assim mesmo.

Capitão é um homem frio e sério. Suas emoções são quase inexistentes. Isso é decorrente a um passado sombrio e misterioso. Ele não quer ficar em Rosemary Beach para sempre, apenas está para ajudar seu amigo. Porém, um motivo o pega de surpresa e faz mudar seus planos. Um personagem que nitidamente percebemos que o passado é responsável de deixar o que ele se tornou, mas ao fundo há um lado sensível.

Rose Henderson é uma moça batalhadora, mãe solteira e busca sempre a felicidade de sua filha. Ela está na cidade com um objetivo, mas precisa observar antes de agir. Ela não quer que nada de errado aconteça com sua filha e seus planos.

A história é narrada pelo ponto de vista dos protagonistas e contém diversos elementos. O passado e presente são figuras que aparecem constantemente, pois essa linha narrativa é necessária para o leitor compreender melhor a história de Capitão e Rose.

Abbi tem uma escrita envolvente, ágil e objetiva. Os conflitos são apresentados e solucionados de forma coesa. Porém, um deles foi trabalhado de maneira rasa, o que poderia ter aprofundado e explorado melhor.

Para os fãs de romance, essa é uma ótima pedida. Mas que fique claro: este é o décimo volume da série. Se decidir ler ele saiba que terá spoilers dos casais dos livros anteriores. Uma trama com um romance bem trabalhado, personagens empáticos e ficamos torcendo do começo ao fim.
                                                                     

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terça-feira, 25 de julho de 2017

[RESENHA] A Missão agora é amar, de Cristina Melo


Editora: Bezz
Páginas: 574
Publicação: 2016

Lívia é uma mulher esforçada e luta por seus sonhos a cada dia. Ela é professora de dança e estudante de educação física, mas o seu maior sonho é abrir uma academia em parceria com sua melhor amiga, Bia. Em uma operação policial ela depara com seus olhos em alguém que mudará sua vida completamente Gustavo, capitão do Bope é um homem destemido e impulsivo. Quando ele olha para a garota desaforada e linda ele sente algo diferente.

Uma relação intensa está prestes a começar, pois Gustavo quer Lívia, mas a jovem professora de dança tem obstáculos para proteger seu coração contra qualquer tipo de tristeza que viveu em seu passado. Essa história tem dois lados: Algo lindo poderá acontecer ou terá corações partidos para contá-la.

O primeiro contato com esse livro foi ter me apaixonado pela capa, pois combina perfeitamente com o a sinopse. Uma capa chamativa e bem produzida é um dos pontos fortes para conquistar o leitor. Assim que iniciei a leitura não parei mais, porém tiveram alguns pontos que não foram tão atrativos assim.

Lívia é uma personagem que você gosta à primeira vista, por sua força de vontade e com uma personalidade forte e doce ao mesmo tempo. Sua vida sentimental está abalada após presenciar algo horrível. Tudo muda quando em uma operação policial voltando de uma festa depara com um policial ríspido, mas irresistível. Gustavo foi o responsável de abalar as estruturas de Lívia. Capitão do Bope é um homem que ama o que faz, além de ter uma empresa de blindagem.

A relação dos dois é intensa, tanto para seus momentos calientes quanto para brigas. Para eles ficarem juntos é uma longa jornada, pois Lívia não é uma mulher que leva desaforo para casa. Portanto, se Gustavo quiser ficar com ela terá que provar que suas motivações são sérias.

A escrita de Melo é fluida e envolvente, me prendendo do começo ao fim por meio de diálogos e conflitos inseridos na trama. Porém, algo que me incomodou bastante foi o vício em diversos momentos, como Gustavo chamado Lívia várias vezes de Anjo. Acredito que poderia ter um equilíbrio nisso, pois me irritou bastante ter que ler ele a chamando desse apelido em vários parágrafos seguidos. Tirando isso, apesar de ser um calhamaço e conter detalhes da trama, a autora conseguiu aguçar a curiosidade.

Para os fãs de um bom romance A Missão agora é amar é uma ótima pedida. Uma obra instigante do começo ao fim que contém lições de recomeço, perdão, o valor da amizade e até que ponto alguém faria algo por alguém que ama.


Estou ansioso para ler Amor súbito, livro que conta a história de Clara, irmã de Gustavo.
                                                                     

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sábado, 22 de julho de 2017

[RESENHA] Ele e o Lobo de Ivan Dutra


Editora: Chiado Portugal 
Páginas: 292
Publicação: 2017


Luciano Torres é um advogado bem sucedido do Rio de Janeiro. Ele tem tudo o que sempre almejou na vida: um escritório de direito que prospera de vento em popa, propriedades de luxo e uma noiva linda. Todos os dias ele faz seu desjejum em um café próximo à sua casa, o Soho. Porém, num determinado dia um acontecimento muda completamente a sua rotina e o faz repensar muito sobre a sua visão de mundo e o seu conhecimento de si próprio.

Após o incidente, Luciano tenta retomar a sua vida normal, mas não consegue mais retomar sua vida em virtude da mistura de sentimentos que o persegue. Sem evoluir muito, ele acaba por buscar um psicoterapeuta para desabafar sobre. Porém, a partir daí ele começa a tomar atitudes e decisões que mudaram o rumo de sua vida. Luciano entra numa grande jornada de autoconhecimento que terá grandes consequências.

Ele e o Lobo é o primeiro romance de Ivan Dutra, escritor mineiro, que foi publicado pela Chiado Editora de Portugal. O livro traz uma jornada de autoconhecimento de um protagonista cheio de dúvidas que se descobre vivendo sentimentos novos em relação a si mesmo e a um misterioso rapaz que cruza o seu caminho. O texto se classifica como um romance com toques de ação e drama.

A construção dos personagens é um dos pontos altos do livro. Luciano é um personagem complexo e suas camadas são passadas ao leitor de forma a que você entenda a sua confusão de sentimentos e seus questionamentos pessoais. Como é narrado em primeira pessoa, o livro traz um monólogo interno muito forte e bem trabalhado ao longo da narrativa. O que você seria capaz de fazer por outra pessoa? Que ser humano é esse que habito que nunca conheci? Qual o limite ético para se conseguir o que se quer? Esses e outros questionamentos gritam o tempo todo dentro do nosso protagonista e fazem com que ele tenha reações perante eles.

Livros que misturem protagonismo gay com thrillers de ação são raros de se encontrar hoje em dia, eu nunca tinha lido algo parecido. Nesse caso, os protagonismos de ambos os gêneros são bem equilibrados de modo a deixar o leitor cada vez interessado em saber o que acontecerá na cena a seguir. O romance e as cenas de ação se intercalam de forma equilibrada e isso dá uma boa fluidez à narrativa.

O final do livro me dividiu completamente como leitor. Enquanto um pedaço de mim queria muito que algo acontecesse, outro sabia que aquilo não era o certo e que não poderia acontecer de fato. Ainda assim, guardei todas as esperanças para ver o que aconteceria e me agradou muito o desfecho que Ivan deu à história. Não posso revelar muito além do que já coloquei na resenha para não dar spoilers a quem não leu, mas quem já leu ou vai ler o livro entenderá o que quero dizer.

Recomendo a leitura para quem se interessa por histórias do tipo e para quem quer pegar uma leitura ágil que faz você focar inerte na história e não perceba o tempo passar rapidamente.

O livro já está disponível para venda nos seguintes links:



Caso queira entrar em contato com o autor, seguem as redes sociais:



O livro será lançado no dia 19 de agosto às 18hrs no SESC Palladium (Avenida Aigusto de Lima, 420, Centro), en Belo Horizonte. Quem quiser, pode conferir!

E para quem for de fora de BH, o autor fará uma sessão de autógrafos na Bienal do Rio, no dia 4 de setembro, às 17hrs. ;)

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segunda-feira, 17 de julho de 2017

[RESENHA] O Círculo, de Dave Eggers


Editora: Companhia das Letras
Páginas: 522
Publicação: 2014

O Círculo, escrito pelo americano Dave Eggers, é um romance crítico que fala sobre a relação das pessoas com o mundo cada vez mais presente das redes sociais. Nele, acompanhamos a trajetória de Mae Holland, que está ingressando nessa conceituada e poderosa empresa de tecnologia chamada Círculo.

O texto não é estruturado com capítulos, mas com seções ocasionais - aquelas interrupções que normalmente vemos dentro de capítulos. A narrativa é em terceira pessoa e foca no ponto de vista de Mae. Há uma certa distância do narrado, que não sofre influência ou influencia os pensamentos e atitudes do personagens.

Em vários momentos, O Círculo pode ecoar 1984 (Companhia das Letras, George Orwell, 416 páginas, 2009). Neste, as teletelas funcionam tanto para transmitir quanto para observar o comportamento dos cidadãos. No livro de Dave, embora a invasão de privacidade a princípio seja limitada aos funcionários da empresa, é através do imediatismo do comportamento online que as pessoas são avaliadas - e rankeadas. Há outras características semelhantes que vocês podem reconhecer ao lerem as duas obras, incluindo certas escolhas dos personagens influenciados pela necessidade do ambiente em que vivem.

O livro traz um forte questionamento sobre a relação das pessoas com o mundo virtual e em como isso pode influenciar no mundo real.

Eu não costumo falar sobre isso. Mas durante a leitura, não pude deixar de lembrar de um lugar em que trabalhei. Nesse lugar, os donos queriam forçar que nós, funcionários, fizéssemos das nossas redes sociais vitrines para a empresa. Queriam, também, controlar o que cada um fazia em sua rede social, como por exemplo não podíamos citar outras empresas que vendiam produtos semelhantes aos comercializados lá. Eles alegavam, entre outras coisas, ética. É claro que nenhum dos funcionários, pelo menos não enquanto trabalhava lá, foi anti ético a ponto de compartilhar algo desabonador sobre a empresa. O resultado dessa "intromissão" só trouxe resultados desastrosos para a empresa.

O Círculo, como empresa no livro, influencia o funcionário a postar sobre tudo o que ele faz, se inscrever em fóruns diversos, externar opiniões e gostos, publicar fotos, compartilhar... enfim! Fazer de tudo para que sua presença seja notada dentro dessa nova rede social que abrange tudo o que conhecemos. Em alguns momentos, me questionei se O Círculo é um bom livro para esta época, ou se teria uma crítica mais efetiva daqui a alguns anos. Não é especificado em que tempo no futuro essa história se desenvolve, embora "num futuro próximo" não seja uma resposta errada. Acredito que algumas ideias exploradas por Dave não estejam tão longe de serem concretizadas, como a transparência em relação aos políticos ou o uso de empresas privadas como células governamentais.

O livro vai agradar bastante quem procura uma leitura questionadora sobre um assunto atual, trazendo na memória os mesmos moldes vistos no livro de Orwell. Na verdade, seria um livro bom para ser lido por qualquer pessoa. Assim como a maioria dos lares possui uma televisão - que até onde se saiba só é um transmissor -, há uma gama absurda e crescente de pessoas com celulares conectados à rede, inclusive nas mãos de crianças.

Dave Eggers é autor de, dentre outros, Os monstros, adaptado do livro ilustrado de Maurice Sendak e baseado no roteiro para o cinema de Onde vivem os monstros, que o autor assina junto com Spike Jonze. Em junho de 2017, O Círculo ganhou uma adaptação para os cinemas com Emma Watson (Harry Potter, As vantagens de ser invisível, A Bela e a Fera) e Tom Hanks (O Código Da Vinci, Forrest Gump) no elenco principal.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

[RESENHA DUPLA] A Zona Morta, de Stephen King

Editora: Suma de Letras
Páginas: 480.
Publicação: 2017

Olá, galera! Hoje, vamos de mais uma resenha dupla do Marcos, em azul, e do Tiago, em laranja.

Eu já li alguns livros do King. Comecei minhas leituras de suas obras por Sob a redoma, que devorei em pouco tempo. A partir de então, tenho, sempre que posso, lido algum livro dele. A forma como o autor desenvolve seu enredo e personagens foi o que mais me chamou a atenção em Sob a redoma e fez tudo funcionar para mim. Afinal, eu poderia levar um tiro no pé com um livro daquele tamanho quando sempre recomendam começar a ler o autor por O iluminado.

Algumas obras raras e antigas do autor estão sendo relançadas. É o caso de A Zona Morta.

Johnny Smith é um jovem professor de literatura da escola de sua cidade, no interior do Maine. Ele está tentando começar a namorar Sarah, também professora. Ambos vão a um festival que está acontecendo na cidade, com parque de diversões e barracas de comidas típicas. Em uma dessas, um jogo de roleta chama a atenção de John, que resolve atender ao pedido do vendedor e tenta apostar a sorte naquele jogo. Na primeira rodada ele logo fatura o prêmio e resolve tentar de novo. Na segunda, idem. Quando na terceira ele consegue novamente muito dinheiro, Sarah e os demais começam a achar estranho aquele acontecimento e John consegue quebrar a banca inteiramente. Porém, sua noite não acabaria ali. Após deixar Sarah em casa, ele apanha um táxi para a sua residência. Durante o trajeto, um trágico acidente acontece matando o motorista e deixando nosso protagonista em coma profundo pelos próximos quatro anos.

Quando criança, Johnny já havia sofrido um acidente mais grave, porém, omitiu isso de toda a sua família. Numa pista de patinação, ele caiu e bateu com a parte frontal da cabeça no gelo, mesma região que ele machucou agora. Depois de acordar de tanto tempo em coma, Johnny percebe que há algo diferente em sua percepção do mundo: ao tocar uma pessoa, ele consegue ver o que acontecerá em seu futuro. Um dom que pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal e Johhny sentirá na pele o peso e a responsabilidade disso.

King trabalha com poucos personagens neste livro. Cada um traz alguma importância em algum momento da história, mesmo aqueles que acabamos conhecendo sobre suas vidas para em poucas páginas morrerem. No começo, a gente não sabe muito bem o que pensar sobre alguns. Por exemplo, quando a mãe de John descobre que o filho sofreu o acidente de carro a narrativa nos traz um certo ar cômico devido sua reação. Um pouco mais tarde, vamos descobrir que a reação dela provém de outras razões.

A Zona Morta é um livro escrito no final da década de 70 tendo sua história se passando no mesmo período. Em virtude disso, todo o cenário, o comportamento dos personagens e também boa parte da narrativa sofre influência dessa época. Minha leitura do livro oscilou à medida que o avançava. No início, a viciante narrativa do King se faz presente e me manteve ávido pela história o tempo todo. Porém, do meio em diante o ritmo decai muito e só vem ser retomado nas últimas 100 páginas. King se estende bastante em diversas partes que poderiam ser facilmente enxugadas ou somente citadas brevemente no enredo.

O livro tinha tudo para ser uma história do caramba. Enquanto o lia, ficava imaginando como teria sido se alguém o tivesse estruturado para ser um romance policial. A meu ver, houve uma tentativa do autor de levar por esse caminho, mas falha. O começo chama a atenção como deve ser, mas o período de coma do John é longo, as coisas que acontecem após seu despertar são narradas em páginas e mais páginas e quando o livro tinha tudo para se encerrar muito bem temos mais cem páginas para ler. Por mim, a história poderia ser bem enxuta, mas ser prolixo é uma característica do autor.

No mais, A Zona Morta foi uma leitura boa, que traz momentos que prendem o leitor e outras que o deixam entediado. Acredito que não seja a melhor porta de entrada dos livros do King, uma vez que o autor demonstra mais do seu potencial em outras obras já publicadas.