quinta-feira, 28 de junho de 2018

[RESENHA] Submissa ( The Enforcers #1), de Maya Banks


Editora: Gutenberg
Páginas: 288
Publicação: 2017

Evangeline é a típica garota que sai do interior para ganhar a vida na cidade grande. Ela trabalha horas em cima de um salto servindo mesas em um bar, tudo isso para enviar dinheiro suficiente para ajudar seus pais. Um dia, após dispensada por um homem que tinha entregado sua virgindade, suas amigas a incentiva ir a um bar exclusivo para impressionar o ex, no intuito de mostrar o que perdeu.

Chegando ao estabelecimento, Evangeline fica surpreendida com o luxo do ambiente, pois nunca tinha pisado em um lugar como aquele. Ela nunca imaginava que alguém estava observando nas câmeras e ali é o começo que sua vida irá dar uma reviravolta de 360 graus, pois ela conhece Drake Donovan. Importante empresário que tudo que ele quer consegue, e Evangeline entrou em sua lista e fará de tudo para tê-la.

Submissa é o tipo de livro que acompanhou certamente o boom de 50 tons de cinza, quando foi lançado no exterior. É o tipo de livro que muitos leitores gostam por conta do personagem “cuidar” de sua parceira como porcelana. Eu também leio romances assim, mas a maioria das vezes alguns comportamentos me incomodam, e essa obra foi uma delas que me trouxe certo estranhamento.

Evangeline é uma menina ingênua, é perceptível ver isso no decorrer da trama ao perceber que ela está somente na cidade grande para faturar uma grana para ajudar os pais. Ela não junta dinheiro para seu prazer próprio. Ela deu uma chance a um rapaz, ele a dispensou assim que ele conseguiu o que queria, mas ela decidiu com ajuda das suas amigas mostrar o que ele perdeu, indo ao Impulse, um local luxuoso e exclusivo.

Drake é o um homem poderoso, que conseguiu erguer seu império junto com seus “irmãos” e fez com que seu estabelecimento se tornasse um dos mais cobiçados de Nova York. Ele é dominador, em todos os sentidos. Quando vê Evangeline, algo desperta nele e faz com que aguce a curiosidade de conhecê-la melhor. Ele dará tudo para ela, e aos poucos algo que era para ser apenas passageiro poderá ser permanente.

O comportamento de Drake para com Evangeline me assustou um pouco. Sei que ele é um personagem como vários outros, que gostam de mandar e fazer o que quiser com a mulher. Mas há determinados pontos que o que era uma prática entre o casal, vai se transformando em algo doentio, obsessivo. Maior parte da trama fiquei incomodado com esse tipo de comportamento por parte dele. Evangeline também me incomodou, ao invés de ter pulso firme em diversos momentos, ela somente abaixou a cabeça e mergulhou em algo duvidoso e desconhecido.

Já outros livros da Maya e gosto bastante da sua escrita, que costuma ser cativante, envolvente, com personagens bem construídos e diálogos bem elaborados. Porém, em Submissa, a narrativa ficou um tanto enfadonha.


Para os fãs de romance hot, que tem o famoso personagem dominador, esse pode ser um livro que você pode gostar. 
                                                                     

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

[RESENHA] Justin de Gauthier


Editora: Nemo
Páginas: 104
Publicação: 2018

Justin é um garoto como outro qualquer: gosta de jogar futebol, de luta com os amigos e de usar os cabelos bem curtos. Porém, Justin nasceu no corpo de uma garota e isso acaba fazendo com que, durante toda a sua infância e no início de sua adolescência, ele tenha de encarar diversos dilemas internos e um mundo rodeado de preconceitos que vão desde os seus pais, até os psiquiatras aos quais ele se consulta, em busca de uma cura para algo que não é doença.

Se a infância já é um período complicado para a maioria das pessoas, para aqueles que são tidos como "diferentes" pela sociedade pragueada de hipocrisia em que vivemos é algo ainda pior, No caso de Justin, ter que conviver com colegas de escola que acabam por zombarem o tempo todo dele é ago infernal. Ele começa querendo cortar seu cabelo bem curto, como o garoto que é, mas esbarra sempre na mãe, extremamente preconceituosa, que acaba por negar todas as vezes em que ele afirma ser um menino. Logo ela o manda para um psiquiatra que tenta o tempo todo fazer com que ele seja curado dessa "loucura insana" que existe apenas em sua cabeça.

Ao entrar na adolescência, Justin vai ganhando cada vez mais convicção de sua verdade e moldando a sua personalidade. A descoberta do primeiro amor, a ebulição dos hormônios e a forma como ele enxerga o mundo vai fazendo com que se sinta mais confortável consigo mesmo, embora saiba que o corpo em que nasceu não representa em nada a sua alma. À medida que ele começa a desbravar o mundo e conhecer outros "diferentes" como ele, que Justin vai se sentido cada vez mais à vontade com o seu eu e vendo que, na verdade, o grande problema e, em alguns casos, a grande doença está nos outros.

Justin é uma HQ deliciosa de ser lida. Com traços simples e diálogos muito pertinentes, sua leitura é fluída e ágil, fazendo com que possa ser lida de uma vez, em algumas horas. Amei demais a leitura.

A temática da transexualidade é abordada de uma forma excelente, respeitando muito os diálogos internos do protagonista e mostrando os principais pontos que pessoas trans tendem a passar ao longo da vida, como o seu entendimento de si mesmo, a modificação corporal, o preconceito social nas várias etapas da vida, entre outros. Gostei muito da forma como Gauthier usou desses elementos na narrativa.

Sem dúvida é uma obra para todos que queiram entender mais sobre transexualidade. Excelente material para ser tratado em sala de aula. Leitura obrigatória para todas as idades.
                                                                     

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[RESENHA] Batman: Criaturas da Noite (Lendas da DC #2) de Marie Lu


Editora: Arqueiro
Páginas: 257
Publicação: 2018

Mulher-Maravilha: Sementes da Guerra (Lendas da DC #1)

Bruce Wayne, o jovem nilionário que foi órfão logo cedo, acaba de completar 18 anos e atingir a vida adulta. Sendo agora o dono da sua herança e podendo fazer com ela o que bem entendesse, ele agora é responsável por todos os atos que cometer. Em uma noite, ele faz algo considerado ilegal e vai parar na famigerada e temida prisão de Gotham City, o Asilo Arkham. Lá ele conhecerá uma jovem chamada Madeleine. Ela não é flor que se cheire e, por mais que seja relutante em confessar os crimes que cometeu para ir parar lá, vai seduzir Bruce a se juntar a um misterioso grupo de pessoas que tem por objetivo acabar com a elite da cidade e promover uma espécie de justiça social nela: as Criaturas da Noite.

Empolgado com a ideia, Bruce logo se aproxima do grupo e passa a fazer parte da vigília noturna que os integrantes fazem. Mas, logo ele vai percebendo que muito do que é feito ali não condiz com os seus propósitos e com sua visão de mundo. No meio de tudo isso, uma grande ameaça surge em Gotham City, fazendo com que ele tenha que superar medos e enfrentar algo muito grande em nome da justiça.

Batman: Criaturas da Noite é o segundo livro da série Lendas da DC que, como o próprio nome já diz, traz histórias tendo como protagonistas grandes heróis e heroínas desse estúdio, estando todos eles em idades jovens, praticamente saindo da adolescência. O primeiro título, Mulher-Maravilha: Sementes da Guerra já tem resenha aqui no Capa.

O livro é delicioso de ler. O que eu mais amo nessa série é a forma como as autoras colocam os personagens, que já são grandes clássicos da cultura pop, de uma forma jovem bem realística, ou seja, tendo os anseios, medos e cometendo os erros típicos dessa fase da vida. Nesse segundo livro, Marie Lu consegue trazer um Batman que está começando a sua vida heróica e mostra o lado humano do grande cavaleiro das trevas.

Batman é um dos meus heróis favoritos de todos os tempos. Esse livro consegue traduzir bem a essência desse herói trazendo tanto os elementos clássicos da narrativa original que o envolve, quanto dando um ar jovial ao herói e fazendo florescer sentimentos e situações que só serão desenvolvidos com o decorrer de sua vida.

Sem dúvida um excelente livro de ação e aventura que eu recomendo a todos os fãs de heróis e, principalmente, para os fãs do grande morcego de capa preta.

                                                                     

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[RESENHA] Um Homem de Sorte do Nicholas Sparks


Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Publicação: 2017

Um Homem de Sorte traz a história de Logan, um militar americano que combatia no Iraque e, ao receber de um amigo do exército uma foto de uma mulher desconhecida, se apaixona por ela e resolve cruzar o país a pé em sua procura. Ao conhecer Beth, professora que divide a administração de um canil com Nana, sua avó que sofreu um AVC, Logan se apaixona de imediato e abre mão de tudo ao seu redor para ficar próximo a ela. Ao chegar no Colorado, Logan resolve se candidatar à vaga de assistente do canil onde Beth trabalha, fazendo com que ambos fiquem perto o tempo todo. Com o passar do tempo ambos acabam se conhecendo melhor, tendo suas afinidades, e logo brota um romance. Ao conhecer Ben, filho de Beth com Clayton, seu ex-marido e que se caracteriza como o "vilão" desse livro, ela tem a certeza de ter conhecido o homem de sua vida. Mas como ambos viverão esse romance? Qual a reação de Clayton ao saber que seu colega de exército está namorando sua ex-mulher, a qual ainda tem interesses? Como Ben se relacionará com tudo isso?

A leitura desse livro é agradável, com a narrativa típica do Sparks. A princípio a história é bem diferente dos demais livros do autor, por se tratar de um triângulo amoroso, o que é raro nas obras do Nicholas. Mas com o avançar da leitura tudo se normaliza. O início do livro é um pouco chato, cheio de informações e descrições que cansam a leitura, mas no desenrolar da história a leitura flui. 

Meu personagem favorito é Nana. A sabedoria e a visão dela das situações vividas por Beth são muito interessantes. Os conselhos dela também são bem sábios. Vale destacar a importância dada a questão animal nesse romance. Sparks traz um personagem que é um pastor alemão, Zeus, e que tem participação fundamental no desenrolar da história e no final dela. A relação homem-animal é bastante trabalhada nesse livro. O final é eletrizante e dotado de um breve suspense fortemente sustentado pelo autor.

Recomendo para quem tem interesse em romances não convencionais e que querem ver uma obra de Sparks diferenciada, fugindo aos clichês existentes nos outros livros.
                                                                     

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sábado, 16 de junho de 2018

[ESPECIAL] Mar despedaçado, de Joe Abercrombie

Olá, leitores do Capa e Título! Tudo bem com vocês? Vocês conhecem o autor Joe Abercrombie? Ele nasceu em Lancaster, na Inglaterra, em 31 de dezembro de 1974. Na famosa Universidade de Manchester, Joe estudo Psicologia. Mas seu grande sonho era escrever livros de fantasia com uma pegada voltada para o público adulto e, quem sabe, redefinir o gênero.


Assim como muitos autores que conhecemos, como J. K. Rowling, Joe trabalhava em uma história enquanto seguia trabalhando em outra área. De 2002 a 2004, ele conclui o primeiro livro da trilogia A Primeira Lei, publicado em sua língua original em 2006. No Brasil, a Editora Arqueiro publicou O Poder da Espada (2013), Antes da Forca (2014) e O Duelo dos Reis (2015). Por conta de seu sucesso como autor e experiência na TV, ao lado de outros autores de sucesso, como Terry Pratchett, Joe contribui para o documentário Worlds of Fantasy, da BBC.

A Trilogia Mar Despedaçado

A Trilogia Mar Despedaçado começa a ser publicada originalmente em 2014, dois anos após a publicação de Red Country, um livro spin-off de A Primeira Lei. Os livros que compõem a trilogia são Meio Rei (2016), Meio Mundo (2017) e Meia Guerra (2018). Contam a história de Yarvi, filho caçula do rei Uthrik que, longe de pensar na possibilidade de ser rei, estuda para ser ministro, alguém que se dedica pelo resto da vida a curar e aconselhar. Porém, uma tragédia o força a mudar de estrada e partir numa jornada que o formará e o transformará.

Soprava um vento forte na noite em que Yarvi descobriu que era rei. Ou pelo menos meio rei.
ABERCROMBIE, J. Meio Rei: Mar despedaçado 1. São Paulo: Arqueiro, 2016.

Yarvi é um personagem que precisa se impor. Não somente por ser filho de quem ele, o que por si só já é um peso grande. Mas porque a expectativa das pessoas a respeito dele são enormes. O que esperar de um meio homem? Ou melhor dizendo, de um meio rei? Afinal, quando pensamos num rei temos uma imagem pré-determinada de um soberano no sentido mais concreto possível da palavra. Um guerreiro, capaz de erguer espada e comandar exércitos contra outros povos. Yarvi é um homem com a mão deformada. Por isso, considerado incompleto. Ele precisa demonstrar sua capacidade de liderança para se destacar e ganhar respeito. O interessante desses livros é ver como a inteligência muitas vezes é melhor que a força bruta.

Apesar de eu ter a outra trilogia do autor, eu nunca cheguei a lê-la. Por conta de algumas questões que apareceram no meio do caminho, tive que deixar o primeiro livro de lado e acabei não retomando sua leitura. Mar despedaçado, porém, são livros mais curtos e com uma dinâmica, até onde eu possa falar sobre, diferente de A Primeira Lei. Enquanto que neste a escrita é bem condensada, nessa outra trilogia o autor não perde tempo com muitas descrições. A escrita é mais direta, o que faz com que a leitura flua rapidamente.

Mar despedaçado é uma trilogia que vai agradar muito o leitor que procura uma boa fantasia.
                                                         

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

[RESENHA] Nada escapa a Lady Whistledown, de Julia Quinn, Suzanne Enoch, Mia Ryan e Karen Hawkins


Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Publicação: 2018

Mais uma vez podemos ter o prazer de conferir mais histórias contadas pela Gossip Girl da época vitoriana, nossa amada Lady Whistledown. Para contextualizar, a colunista é uma personagem presente nos quatro primeiros volumes da séries Os Bridgertons, da autora Julia Quinn. Para aproveitar mais a autora, Quinn decidiu fazer uma duologia convidando outras três autoras famosas do gênero, são elas: Suzanne Enock, Karen Hawkins e Mia Ryan.

O primeiro se chama Lady Whistledown contra-ataca, cujo o assunto principal é o roubo de uma pulseira valiosa. Dessa vez em Nada escapa a Lady Whistledown, a protagonista da autora Suzanne Enock derruba a de Julia Quinn em uma festa de patinação no gelo. Já a personagem de Mia Ryan, o casal discutem na festa que os protagonistas da de Karen Hawkins estão oferecendo.

No conto Um amor Verdadeiro, da autora Suzanne Enoch, encontramos o casal Lady Anne Bishop e Maximilian Trent, mais conhecido ocmo marquês de Halfurst. Eles foram prometidos a se casarem desde pequenos. Ela morava em Londres, pensava que teria uma boa vida, pois tinha os melhores amigos e também sempre a convidavam para ótimas festas. Porém, seu noivo nunca foi presente, mas quando Lady Whistledown escreve uma coluna sobre o comportamento inapropriado de sua noiva com um rapaz, o rapaz logo vai para Londres tirar satisfação. Lorde Halfurst terá a oportunidade de lutar para conquistar o coração da amada e tentar convencê-la de trocar Londres por Yorkshire, para finalmente se casarem.

No segundo conto chamado Dois Corações, escrito por Karen Hawkins, a protagonita Elizabeth Prichard tem 31 anos e já é considerada uma solteirona. Ela sempre se sentiu feliz com sua situação, mas um dia ela percebe que está na hora de se casar e formar uma família. Seu amigo Royce Pemperley é amigo e confidente da moça há muito tempo. Ele com 39 anos, é um galanteador nato, mas quando ouve que Liza quer se casar, suas emoções começam a se estranhar e percebe que sente algo mais sério do que uma mera amizade.

O terceiro conto Uma dúzia de beijos, de Mia Ryan, conta a história de Caroline Starling e sua mãe são expulsas da propriedade da família pelo novo marquês de Darington, que herdou o título após a morte do pai de Caroline. A única saída dela é se casar com o conde Pellering, tendo nenhum sentimento pelo rapaz. Em um momento junto com seu pretendente, ela encontra o novo marquês de Darington e descobre que ele é o mesmo homem que teve uma situação especial no dia anterior no teatro.

Julia Quinn termina o último conto chamado Trinta e seis cartão de amor, no qual a trama gira em torno de Susannah Ballister, que tem sua vida mudada quando Clive Mann-Formsby, irmão do conde Renminster gostou dela, e desde então ela virou a moça mais badalada de Londres. Porém, após a temporada cortejando a moça, Clive anuncia o noivo com outra mulher. Quando ela pensou que nada daria certo depois disso, ela tromba com o irmão do rapaz que partiu seu coração e daí em diante é uma sequência de eventos que perceberão que Clive não partiu seu coração, mas deu a oportunidade de encontrar algo bem melhor.

No primeiro livro, os contos que mais me agradaram foram das autoras Mia Ryan e Suzanne Enoch. Dessa vez, todos conseguiram me cativar, com uma ressalva do conto da Ryan que senti a trama um tanto rápido e não dá tempo de processar determinadas informações.

Os personagens das autoras conseguem nos conquistar e os crossovers deles se encontrando é muito interessante e reparamos como Quinn teve uma ótima ideia de criar essa duologia e convidando outras autoras para fazer essa obra bem escrita e desenvolvida.

As histórias são recheadas de clichês como estamos acostumados com esse gênero, mas os contos são tão bem desenvolvidos que não apegamos a isso. As autoras conseguem nos levar para o clima criado e conseguimos ter uma ligação com os conflitos e casais sendo formados no decorrer das páginas.


Para os fãs de romance de época, essa antologia de contos certamente conquistará o coração de vocês. Não é necessário ler o primeiro livro, mas vale muito à pena conferir as tramas de Julia Quinn, Suzanne Enoch, Mia Ryan e Karen Hawkins.
                                                                     

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sábado, 9 de junho de 2018

[RESENHA] Trilogia Travessuras da Minha Menina Má de Otávio Bravo

 




Editora: Chiado
Páginas: 358, 249 e 558, respectivamente
Publicação: 2018






Olá, leitores!

Hoje trago para vocês a resenha de uma trilogia muito interessante, Travessuras da Minha Menina Má de Otávio Bravo. São três volumes contínuos de uma mesma história, de modo que dividirei a resenha em três tópicos, falando sobre cada um em específico, e, posteriormente, faço um apanhado geral do que achei da obra como um todo. Caso vocês tenham interesse em adquirir a obra, deixo os links para compra, tanto do ebook quanto do livro físico, no final da postagem. Espero que curtam! :)


Volume I

Victor é um jovem carioca que está passando pelo final da sua adolescência e tentando curtir a vida ao máximo. Ele vive nas praias da cidade onde mora, Rio de Janeiro, junto com seu irmão Caíque, seu grande ídolo, e o grupo de amizades da escola. Estamos no meio da déccada de 80, com toda a efervescência cultural e política que esta era teve. Ser um jovem nesses tempos era algo muito além do apenas superficial, mas sim um ser pensante que, ao mesmo tempo em que se posicionava no mundo em que vivesse, também gostava de curtir e apreciar as coisas boas da vida. 

A admiração de Victor para com seu irmão, Caíque, é enorme. Mesmo ele sendo mais velho, Victor enxerga nele uma grande figura heroíca, livre, cheia de coragem e de atitude, o seu oposto, uma vez que ele era mais tímido e retraído. Ainda assim, Caíque e ele são muito amigos e vivem saindo juntos, para festas e praias.

No final de sua adolescência e, por consequência, também de sua vida escolar, Victor se vê na necessidade de escolher uma futura profissão, uma vez que o vestibular é vindouro. Ele, que sempre gostou de ler e de saber do passado da humanidade e do mundo, opta por fazer paralelamente as faculdades de História e Direito. Em ambas a sua afinidade para a área recebe grande destaque, percebendo que sua aptidão é de fato essa.

É nesse meio tempo que ele conhece Marcela, uma jovem por quem logo começa a se interessar. À medida que ambos se conhecem mais e mais, acabam por descobrir muitas similaridades e logo um sentimento maior surge entre eles. Victor terá em Marcela sua primeira grande paixão e, como todo primeiro amor, ele viverá toda as emoções e sentimentos que o envolvem.

Passa-se o tempo, Victor e Marcela acabam por se casar e tem uma linda filha, chamada Clarinha. Victor segue vida acadêmica, fazendo mestrado e doutorado fora do país, uma vez que é filho de ingleses e já tem familiridade com a língua. No entanto, durante uma viagem de volta ao Brasil, um acontecimento que muda completamente a sua vida ocorre e, desde então, ele não mais será o mesmo.



Volume II

No segundo tomo da obra, temos uma nova fase na vida de Victor. Após os acontecimentos do final do primeiro livro, ele passa por um grande turbilhão de emoções e um momento de intensa introspecção. É muito difícil se reerguer de algo desse tipo e ele, resolve entção, partir para uma viagem sem rumo ao redor do mundo para tentar retomar seu gosto pela vida.

Após alguns meses, Victor é chamado para dirigir um setor da Pontifícia Universidade Católica, a PUC, do Rio de Janeiro. Mesmo esta cidade lhe trazendo memórias não tão boas, ele resolve aceitar a proposta e parte para esta nova fase profissional. Com os novos ares e novas pessoas com a qual conhece, ele começa a se reequilibrar e a assumir uma nova postura para o mundo. Até que algo acontece e uma pessoa nova surge em sua vida.

Quando ele está em uma fila de caixas eletrônicos, dentro de um banco, ele se depara com uma jovem extremamente linda, que faz com que ele fique estupefado com tamanha beleza. Jamais algo parecido havia acontecido na vida de Victor e ele resolve tentar puxar assunto com ela. Logo ele descobre se tratar de Maria Eduarda, uma jovem aluna da universidade, que veio do Rio Grande do Sul para estudar na capital carioca. 

Dois anos se passam, Victor continua com sua vida normal, pensando esporadicamente em Maria Eduarda, mas sem ter desenvolvido algo doentio ou psicopata por sobre ela. É quando ele começa a ministrar uma aula de Ciência Política que, para sua surpresa, vê ela sentada em uma das cadeiras na sala de aula. É a chave que faltava para ambos se aproximarem e começarem um relacionamento juntos.

Victor vê em Duda, como ela é apelidadada, uma nova forma de encarar a vida e de amar e se sentir amado de volta. Ambos vão experimentar as fases da vida um do outro, tanto a juventude dela quanto a maturidade e a experiência dele. Uma nova vida se abre para os dois e eles aproveitarão muito disso.

Mas nem tudo se mostram como flores. Após um tempo, uma determinada situação ocorre e Victor se vê diante de algo que irá lhe perturbar muito, com uma certa pitada de déjà vu. Caberá a ele decidir se corre atrás de seu grande amor ou se se conforta com o que a vida vem lhe dando.


Volume III

Victor resolve se mudar para Seul, para ministrar aulas em uma universidade local. Suas pesquisas estão lhe dando bons frutos e ele consegue desenvolvê-las bem. No entanto, tudo o que aconteceu anteriormente lhe deixa muito mal. Ele chega a ter depressão e perde muito peso, o deixando com uma fisionomia extremamente desgastada. Ele entra, novamente, em uma grande jornada de autoconhecimento e de visõ de mundo que modificará muita coisa em sua vida.

Uma notícia surpresa, envolvendo Duda, também o deixará completamente abalado e desnorteado. Diante de algo que ele não consegue resolver por si só, que depende de outras pessoas. Victor, então, partirá novamente para buscar atrás do tempo perdido e tentando não reviver memórias ruins da sua vida.

Sei que o resumo desse terceiro volume está bem enxuto, o livro é bem mais que isso, pode confiar, mas não quero dar spoilers dos dois primeiros livros e, até mesmo desse, para não tirar o efeito surpresa de quem for ler a obra. Sobre o final só posso adiantar que é lindo e tocante, um final digno de uma obra tão boa quanto essa. Gostei bastante e não me arrependi de nada durante a leitura.


Fazendo um panorama geral, tenho que essa é uma obra que se aproxima de um romance de formação, ou seja, aquele tipo de texto de ficção em que acompanhamos a vida de um personagem desde o seu nascimento até a sua morte, como David Cooperfield de Charles Dickens. Não chegamos acompanhar o nascimento e a infância de Victor, mas seguimos a maior parte de sua vida, lado a lado, vivendo com ele todos os seus sentimentos, as fases de sua vida e sua visão sobre o mundo e sobre as pessoas. Sempre gostei muito de obras assim, uma vez que me apego demais aos personagens, coisa que aconteceu com o protagonista dessa trilogia.

Otávio acertou demais na construção do personagem Victor. Ele não é raso, pelo contrário, tem profundidade e apresenta uma certa complexidade que prende muito o leitor. Como lemos todo o texto em sua primeira pessoa, podemos ter acesso aos seus pensamentos e sentimentos mais profundos, o que eu adoro quando se trata de protagonistas. A sua primeira paixão, a maturidade advinda do início da vida adulta e do final da adolescência, o surgimento de Maria Eduarda em sua vida, enfim, todos os fatos da narrativa são exatamente bem colocados na linha ficional que guia a sua história. Também é interessante a forma como ele usa de personagens coadjuvantes como contrapontos do protagonista. Caíque aparece como aquilo que o jovem Victor não é mas quer ser. Maria Eduarda surge como o oposto do que ele está sentindo naquele momento, como uma forma de libertação e de reconexão consigo mesmo. Esse jogo de sentimentos e a linha que une todos os personagens são muito bem tecidos ao longo da narrativa.

Eu interpretei as três obras como um livro só, como um grande volume de uma única história, o que de fato é o que acontece. Já aviso ao leitor que essa é uma trilogia que deve ser lida de forma linear, não podendo haver concatenação entre os tomos. É muito interessante acompanhar a evolução do protagonista ao longo das idades e das diferentes situações pelas quais passa. Não só dele, como de Maria Eduarda também, personagem forte e decidida que também é bem trabalhada ao longo da narrativa.

Outro ponto que gostei muito no livro foram as construções de cenários e de panos de fundo que o autor dá à obra. É perceptível que Otávio tem um vasto conhecimento de história do Brasil e do mundo pois ele consegue transpor exatamente a atmosfera que os personagens vivem naquele momento. Ao ler o primeiro livro, me senti várias vezes como se estivesse de fato na praia, junto com a turmad e amigos de Victor e toda a situação política pelas quais eles viviam. Algo que também me interessou muito foi a forma como ele aborda questões como o racismo e a homofobia, usando de personagens que se encaixam perfeitamente nesse sentido. Isso também mostra como se dá a evolução da escrita do autor à medida que o tempo narrativo se passa na história do protagonista. Também gostei muito da abordagem da vida acadêmica de Victor, uma vez que conheço bem e gosto muito desse meio, já tendo passado muitos anos nele, e vendo que ele foi descrito de uma forma muito verossimilar.

Recomendo demais a todos que queiram ler algo mais denso e reflexivo e, ao mesmo tempo, que te prenda com o passar das páginas. Não são livros de leitura rápida, pelo contrário, a proposta é que sejam mais introspectivos e que façam com que o leitor se aproxime dos personagens que ali estão. Garanto que vocês não vão se arrepender e irão querer logo o próximo livro logo em seguida.

https://www.chiadobooks.com/autores/otavio-bravo-1
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