quarta-feira, 25 de março de 2015

[RESENHA] Flores da Ruína de Patrick Modiano



Editora: Record
Páginas: 143
Publicação: 2015

Uma tragédia acontece na Paris dos anos 30. Um casal, conhecido pela alta sociedade da época, acaba cometendo um duplo suicídio. Antes de morrer, enquanto agoniza, a mulher dá pistas do que fez com que eles tomasse essa atitude. Tal situação escandaliza a todos, uma vez que ninguém imaginaria que isso acontecesse com eles dois. Durante a investigação, muitas perguntas ficam no ar e o caso acaba sendo arquivado sem uma solução. 

30 anos depois, um investigador, cujo nome não é citado, resolve reabrir o caso. Estamos e 1967, o undo passa por uma série de mudanças de cunho político e social. Através dos olhos do narrador sem identidade, que voltaremos ao caso inicial, revisitando pelos últimos lugares em que o casal T. passou em vida. No meio disso, teremos momentos de nostalgia do narrador perante locais e pessoas de Paris, enaltecendo seu passado pessoal, sua infância e memórias que lhe vem à mente.

Flores da Ruína é o segundo livro de uma trilogia escrita por Patrick Modiano, escritor francês que recebeu o Nobel de Literatura do ano passado. As histórias dos três livros são independentes, não havendo a necessidade de ter lido o anterior para que se entenda esse. Nele temos uma forte mescla de uma narrativa ficcional com descrições autobiográficas do autor. Boa parte dos fatos e lugares citados no livro são elementos presentes na história de Modiano, em suas infância e adolescência, ou de parentes seus próximos, como seu irmão mais velho e seu pai.

Quando comecei a ler esse livro, tinha boas expectativas tanto por se tratar do vencedor de um dos maiores, senão o maior, prêmios da literatura mundial quanto por esse ser o tipo de leitura que foge da minha zona de conforto, uma vez que o autor era, até então, completamente desconhecido para mim. Porém, a leitura não foi nem um pouco agradável nesse sentido.

O fato de se misturarem as narrativas biográficas e ficcionais não foi algo feliz nessa história. A princípio, tem-se uma mistura de fatos sem uma justificativa para que isso acontecesse. Em alguns momentos, no meio do desenrolar da cena, memórias do narrador eram jogadas sem que houvesse qualquer relação com o plot inicial. Isso tudo deixou a leitura muito confusa e o livro sem uma linha de raciocínio que pudesse orientar o leitor. 

Acredito que, se o leitor não conhecer o passado do autor, o livro não passará de uma massaroca de memórias mescladas com cenas de uma breve trama ficcional. O suspense principal do livro não tem uma resolução final e, em determinado momento, perde-se completamente a relação com esse mote, ficando apenas fatos da vida de Modiano e sua família. Ha muitos fatos históricos da França inseridos na narrativa o que me fez recorrer a pesquisas na internet o tempo todo para conseguir me situar no espaço-tempo do livro.

Definitivamente essa foi uma leitura que não me agradou. Flores da Ruína foi uma grande decepção para mim, em todos os sentidos. Não sei se daria uma nova chance ao autor, acredito que não, e, caso isso aconteça, não será com essa trilogia autobiográfica/ficcional.

                                                                     

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