quinta-feira, 16 de abril de 2015

[RESENHA] Mar da Tranquilidade de Katja Millay



Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Publicação: 2014

Nastya Kashnikov é uma jovem que esconde um segredo. Algo aconteceu em seu passado que mantém fantasmas em sua mente até hoje e alimenta a cada dia o seu sentimento de vingança. Por conta disso, sua identidade foi se perdendo aos poucos e ela agora enfrenta um recomeço, dois anos e meio depois, em uma nova cidade, agora morando com sua tia. Na nova escola tudo o que ela quer é que ninguém interaja com ela e, por isso, acaba por fazer de tudo para afugentar as pessoas ao seu redor. Durante o primeiro dia de aulas, no recreio, ela percebe que há um garoto no pátio da escola tão antissocial quanto ela...

Josh Bennet é um jovem cujo segredo não é novidade para ninguém. Sua mãe e sua irmã morreram num acidente de carro e seu pai, posteriormente, de um infarto fulminante. Todos os que ele ama morrem e isso faz com que ninguém queira se aproximar realmente dele. Ninguém além de Drew, seu melhor amigo e o garoto mais popular do colégio, e sua família. Até que uma novata estranha na escola, que se veste de maneira um pouco vulgar e não conversa com ninguém, surge e lhe desperta interesse e curiosidade.

Mar da Tranquilidade é um new adult com elementos de drama e romance bem acentuados. Uma história de luto, dor, vingança e de amadurecimento perante as dificuldades da vida. 

Os personagens tem seu grau de complexidade aguçado. Os protagonistas são tridimensionais, com reflexos de seus passados em seus dias presentes e com personalidades influenciadas por isso. Nastya apresenta fortes conflitos psicológicos dentro de si. Sua construção é pautada no desamparo, na revolta e ela precisa desatar um nó sentimental para conseguir seguir adiante. Já Josh sofre com o vazio, com o luto. Ele não traz o sentimento de culpa, mas ainda trabalha em si mesmo a ausência daqueles que ama.

A narrativa da autora é um dos pontos fortes desse livro. Katja usa de supressão de pequenos fragmentos da história, ou seja, em determinadas cenas do livro algo de surpreendente acontece mas não se é explicado nem prévia nem posteriormente e a história segue seu rumo normalmente. Isso pode pegar de surpresa o leitor desatento, mas é uma forma de escrita muitíssimo interessante. Durante a leitura me lembrei muito de Quando Tudo Volta de John Corey Whaley, que também tem resenha no blog, que tem uma narrativa similar.

Esse livro é delicioso de ser lido, um excelente new adult. Logo quando comecei a leitura, por volta do capítulo 5 ou 6, uma grande reviravolta acontece, o que me deixou desesperado para descobrir tudo o que estava por trás da história. Josh é um personagem muito cativante e se mostra um excelente companheiro de Drewe Nastya. A revelação do segredo de Nastya se dá de forma paulatina, aos poucos vamos adquirindo pistas do que aconteceu com ela, até a revelação final. Mas o livro não gira em torno disso, pelo contrário, o foco maior está em Nastya, em sua visão de mundo e em seu processo de amadurecimento forçado.

Adorei a construção romântica da história. O trio de protagonistas consegue fazer uma ótima trama sem beirar aos clichês já conhecidos em livros do gênero. Os elementos da narrativa da autora foram muito úteis nesse aspecto e a relação de confiança entre o casal principal se dá de uma forma muito bem trabalhada.

Livro recomendadíssimo para quem gosta de new adults e romances em geral.
                                                                     

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2 comentários:

  1. Oi,
    Eu gostei da premissa do livro. O que mais me chamou atenção foi esse recurso usado na narrativa. Que eu me lembre, li pouquíssimos livros com essa característica. Acho interessante porque faz o leitor colocar o cérebro para trabalhar e foge do padrão.
    A capa desse livro é linda também.
    Excelente resenha. Abraço!
    http://ymaia.blogspot.com.br/

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  2. Oi Marcos, separei este livro para o meu desafio literário e ele deverá ser lido por estes dias. Espero gostar como você.
    Bjs, Rose.

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