quinta-feira, 30 de julho de 2015

[RESENHA] O Sol é Para Todos (O Sol é Para Todos #1) de Harper Lee



Editora: José Olympio
Páginas: 350
Publicação: 2015

Scout é uma garota que mora em Maycomb, cidade do interior dos Estados Unidos, junto com seu irmão mais novo, Jem e seu pai, o advogado Atticus Finch. Como toda garota da sua idade, ela adora se aventurar e descobrir situações novas e divertidas. Juntando-se a Dill, um amigo seu e de seu irmão, ela narra com detalhes a sua visão de mundo e sua percepção das pessoas ao seu redor.

Estamos no inicio dos anos 30. Nos Estados Unidos um cenário sócio-político está instaurado. Se por um lado vive-se as consequências da crise de 29 que quebrou com a economia americana da época, por outro tem-se instaurado um regime racial muito forte de separação entre brancos e negros. E em Maycomb isso não seria diferente. Negros servem apenas para trabalhos braçais, sem poder conversar com brancos ou importuná-los.

Finch, porém, tem em sua família como alicerce a quebra desse preconceito. Ele criou seus filhos com base no respeito ao próximo, sem distinção de raça e, por isso, Scout nunca entendeu ao certo as motivações por trás das pessoas em fazerem esse tipo de segregação. Até que Atticus fica responsável pela defesa de um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca em uma propriedade da região. E é a partir daí que veremos os sentimentos e pensamentos das pessoas sobre essa situação.

O Sol é Para Todos é o primeiro romance de Harper Lee. A autora não publicou mais nenhuma outra obra após esse livro, surgindo apenas agora uma suposta continuação intitulada "Go, Set a Watchman!", ainda sem publicação no Brasil. No livro temos como cerne a discussão do racismo nos Estados Unidos da década de 30 e nas consequências de ser a frente do seu tempo, mesmo estando certo.

Toda a narrativa é contada em primeira pessoa sob o ponto de vista de Scout. Em virtude disso, vemos uma história que é recheada de ódio, orgulho e preconceitos com pitadas de leveza e de esperança, uma vez que a protagonista ainda não consegue enxergar os maus sentimentos do mundo. O destaque maior da história fica para Atticus Finch, personagem que foi excelentemente construído pela autora. Estando ele a frente do seu tempo, com ideais igualitários e tendo construído a sua família por sobre esse alicerce, acaba tendo que lidar com os olhares da sociedade da época o tempo todo. Em várias cenas podemos perceber a inquietude de Scout perante o posicionamento de determinados vizinhos. O estopim ocorre quando ele é arrolado para fazer a defesa de um negro acusado com veemência pelo crime de estupro.

Esse livro é absolutamente incrível. A maneira como a autora abordou as temáticas principais e, sobretudo, a genialidade de colocar uma criança para narrar os fatos foi algo que enobreceu a narrativa como um todo e fez com que o alçasse à posição de clássico. Por mais que as políticas raciais tenham sido extintas nos Estados Unidos e, felizmente, a maioria das pessoas tenham o pensamento evlouído sobre isso, o racismo ainda encontra rusgas para ser presente na sociedade atual. E, além disso, o livro trabalha, sobretudo, a questão da diferença, do respeito ao próximo. Isso pode ser trazido para a discussão atual sob diferentes óticas, como do feminismo, da homofobia, etc.

Livro mais do que recomendado a todos. Deveria ser leitura obrigatória para a construção do caráter de cada indivíduo.
                                                                     

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