sexta-feira, 25 de setembro de 2015

[RESENHA] Ovelha de Gustavo Magnani



Editora: Geração
Páginas: 222
Publicação: 2015

Ele foi criado desde cedo com uma missão: ser um grande pastor, arrebatador de fiéis por onde passasse. Sua mãe, mulher temente a Deus e criada fortemente na crença, o colocou nessa situação desde o momento de seu nascimento, não podendo haver nenhuma outra alternativa para o seu futuro. Desde pequeno ele sabia que teria que, um dia, subir ao púlpito da igreja e discursar como os grandes profetas. E assim foi. Ele virou pastor evangélico, homem de fé, guia espiritual dos evangélicos. Proferia grandes discursos de ódio a tudo o que não estivesse na Bíblia e fazia de seus servos, fiéis devotos de sua igreja. Porém, ao retirar essa máscara, ele revelava quem ele realmente era.

"Nasci viado, amém!" era o seu discurso. Dividido entre a sua vida de homem de fé e sua homossexualidade, ele se colocava nos dois extremos do maior debate atual sobre a fé humana. Era apontado e apontava a si mesmo. Criticava seus próprios atos, cometidos na surdina. Casou-se com uma ex-prostituta convertida, com quem nunca conseguiu ter filhos. Até então, conseguia dividir seu tempo entre a igreja e as saunas gays que frequentava, sem ter a sua fara descoberta por ninguém. Porém, algo acontece em seu destino e sua vida fica, literalmente, por um fio.

Ovelha - Memórias de Um Pastor Gay é o romance de estreia de Gustavo Magnani e se autointitula um livro polêmico. A temática abordada não poderia ser mais condizente no país em que o debate "gays x igreja" se acirra a cada dia em várias esferas da sociedade, seja em redes sociais, seja no congresso nacional. 

No entanto, quando um livro é polêmico ele o é sem precisar ser. A polêmica vem da naturalidade, da pequena perturbação da realidade e não da tentativa de alterá-la. Explico: quando um livro vira polêmico ele, no geral, não foi escrito com tal intuito. Sim, o autor pode tocar em assuntos que dão o que falar, mas a polêmica na escrita se dá de forma natural, na maioria das vezes nas entrelinhas, sem sair de forma forçada ou explícita demais no texto. Dom Casmurro, por exemplo, não foi escrito com a intenção de se falar sobre os direitos femininos ou sobre a igualdade de sexos, assuntos que eram a polêmica da época, mas seu final se tornou polêmico com o tempo, com a leitura, com os leitores. O que quero dizer é que a polêmica deve ser dita como tal uma vez que o livro atinge o público leitor e não antecipadamente.

Expliquei tudo isso para dizer que a minha leitura de Ovelha tendeu por este caminho. Achei que o livro foi forçado em vários momentos, como se estivesse gritando para ser polêmico de forma exagerada. O autor escreve bem, isso é fato. Gustavo consegue criar um eixo narrativo com uma boa trama, trazendo uma ordem lógica de seus elementos. Mas, ao pegar um tema que já é polêmica pura e aumentar ainda mais esse grau usando de elementos e cenas que muitas vezes só servem para chocar ou tentar criar uma situação controversa para o leitor, ele acaba soando exacerbado demais e tentando reforçar a ideia de que o livro é polêmico por goela abaixo.

O final do livro, no entanto, é excelente. "O sermão que nunca tive coragem de dar", título do último capítulo, é forte e corajoso e consegue resumir com destreza todo o texto. No mais, o livro traz uma leitura rápida e bastante condensada.
                                                                     

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Um comentário:

  1. Oi Marcos!

    Adoro suas resenhas e seus Snaps! HAHAHAHA. Fico babando nos seus livros. Fico impressionada, você lê muito rápido. Me conta esse segredo... PLDDS! Porque eu queria que meu dia tivesse no minimo 48h pra vê se eu dou conta de tudo. Mas... Vamos a resenha:
    Adorei a resenha, senti que você foi bastante sincero. Não me interessei pelo livro porque como você mesmo disse me parece forçado demais, parece que foi criado apenas com o intuito de CAUSAR. Parece uma matéria do EGO... Não quero desmerecer o autor mas a única parte que realmente chamou minha atenção foi "O sermão que nunca tive coragem de dar". Como não tenho o livro não compraria para apenas ler o final.

    Mais uma vez adorei a resenha.
    Beijos!

    Cintia
    http://www.theniceage.blogspot.com.br/

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