quinta-feira, 24 de setembro de 2015

[RESENHA] Três Semanas com Meu Irmão de Nicholas Sparks e Micah Sparks



Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Publicação: 2015

Nicholas Sparks é um dos autores mais vendidos do mundo. Seus livros, no geral romances como fortes doses de drama em seu desenrolar, são lidos por milhões de leitores, sempre alcançando o topo da lista de mais vendidos e com várias adaptações para o cinema. Porém, o que poucos sabem, é que por trás do famoso escritor, encontra-se um pai de família que sofreu muito ao longo de sua vida e que começou a escrever por hobby, mesmo trabalhando em uma área completamente diferente dessa.

Três Semanas com Meu Irmão é a autobiografia de Sparks. A ideia para se escrevê-la surgiu quando, aleatoriamente, um panfleto anunciando uma viagem ao redor do mundo durante 21 dias, surgiu na caixa postal de sua família. No momento o autor estava escrevendo seu romance intitulado O Resgate e, com cinco filhos em casa e uma deadline muito próxima, estava completamente esgotado mentalmente. Foi daí que ele chamou seu irmão, Micah, para sair nessa empreitada juntos.

Eles viajaram por vários países em três continentes distintos: desde a Guatemala, até a Índia, passando pelo Camboja, Peru, entre outros locais. Ao longo da viagem e com a proximidade do irmão, que não via há tempos, Nicholas começou a relembrar fatos de sua vida que lhe marcaram para sempre.

Desde pequeno a vida de Sparks não foi um mar de rosas. Sua família era muito pobre e, com três filhos para criar, seus pais tiveram que fazer malabarismos para conseguir garantir o seu sustento. É interessante ler essa fase da vida dele, uma vez que, por já ter a prática de dosar a narrativa dramática ao longo de um texto, o autor consegue fazer com que vejamos a sua vida de um modo muito próximo, como se fossemos íntimos seus. Sparks é o filho do meio de dois irmãos, seu irmão mais velho e sua irmã mais nova, Dana. Desde pequenos, mesmo com muitas brigas comuns á essa faixa etária, a sua mãe sempre dava um jeito de mantê-los unidos e essa união se refletiu ao longo de toda a sua existência.

O que mais me fascinou nessa leitura foi o fato de conseguirmos enxergar as motivações por trás da elevada carga dramática utilizada em seus livros. Por exemplo, o elemento morte, muito comum em suas narrativas, esteve sempre muito presente em sua vida real. E, também de forma comum à ficção, logo após pessoas muito próximas a ele estarem muito felizes ou conseguirem algo que tanto queriam. É muito forte acompanhar tudo o que ele viveu de verdade e internalizar que aquilo não é um de seus livros e sim a sua vida. Passei a admirá-lo mais ainda após essa leitura.

Também é interessante como o autor usa de familiares seus para construir seus personagens. Por exemplo, sua irmã Dana inspirou a protagonista Jamie Sullivan de Um Amor Para Recordar. Ou seu irmão que inspirou o protagonista de A Escolha. Ao descobrir que seu filho era autista, e ter de lidar com o seu processo de aprendizagem diferenciado das outras crianças, Sparks escreveu O Resgate, em que um dos personagens principais era portador da síndrome. Inclusive, no romance, há um posfácio que conta a mesma experiência relatada nesse livro. Querido John também teve inspiração nessa situação.

O livro mescla momentos da viagem de Sparks com seu irmão e a sua biografia. Os capítulos começam com descrições e cenas da viagem e fazem uma conexão com fatos da sua vida, sendo estes narrados em seguida.

Leitura mais do que obrigatória para quem gosta do autor. Eu, que além de fã dele adoro autobiografias, fiquei completamente encantado com o livro.
                                                                     

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