sábado, 3 de outubro de 2015

[RESENHA] Neve na Primavera de Sarah Jio



Editora: Novo Conceito
Páginas: 336
Publicação: 2015

Vera Ray trabalha como camareira no turno da noite de um hotel em Seattle, Estados Unidos. Estamos em 1933, mais precisamente no dia 2 de maio. Ao sair de casa ela ainda fala com Daniel, seu filho pequeno, que cria sozinha. O pai sumiu logo após ela dizer que estava grávida e sua família mora longe.  Sua rotina é puxada, ter que deixá-lo não é fácil, mas mesmo assim ela tem de sustentá-lo sozinha e se esforça dia e noite para tal. Porém naquela noite a previsão do tempo indica que a maior nevasca da história da cidade está para cair. Com o coração aflito, ela o deixa e segue para o seu turno.

Ao voltar de casa no dia seguinte, Vera percebe que tudo está muito silencioso. Ao ir para o quarto de Daniel, ela percebe que ele não está lá. Desesperada, ela sai pelas ruas em busca de seu filho, mas encontra apenas o seu ursinho de pelúcia, jogado sobre a neve. Ainda assim ela não desiste e junta esperanças para encontrá-lo. Para isso, ela conta com a ajuda de um policial local. Tudo indica que Daniel foi sequestrado.

A história dá um salto no tempo e chegamos aos dias atuais. Claire é uma jornalista que tenta salvar seu casamento do fracasso. Há um ano um grande acidente transformou a sua vida para sempre e o trabalho se tornou a única forma de não ficar lembrando o tempo todo do acontecido. No dia 2 de maio de 2013, uma nevasca tão grande quanto a que ocorreu 80 anos antes, está para acontecer. Com isso, Claire então fica com a incumbência de escrever uma reportagem sobre a anterior. Durante a pesquisa ela descobre um recorte de jornal com a notícia do desaparecimento de Daniel. A partir dali, ela decide ir em buscas de pistas sobre a resolução do caso do garoto e tenta devolver a paz àquela família tão sofrida.

Neve na Primavera é o segundo livro de Sarah Jio publicado no Brasil, e também o segundo dela que li. A autora costuma usar elementos de drama, mistério, em pequena escala, e romance em seus enredos e com esse não foi diferente. O primeiro livro dela, As Violetas de Março, também tem resenha aqui no blog.

O livro me fisgou desde a primeira linha e não consegui parar de ler até chegar ao desfecho final. A escrita de Sarah é deliciosa, em vários momentos nem percebi que estava lendo, de tão conectado às cenas que eu estava. Essa é uma história sobre o poder do amor ao longo do tempo e como não há limites para fechar ciclos em suas vidas. É emocionante acompanhar a jornada de cada personagem e ver que são sempre guiados pela fé e pela esperança.

Os capítulos se alternam ora com a visão de Claire no presente, ora com a de Vera no passado. A linha narrativa que a autora construiu, aliada a esse formato de organização do texto, funcionou muitíssimo bem para a proposta do livro. À medida que a jornalista descobria um fato novo sobre a história, tínhamos esse fato destrinchado no capítulo posterior. Tudo isso contribuiu bastante para as doses de mistério que o livro traz.

Eu sempre detesto flashbacks gigantes, com centenas de páginas, em livros. Sempre que isso acontece, ao voltar para a história original, fico completamente perdido e me esqueço do que estava acontecendo anteriormente. Sarah Jio conseguiu resolver esse problema com perfeição. Ela dilui, ao longo da narrativa, os elementos do passado de modo a, ao mesmo tempo, não ficar longo demais e conseguir prender o leitor com a alternância de pontos de vista.

Recomendo demais a leitura a todos que gostem de livros nesse formato.
                                                                     

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