sábado, 12 de dezembro de 2015

[RESENHA] Dias Perfeitos de Raphael Montes


Editora: Companhia das Letras
Páginas: 278
Publicação: 2014


Teo tem tudo para ser um jovem normal: faz faculdade de medicina, cuida da mãe que é paraplégica e gosta de ficar em casa, somente com seus livros e seu computador. Sempre muito tímido e reservado, ele não é de ir a festas ou de sair com os amigos da faculdade. Ama estudar anatomia humana, passa horas dissecando cadáveres com os quais gosta de conversar e contar seus problemas, fazendo deles seus amigos, inclusive nomeando-os. Porém, ao ir para um churrasco, quase que obrigado pela sua mãe, ele conhece Clarice e sua vida se transforma completamente.

Clarice é uma jovem estudante de cinema que está escrevendo um roteiro para seu filme de estreia. Nele, três amigas embarcam em uma road trip em busca de um destino desconhecido, numa viagem de autoconhecimento e amadurecimento. Ao encontrar Teo, seu jeito tímido e recatado, tão contrastante com a sua personalidade forte e livre, a fascina. Ambos trocam telefones, mas nada além disso. Porém, o que ela não sabia era que ele criaria uma verdadeira obsessão por ela, que faria com que ambos caminhassem por extremos e encarariam uma jornada repleta de tortura física, psicológica e digna de qualquer filme policial.

Dias Perfeitos é o segundo livro de Raphael Montes publicado no Brasil e também  segundo do autor que li. O primeiro, Suicidas, me arrebatou por completo, me tornando fã do escritor logo em sua primeira obra. Depois desse, ainda li O Vilarejo, que tem resenha aqui no blog (você confere aqui). A história é um thriller policial com elementos de drama e pautado em um personagem psicopata com tendências assassinas a todo tempo.

A psicopatia de Teo é o eixo principal deste livro. É baseado em sua mente doentia que toda a linha narrativa cresce e as cenas são concatenadas sob essa égide. Do momento em que ele conhece Clarice, até o desfecho da história, uma sucessão de acontecimentos ocorre de modo que a vida dela se tornará um grande inferno e a dele um sem-fim de tentativas de explicações de todas as suas ações. Ao longo da trama vemos o quão perturbado o protagonista é e o quão as pessoas reagem sob determinadas situações. Não posso falar muito mais do enredo, pois daria um grande spoiler da história.

A narrativa de Raphael Montes continua impecável. Nesse livro, sobretudo, a pesquisa do autor se revela com maestria, mostrando o esforço que ele teve em buscar informações sobre locais, a minuciosa escolha de cenários que se encaixariam e serviriam para o desenrolar do enredo e a sagacidade no desenvolver dos plots fez com que o autor conseguisse prender o leitor do início ao fim da trama. Outro ponto muito bem feito foi a construção dos personagens. Por mais que protagonistas psicopatas tendam sempre para o clichê, Montes conseguiu fazer com que Teo fosse um clichê atraente ao leitor da trama. O final é surpreendente e polêmico.

Livro mais do que recomendado a todos que gostam de thrillers psicológicos e policiais e para quem, como eu, já virou fã do autor.

                                                                     

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2 comentários:

  1. Não li nenhum livro do autor ainda mas tenho interesse em ler O vilarejo e depois de ler essa resenha fiquei curiosa para ler esse também, não estou acostumada a ler livros do gênero, por isso resolvi sair da zona de conforto e arriscar. Fiquei curiosa para saber que final é esse. rs

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  2. Que capa linda, sem falar que é meu gênero favorito, adoro ler livros, ou ver filmes de Thriller psicológicos, e tals *-*
    No começo da sua resenha, me identifiquei com o Teo (somente com seus livros e computador, e gosta de ficar em casa kkkk), mas nem imaginei que ele fosse um psicopata, adorei. Vou procurar ler o quanto antes. Beijos, ótima resenha. Lost Words

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