segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

[RESENHA] 2001: Uma Odisseia no Espaço de Arthur C. Clarke



Editora: Aleph
Páginas: 335
Publicação: 2013


Estamos na pré-história. O homem, então apenas mais um dos animais ditos irracionais que agiam como bestas-feras, tem de encarar todos os dias a luta diária pela sobrevivência. Eles devem caçar para comer, lutar com outros animais para não serem comidos e perpetuar a espécie ao máximo que conseguirem. Até então, eles não tem muita vantagem competitiva em cima das outras espécies, até que um objeto estranho, um grande monólito preto surge do espaço e, desde então, a inteligência destes seres aumenta exponencialmente: agora eles conseguem usar instrumentos e, assim, dominar outros grupos e seres, sendo vencedores nas competições intra e interespecífica.

Avançamos milhares de ano a frente. Agora estamos em uma expedição ao espaço sideral, mais precisamente numa escavação na Lua. Lá, um objeto que apresenta um estranho campo magnético ao seu redor, é encontrado no subsolo. Nunca tal frequência de radiação foi detectada por instrumentos de medição terrestres. Para que isso seja melhor investigado, a Terra manda uma equipe de grandes especialistas abalizados em busca de respostas. Nessa expedição, o líder é um computador com inteligência artificial própria, o HAL 9000. Mas nessa jornada uma série de acontecimentos ocorrerão e isso tudo levará a questionamentos sobre a vida e sobre até que ponto pode ir o conhecimento humano.

2001: Uma Odisseia no Espaço é um livro de ficção científica que aborda a questão espacial e faz um contraponto com as questões sociais vigentes. O filme homônimo, dirigido por Stanley Kurick, foi lançado paralelamente ao livro. Ou seja, nesse caso não temos uma adaptação de uma obra para outra mas sim duas que correram paralelamente. À medida que o roteiro era escrito, o livro assim também o era ao mesmo tempo.

Esse é um daqueles livros em que várias interpretações são possíveis, tamanha a genialidade do enredo. No meu caso, interpretei que o autor usa da alegoria, nesse caso explicitamente, do monólito para fazer uma crítica à sociedade moderna, ao egoísmo humano, a como estamos a todo custo querendo vantagens por sobre outros de nossa espécie e a como o homem se coloca como espécie dominante do planeta. O objeto representa o além da inteligência, aquele insight ou aquele passo que a humanidade deu além em sua evolução e isso fica claro nos momentos em que ele aparece. O final é para explodir a cabeça de qualquer leitor.

Essa edição da Aleph está incrivelmente linda, como já é de praxe devido ao brilhante trabalho que a editora tem com seus títulos. O miolo vem uma caixa exterior que o guarda e este tem o formato do monólito, protagonista da história, com capa completamente preta e cortes pintados na mesma cor. Genial e sensacional. Há também extras, como os contos A Sentinela e Encontro no Alvorecer e prefácios do autor.

Recomendo a todos que gostem de ficção científica e que queiram começar a se aventurar nesse gênero. É uma ótima porta de entrada.
                                                                     

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Um comentário:

  1. Sempre quis ler esse livro, e a ótima resenha foi o empurrão necessário: está determinado, vai ser o próximo. O filme é um clássico, e um dos meus favoritos. Arthur Clarke é um mestre e a leitura promete. Não era do meu conhecimento o fato de que livro e filme foram lançados simultaneamente, o que não é comum e reforça a genialidade do escritor do livro e do diretor do filme.
    Muito bom!

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