segunda-feira, 4 de abril de 2016

[RESENHA] A Cor Púrpura de Alice Walker



Editora: José Olympio
Páginas: 336
Publicação: 2016

Celie é uma jovem negra que mora nos Estados Unidos e escreve cartas para Deus. Seu "pai", que na verdade era seu padastro, a proibiu de contar toda a violência sexual que ela sofre para outras pessoas, podendo apenas conversar com Ele. Estamos em um período indefinido da história, acreditando-se, por elementos da narrativa, que no início do século XX. O preconceito contra negros era enorme no país, até hoje ainda o é, e ser uma mulher, negra e semianalfabeta tinha o mesmo valor que nada. Por isso, Celie tem sua visão de mundo e sua perspectiva das coisas minimizada. Com o pai teve dois filhos que foram assassinados logo após o nascimento. Essa é a sua história.

Porém a vida de nossa protagonista muda quando ela é obrigada a se casar com Albert, viúvo pai de quatro filhos, que a trata como empregada e a espanca na frente de todos eles. É nesse contexto que Celie conhecerá Shug Avery, famosa cantora de quem ela é fã. Shug é amante de Albert, mas, ao conhecer Celie, começa a se aproximar da jovem e descobrir o seu passado. É nesse momento que Celie começa a se dessamarrar dos laços de sofrimento e culpa e passa a enxergar o mundo com outros olhos.

A Cor Púrpura é um romance epistolar de Alice Walker, que está na lista dos 1001 Livros para Ler Antes de Morrer. Toda a narrativa é contada com cartas que Celie escreve para Deus, onde conta a sua vida e o que acontece no seu dia a dia, e entre ela e sua irmã Nettie, que fugiu de casa e encontrou abrigo com um casal que acaba levando-a para a África.

Confesso que antes de começar a ler esse livro, imaginava que a história seria algo entre O Sol é Para Todos e 12 Anos de Escravidão, por sempre se referirem ao livro como uma forte história sobre racismo nos Estados Unidos. De fato ele assim o é; todos os protagonistas são negros e a questão racial é fortemente debatida o tempo todo na narrativa. Porém, ao meu ver, o que se sobressaltou foi a questão feminista presente no livro.

Celie é uma protagonista incrível. Ela não é forte, não se enquadra na mulher que vai atrás de seus sonhos, mas sim uma mulher que se descobre, que se transforma e que passa a ver o mundo com outros olhos. Shug é uma coadjuvante muito importante nesse aspecto. Ao mesmo tempo que conseguimos visualizar todo o sofrimento pelo qual ela passa, como estamos sabendo de tudo sob a sua ótica, vamos assistindo a uma vida ser desenrolada na nossa frente, como uma teia que se desemaranha e, incrivelmente, assim se torna mais forte.

O uso do ponto de vista da protagonista na maior parte da narrativa foi uma estratégia interessante usada pela autora. Vale destacar que, como Celie é semianalfabeta e aprendeu a escrever com as breves aulas de sua irmã, todas as cartas que ela escreve tem as palavras grafadas no modo como ela usa, ou seja, com os erros que lhes são pertinentes. Não sei se foi impressão minha mas, à medida que Celie evolui, sinto que sua escrita evolui junto, como se a autora usasse desse recurso para mostrar o crescimento da protagonista.

A Cor Púrpura é um livo incrível, forte e que consegue passar a mensagem que traz de forma inteligente e eficaz. Para se ler de mente e coração abertos e se aproximar cada vez mais da história.

                                                                     

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Um comentário:

  1. Achei interessante esse livro. Genial a ideia de grafar com erros para dar uma certa dose de realidade ao livro.
    Parabéns pela sua resenha!

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