segunda-feira, 4 de abril de 2016

[RESENHA] Restos de nós de Bia Onofre


Editora: Chiado Editora
Páginas: 192
Publicação: 2015


Victória está trabalhando em um projeto de um casarão que está para ser tombado. O lugar pertenceu aos seus antepassados. Ela encontra em algum quarto um livro antigo e tudo indica ser o diário de algum membro de sua família. Mal sabe ela que o livro contendo várias palavras e situação pertenceu a uma prima distante em 1855. O diário contém a história de Maria Clara, que desde o seu nascimento conhece o sabor do desprezo. Casou-se com Afonso, o que nada parece ser um casamento, pois seu marido é distante de forma inexplicável. Ela não tem ninguém para se apoiar e desabafar suas lamúrias, somente um objeto em branco e com a ajuda de uma caneta, poderá marcar sua vida em palavras. Isso é uma auxílio e consolo para o que ela enfrentou.
Outro parâmetro da história é Rodrigo, que encontra no computador de sua esposa vários relatos do seu cotidiano. Mariana é nutricionista e tem problemas com a balança. Seu casamento, para ela, está morto. O motivo de estar assim é seu marido priorizar a profissão de médico, e esquecer o seu lar e sua esposa. A leitura da história de sua esposa será um verdadeiro choque, mas ele sabe que melhor saber de toda verdade do que viver uma mentira.
A obra “Restos de nós” contém duas histórias que se complementam. Uma é passada no ano de 1855, em plena época dos escravos. Outra é passada em 2005. Duas mulheres em espaço temporal diferente, mas suas histórias são semelhantes. O que mostra que o tempo pode passar, gerações podem aparecer, mas os problemas poderão seguir uma linha tênue. Maria Clara e Mariana vive um casamento, cujos maridos por seus motivos vivem isolados. Seus corações a cada dia são partidos por cada atitude de desprezo. As paixões passam em suas vidas e é como o pecado, irresistível. Elas se apoiam em seus diários e ali depositam sua alma, percebem que ali é o lugar que se encontram é o melhor amigo que se pode ter.
"A tristeza em do fundo da alma, onde a âncora não consegue mais se/me segurar. Tão profunda que a escuridão me cega e, ao mesmo tempo, justifica a dor de se viver (sede de) ver."
As personagens são sensíveis e reconhecem que suas vidas não era aquilo que planejou e sonhou. Mas em algum lugar dentro delas há uma força, uma atitude que aos poucos vão crescendo no decorrer dos dias. As situações que passam fazem com que elas amadureçam e veem a vida de outra ótica.
As construções dos personagens em determinados momentos achei falha. O nome de Mariana é citado no começo e no fim da história, o que poderia frisar no desenvolvimento da trama, pois esqueci em certo momento o nome de uma das protagonistas. Maria Clara, pelo contrário, seu nome é lembrado em vários momentos propícios para a história.
A escrita de Bia é fluida e conseguiu trazer duas tramas, sem deixar o leitor perdido com as datas. A obra tem um desenvolvimento em que o clímax seguem simultaneamente as duas histórias, as emoções são expressas paralelemente. A leitura foi rápida e conseguiu trazer várias lições nas entrelinhas.
Para quem é fã de histórias que são contadas por diários, uma narrativa dramática, esse livro é recomendado. Duas histórias, em épocas diferentes, mas que se encontram em um lugar. Situações tristes, mas que são tão reais ao nosso redor. Não importa a época, todos nós temos uma história para ser contada. Ela poder ser boa ou não, feliz ou triste.
         

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