terça-feira, 3 de maio de 2016

[RESENHA] A Mão Esquerda da Escuridão de Ursula K. Le Guin



Editora: Aleph
Páginas: 296
Publicação: 2014

Estamos há milhares de anos do tempo presente. A humanidade tal qual conhecemos hoje acabou se tornando apenas mais uma vivendo no universo e está atrelada a outros planetas povoados em várias galáxias. Uma espécie de conferência interplanetária, a Ecúmena, é o órgão responsável por organizar as relações entre os planetas. Genly Ai, terráqueo e um dos conselheiros, recebe a missão de ir a Gethen, planeta também conhecido como Inverno, onde o clima é sempre frio, ora extremo, ora de forma mais amena. 

Os habitantes desse planeta variam seu sexo durante a vida. Eles são homens e mulheres ao mesmo tempo, fazendo com que não haja distinção de gênero e, por consequência, não haja discriminação ou diferenciação nesse sentido. Esse é um dos pretextos básicos da história. Genly Ai, acostumado á morfologia humana, não consegue internalizar essa nova fisiologia e isso pode fazer com que ele jogue por água abaixo a sua missão.

No que tange ao aspecto social, Inverno ainda apresenta tecnologia um pouco mais atrasada em relação à Terra, soando como numa época medieval. Seu governo é situado no sistema monárquico, ou seja, sob a ótica de reis e rainhas em alguns países, e como parlamentarista em outros. É nesse contexto que nosso protagonista enfrentará seus preconceitos para conseguir cumprir a sua nada fácil missão.

Esse foi meu primeiro contato com a autora. Ursula construiu um universo forte, com bons panos de fundos e tramas que se conectam ao enredo principal. A maneira como ela situa o leitor na cena me soou interessante e ao mesmo tempo um pouco fugaz em alguns momentos. Ela trabalha muito com descrições de locais e pessoas, o que torna a leitura um pouco arrastada em alguns momentos.

A questão da discussão de gênero dentro da ficção científica foi, sem dúvida, o ponto alto desse livro e o que torna um clássico mais contemporâneo do que nunca. A maneira como um terráqueo, impregnado de preconceitos e de egoísmo de sua raça, enxerga de fora um contexto de sexualidade novo é sensacional e acaba se tornando uma excelente metáfora para toda a discussão atual que remete a essa temática. Isso é, sem dúvidas, o melhor do livro.

Ficção científica é um gênero que ainda estou começando a flertar com. Já li muito da dita soft, mas da vertente digamos, mais hard ainda estou engatinhando na leitura. Acredito que, por isso, muitos dos nomes e descrições de cenários ainda me sejam um pouco complexos para entender durante a leitura e faz com que eu demore mais a me habituar ao livro. Talvez por isso esse livro não alçou ao meu status de livros favoritos. Talvez em uma releitura futura ele entre nesse grupo seleto.

No mais, essa é uma excelente obra do gênero, que aborda temáticas novas a ele, traz uma profundidade e complexidade do universo e da narrativa apresentada e apresenta novas referências. Recomendado a todos que já leem ficção científica e querem algo novo nesse sentido.

                                                                     

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