segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

[RESENHA] Cova 312 de Daniela Arbex



Editora: Geração
Páginas: 344
Publicação: 2015

Milton Soares de Castro foi um militante contrário à ditadura militar que atuava na guerrilha de Caparaó. Aos 26 anos ele foi preso e torturado por militares durante o ano de 1964. Até que, numa determinada noite, ele foi interrogado, durante uma sessão de tortura e, após ser encaminhado para a sua cela, foi encontrado morto. Os militares alegaram que Milton teria cometido suicídio. Porém, muitas coisas ficaram obscuras em relação à sua morte. Seu corpo não foi descoberto e os laudos da morte eram incongruentes para com essa afirmação. 

Cova 312 é o segundo livro de Daniela Arbex, jornalista mineira que trabalha há mais de 20 anos no jornal Tribuna de Minas. O livro surgiu de uma série de reportagens da autora acerca da ditadura militar e se divide em três partes: na primeira conheceremos Milton e a sua história, até a sua morte. Na segunda, conheceremos pessoas que conviviam com Milton e que também passaram por todo o processo de tortura e morte por parte dos militares. E na terceira temos um fechamento de toda a história com o detalhamento da pequisa feita por Daniela ao redor de todo o caso, documentos, entrevistas e laudos que apontam para um resultado completamente diferente daquilo que foi dito por anos.

Esse é o segundo livro de Daniela Arbex que li. O primeiro foi o seu mais famoso título, Holocausto Brasileiro, livro que me arrebatou na leitura e me fez lê-lo inteiro em poucas horas. Ali eu já sentia que Daniela era uma autora de mão cheia. Não somente pelo fato de saber fazer um livro reportagem de qualidade, mas também por saber como escrever de uma forma incrível sobre um tema que era tão esquecido pelo povo brasileiro. 

Quando terminei essa segunda leitura, percebi que Arbex tem dois traços característicos enquanto escritora; uma é que ela adora trabalhar com temas fortes e que são "esquecidos" de forma forçada pela história do Brasil e outra é que ela tem uma forma de escrita própria, que consegue arrebatar o leitor da primeira à última linha. Esse segundo aspecto é algo sensacional. Leio poucos livros-reportagem, mas percebo que os dessa autora são sensacionais. Daniela escreve uma história de não-ficção como se fosse ficção, usando de ganchos de escrita e dosando o suspense ao longo de toda a narrativa, despertando a curiosidade do leitor. Achei isso incrível, sensacional.

Sem dúvidas recomendo muito Cova 312 a todos que queiram desvendar mais esse tópico da história de nosso país, mas também a estudantes de jornalismo que queiram aprender uma forma única de narrativa.
                                                                     

Onde comprar?

Nenhum comentário:

Postar um comentário