sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

[RESENHA] O Menino no Alto da Montanha de John Boyne



Editora: Companhia das Letras
Páginas: 228
Publicação: 2016

Pierrot é um jovem garoto francês que se vê numa situação complicada. Seus pais morreram e ele só tem como parente uma tia muito distante, que mora na Alemanha. Logo, ao estar sob sua tutela, ele terá de morar em uma mansão que fica no alto de uma montanha do país, onde ela trabalha como governanta. Mas, antes de chegar lá, ele acha estranho tudo o que está acontecendo no mundo ao seu redor. No trem que o leva ao seu novo país, um grup de jovens está usando um uniforme diferente e tem algumas atitudes grosseiras que o deixam perturbado e triste mas, ao mesmo tempo, curioso. Logo ele descobrirá que o lugar onde morará é a mansão do poderoso ditador da Alemanha na Segunda Guerra, Adolf Hitler.

À medida que cresce, Pierrot vai convivendo cada vez mais com os membros do partido Nacional-Socialista e entendendo cada vez mais o governo daquele país. Logo ele se juntará à juventude nazista e quererá,a  todo custo, se tornar um grande líder como Hitler. Mas seu percurso envolve um caminho de perdas, decisões difíceis e questionamentos a respeito do que é válido ou não para se conseguir o que quer.


Para quem já leu O Menino do Pijama Listrado, há uma surpresa do autor durante o livro. Um easter-egg logo no começo da jornada de Pierrot fará com que o leitor identifique algo da outra história nesse mesmo livro. Sem dúvida é algo nostálgico e emocionante para quem, como eu, é apaixonado pela história. John Boyne está começando a trabalhar esse elemento, que é tão usado por outros autores, como Stephen King, em sua obra. Em Tormento temos referência a O Pacifista e em Fique Onde Está e então Corra também.

Sem dúvidas aqui temos John Boyne em sua melhor forma. É simplesmente impossível conseguir largar o livro depois de se ter começado a leitura. É incrível como ele consegue fazer com que o leitor entre no universo onde está se passando a história, criando uma aura própria para o texto. Boyne faz com que sintamos que estamos apenas observando a cena se passando bem diante dos nossos olhos e não lendo algo. Soa como se estivéssemos ali, lado a lado dos personagens, apenas observando as suas ações.

Não à toa, Boyne e meu autor favorito. A construção dos personagens é algo sensacional, principalmente do protagonista, Pierrot. A sua desconstrução se deu de forma muito bem feita, usando da palavra e da interpretação do discurso e de sua internalização. O monólogo interno dele, a isenção da expressão deste para o mundo exterior e sua jornada de aprendizado ao longo de toda a vida é feita de forma fascinante que só um autor com o tamanho do talento que John Boyne tem é capaz de fazer. O uso da narrativa em primeira pessoa soa especialmente útil para contar esses aspectos do personagem.

O viés histórico do livro também se sobressai. É possível ver em cada página o esforço de pesquisa e o grande conhecimento que Boyne tem da temática da Segunda Guerra Mundial, tema recorrente em sua obra. 

Sem dúvidas essa é uma leitura que recomendo a todos, sem exceção. Emocionante, tocante e sábia. Deixo apenas a sugestão de se ler O Menino do Pijama Listrado antes, para que seja perceptível o easter-egg colocado pelo autor.

                                                                     

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