segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

[RESENHA TRIPLA] Cujo de Stephen King



Editora: Suma de Letras
Páginas: 376
Publicação: 2016

Olá, leitores!

Hoje teremos a primeira resenha tripla de nós três, blogueiros do Capa! \o/ Nós lemos Cujo do Stephen King e cada um teve uma visão parecida da leitura. Espero que gostem desse formato, quem sabe poderemos fazer mais desse jeito? ;) A opinião do Tiago está em vermelho, a minha em azul e a do Luke em verde.

O primeiro livro de Stephen King que eu li foi o camalhaço Sob a redoma. Fico pensando em como tudo podia ter dado errado ao lê-lo caso eu não gostasse nadinha do que li. Mas eu adorei, a leitura fluiu muito bem e me empolgou a ler outros livros do autor. Desde então, li Misery, Carrie e Escuridão total sem estrelas. No meu livreiro, tenho outros livros do autor para ler. E há vários outros livros por aí que eu gostaria de ter.

Mas estamos aqui para falar de Cujo.

Entre 1970 e 1975, a pacata Castle Rock, no Maine, vivenciou momentos sangrentos. O seu nome é Frank Dodd, um serial killer que aterrorizou a cidade, mas 1975 foi pego e executado. Cinco anos se passaram um evento peculiar acontece. Tad Trenton avista um ser estranho em seu closet e o mesmo promete a ele que irá mata-lo. Seus pais não acreditam, pois é coisa de criança, mas o mal está prestes a dar às caras para esta família.

Frank se tornou uma espécie de lenda urbana da cidade, sua história é usada pra aterrorizar as crianças a não cometerem algo de errado, como sair à noite sozinhas ou conversarem com estranhos. Por isso, quando Tred começa a relatar o que está acontecendo em seu quarto e tudo o que ele está vendo e vivendo à noite, seus pais não dão atenção e acredita que seja apenas mais um medo infantil. Mal sabem eles o que os esperavam.

A família Camber mora distante da cidade, o seu mascote é um são-bernardo chamado Cujo. Um cachorro divertido, amoroso e leal, porém, quando ele corre atrás de um coelho e coloca seu focinho em um buraco, é picado por um morcego que contém a doença de raiva. A partir daí tudo começa a mudar, Cujo é contaminado, encontros e desencontros acontecem. A única certeza sobre Castle Rock é que o mal está de volta, e dessa vez o desejo é mais intenso e feroz.

A raça de Cujo é conhecida por suas habilidades de busca e resgate. Quando bem treinado, nas regiões gélidas, ele é capaz de deitar ao lado de alguém perdido na neve e aquecê-lo até que esse alguém possa ser salvo. Apesar da aparência assustar a princípio, a gente fica se perguntando: como pode um cão com essas características se tornar tão assustador?

Cujo é um animal intrigante. Seu tamanho é de quase um urso de pequeno porte e seu olhar parece que transmite uma personalidade estranha. Todos que ficam perto dele sentem algo esquisito, mas não levam nada em consideração, afinal é apenas um cachorro. Porém, após ser mordido por um morcego, seu espírito animal se transforma. Logo ele foge de casa e sua agressividade aumenta. Castle Rock então, passará a viver dias de pânico e horror

Stephen King tornou meu autor preferido no gênero terror. Desde suas premissas instigantes até a sua forma de escrita envolvente. Soube do lançamento de Cujo na Bienal de São Paulo (2016) e fiquei curioso tanto com os comentários dos funcionários da editora como desta edição belíssima. Porém, a minha experiência com este livro tiveram controvérsias, positivas e negativas. A voz narrativa da trama é como um intruso na vida das pessoas, ou seja, é uma voz observadora que nos dá uma visão panorâmica da cidadezinha Castle Rock. Este modo narrativo nos permite perceber os eventos que colocam como consequência a outros, conseguimos compreender a motivação de alguns personagens e apreendemos mais informações sobre a cidade e seus habitantes.

King é sensacional! Já o lia há algum tempo, mas só em 2016 comecei a ler os livros de terror dele, principalmente os clássicos. A narrativa dele é incrível, ele consegue prender o leitor e as descrições da ação que ocorre na cena é de deixar qualquer um sem fôlego. Uma determinada morte me deixou tão agoniado que, como estava lendo o livro em público (numa sala de espera, para ser mais preciso rs), tive que parar um pouco, beber um copo d'água e ficar me segurando para não expressar minha careta de agonia para os que estavam perto de mim hahahah. 

Algo que me incomodou foi o início da história. É nos apresentado os personagens, mas transforma-se em um marasmo sem fim, é como assistirmos ao programa Casos de Família, com seus conflitos cotidianos e segredos familiares sendo revelados. No entanto, a trama dá uma reviravolta e todos os momentos de clímax nos transmitem sentimentos diversos. Outro ponto que me deixou intrigado, o que pode ser um erro da minha interpretação, foi a inserção do serial killer. Para mim não foi tão evidenciado e desenvolvido.

Algumas partes da leitura são de fato lentas, mas ao contrário do Luke, fiquei lendo de forma visceral o livro. Consegui devorá-lo em dois dias! A parte de Frank e a relação dele com Cujo ficou de fato um pouco nebulosa (tanto que discutimos isso bastante no grupo do Whatsapp, né meninos? xD), mas acho que o King quis dar um pouco de margem à imaginação do leitor nesse ponto.

O que a gente precisa entender sobre o King é que seus livros são também sobre as pessoas que estão envolvidas no argumento que ele pretende desenvolver. Portanto, apesar de Cujo ser sobre um cão raivoso King vai nos inserir nas histórias e relacionamentos dos personagens enquanto tece sua trama. O que pode deixar essa sensação de marasmo que o Luke comentou. Eu não considero de todo mau. Porém, recebemos informações que às vezes não são necessárias. Esta é outra característica do autor: a prolixidade.

A escrita de Stephen King dispensa comentários, apesar do meu incômodo no início do livro, sua forma de narrar é fascinante. Ele consegue envolver o leitor, trazê-lo para a história para nos sentirmos como os personagens, criando assim momentos de tensão e gerando em nós muita aflição. A dinâmica entre as histórias paralelas foi um ponto em destaque na trama.

Vale a pena destacar a qualidade dessa edição que a Suma deu ao livro. O tomo vem em capa dura,com detalhes incríveis, como o print em baixo relevo da pata de Cujo na capa, e com o extra de uma entrevista do King falando não somente sobre esse livro como também sobre a sua obra inteira e a sua visão da literatura no geral.

A coleção Biblioteca Stephen King tem tudo para ser uma coleção maravilhosa e para ninguém botar defeito.

Para você que é fã de ação e uma pitada de terror, Cujo é uma ótima indicação. Uma obra que é capaz de te envolver do começo ao fim, escrita envolvente, personagens que conseguimos criar certa empatia e diversos momentos que certamente você ficará aflito.

King consegue nos fazer sentir. Sentir vontade de empurrar os personagens em direção ao caminho certo para resolver toda a agonia apresentada, sentir aflição com suas descrições algumas vezes detalhadas demais para estômagos mais fracos. Recomendo!

Leitura mais do que recomendada a todos os fãs do autor e para quem gosta de um bom livro de terror e suspense. Cujo irá lhe tirar o sono.

                                                                     

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