sexta-feira, 17 de março de 2017

Sobre Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

A primeira coisa que eu tenho a dizer é que Harry Potter foi o responsável por me fazer gostar de ler. Antes dele, eu li um ou outro livro não tão envolvente quanto. Comecei a leitura a partir do terceiro ao ganhá-lo de presente de uma amiga da minha mãe, cuja filha ganhara "Prisioneiro de Azkaban" repetido. Li em uma semana e fui relendo a partir de então.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, capa.

Até aquele momento, só havia os três primeiros livros lançados. Portanto, acompanhei todos os lançamentos a partir do quarto, criando teorias e mais teorias sobre o futuro da saga. A despedida foi em 2007, quando eu acordei cedo e fiquei na porta do shopping esperando que ele abrisse para que eu pudesse comprar Relíquias da Morte na livraria mais próxima da minha casa. Lembro de vê-los expostos num painel atrás do caixa e perguntar se estavam à venda - à época, eu pensei que aqueles vários livros estavam reservados a quem fizera pré-compra. Mas não. Pude ter minha cópia. Fui pro ponto pegar o ônibus, sentei no chão e dali até chegar em casa, chegando em casa e ficando acordado até tarde e continuando a leitura durante todo o dia de domingo, enfim, terminei o sétimo livro e pensei: e agora? Tinha acabado. Só havia os filmes que faltavam ser lançados para a despedida ficar completa. E em 2011 ela aconteceu, comigo chorando no final da sessão.

J. K. Rowling sempre disse que não teria mais Harry Potter após "Relíquias da Morte". Uma boa parte do fandom já aceitara essa realidade. Mas veio o Pottermore com novas informações e um parque temático. E então, quando ninguém mais pensou que poderia haver outra novidade sobre esse mundo, foi anunciada uma peça sobre o que aconteceu dezenove anos depois e uma série de filmes prequel sobre o universo mágico. Mas foquemos na peça. Afinal, é sobre essa oitava história que esse texto é.

Não vou negar que eu nunca me aventurei no mundo das fanfics. Lembro de já ter escrito alguma e fechado a cara pra leitura de outras, mas com o tempo deixei-as de lado e me foquei no que é oficial. Como vocês sabem, o roteiro da peça foi transformado em livro para que as pessoas que não têm a oportunidade de assistir a peça possam conhecer a história. "Harry Potter e a Criança Amaldiçoada" foi lançado no mundo inteiro prometendo matar a saudade dos fãs dos personagens que acompanhamos durante tanto tempo.

Eu tinha consciência de que não seria um livro romanceado e sim um livro-peça. Minha maior curiosidade seria sobre qual seria a história que eu veria ali. Com aprovação da autora, Criança Amaldiçoada mostra o trio Harry-Rony-Hermione vivendo a vida adulta enquanto seus filhos começam a frequentar Hogwarts. Quando Harry recebe uma visita e um pedido inusitado, começamos a acompanhar o conflito principal da peça.

O relacionamento de Harry com sua prole no começo do livro e o relacionamento de Alvo com Hogwarts e toda a carga do nome Potter é até interessante de acompanhar. Meu maior problema com esse livro são todos os furos e ideias sem pé nem cabeça para sustentar esse conflito. Arrisco ainda a dizer que o supra sumo do clichê foi usado, uma ideia que a gente entende em Star Wars e não consegue assimilar muito bem em Harry Potter.

Entendemos que Harry Potter é sobre o amor triunfar no final. O amor entre pais e filhos, amigos, entre as pessoas em geral. Mas entendemos que nem todos os personagens amaram o suficiente para se arrepender ou mesmo fazer, hum, certas coisas. Não é um pensamento aleatório. Isso está nos livros, Dumbledore fala sobre. Então, ninguém precisa aceitar qualquer ideia por que alguém pensou que o leitor - ou espectador - se impressionaria com isso.

Espero que tenha ficado clara a importância de Harry Potter para mim. Apesar de não ter amado esse livro como amei todos os outros, gostaria de ver essa história, ainda em formato peça, num DVD especial. Afinal, todos que a assistiram são só elogios. E a crítica também. Harry Potter and the Cursed Child bateu recordes de indicações ao Olivier Awards, um importante prêmio, incluindo o de "Best new play".

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