quinta-feira, 22 de junho de 2017

[Especial] Outlander, com resenha de A cruz de fogo

A postagem a seguir pode conter spoilers - revelações do enredo - de todos os livros da série Outlander, exceto de "A cruz de fogo - parte 1 e 2".


Faz uns dois anos que eu li o primeiro livro da série Outlander. O primeiro livro foi lançado em 2014, pela Saída de Emergência, e de lá para cá já foram publicados cinco livros, sendo que os três últimos foram divididos em duas partes. No total, até o momento, temos oito volumes publicados. É muita coisa, e são muitas páginas em cada livro. E vocês podem até se perguntar: tem história para tudo isso?

A resposta é: sim! Acredito que meu maior receio em relação aos livros era de ser enrolado. Afinal, a narrativa de Diana Gabaldon gira sempre em torno das 800 páginas. A autora tem um poder narrativo imersivo, que nos faz mover as páginas e nos dá a sensação de que estamos assistindo e não lendo a história ali contada.

Os livros

A viajante do tempo #1: É 1945, o final da Segunda Guerra Mundial, quando a enfermeira Claire e seu marido, o professor Frank Randall, viajam para Inverness a fim de viver uma nova lua de mel após os anos incertos da guerra. Frank esteve no campo de batalha, mas agora seu interesse maior é pesquisar a história de seus antepassados, com enfoque no oficial Jack Randall que lutou no levante jacobita de 1745. Nas Ilhas Britânicas, Claire e Frank acabam descobrindo toda a misticidade do lugar e presenciam, num círculo de pedras, um misterioso ritual evocado por supostas druidisas. Com um interesse especial por botânica, no dia seguinte ao ritual, Claire resolve voltar ao círculo de pedras para tirar uma dúvida a respeito de uma flor que vira por lá. Tão logo ela se vê entre as pedras, o vento sopra mais forte e um estranho chiado toma conta do lugar, atraindo-a cada vez mais para uma pedra em particular. Quando toca a pedra, Claire desmaia e, ao acordar, se vê em meio a uma batalha violenta num lugar novo e ao mesmo tempo muito familiar.


A libélula no âmbar #2: Tão logo eu chegava ao final de  A Viajante do Tempo, eu corri para garantir o segundo livro da série. Se o primeiro é longo, esse supera. Iniciei a leitura já sabendo que ele começa de uma forma completamente imprevisível. Afinal, eu pensei que fosse ler uma continuação direta. Mas Diana Gabaldon surpreende mais uma vez ao nos lançar em momentos e personagens inesperados. Aprofundamo-nos mais na história da revolução jacobita e revemos personagens que pensávamos ter esquecido, conhecemos mais da linha do tempo de outros e nos é explicado a relação do tempo e espaço para explicar a viagem no tempo. A escrita tem uma melhora e ficamos curiosos para saber o que vem em seguida a cada página lida, curiosos para ver a explicação de alguns personagens existirem quando, aparentemente, não era para eles estarem ali. Uma dica que eu gosto de dar a quem gostou do primeiro livro e pretende ler o segundo: não leia a sinopse. Ela entrega algo muito grande.

O resgate no mar #3 - parte 1 e 2: Ao mesmo tempo que eu fiquei ansioso por esses livros, fiquei preocupado. Afinal, livros que se passam no mar, a bordo de navios, têm tudo para ser tediosos se o autor não souber prender a atenção. Porém, a primeira parte do livro três não narra os percalços de Claire pelos mares. Muito pelo contrário, ela está em terra firme enfrentando algumas decisões que tomou, tentando se readaptar. Já na parte dois, o mar de fato se torna personagem importante de um resgate necessário. A história termina de forma surpreendente, mais uma vez. E o futuro é, de novo, algo misterioso por que aguardar.


Os tambores do outono #4 - parte 1 e 2: Quando terminamos o último livro de O Resgate no Mar, já podemos imaginar o que virá a seguir com Os Tambores do Outono. Claire e Jaime vão explorar mundos novos e experimentar uma nova vida enquanto tentam lidar com as escolhas que algumas pessoas fazem. Talvez por ser um novo início, a narrativa não segue o mesmo fio que vimos nos outros. Foram os livros em que senti uma narrativa mais truncada. Isso não quer dizer que os livros não são bons. Só que talvez sua leitura demore um pouco a engrenar. Tudo o que já vimos nos outros livros estão nesses: a paixão ardente entre Claire e Jaime, o fundo histórico e novas descobertas sobre o fantástico. Além de personagens já conhecidos querendo ganhar mais espaço na narrativa.

A cruz de fogo #5 - parte 1 e 2: Esses dois volumes da série não fogem muito à proposta da autora de mostrar Jaime e Claire num recomeço, uma vida nova nas colônias. Embora em vários momentos a gente veja que os dois já não são mais novos, afinal eles têm filhos e netos, somente neste livro eu realizei o fato de que estão na faixa dos cinquenta anos. Claire é até mais velha que Jaime. O bom da série é que o tempo passa. Falando nisso, embora a viagem no tempo tenha sido o principal motivador para tudo em todos os livros publicados, e a influência do conhecimento de Claire tenho mexido em uma coisa ou outra, não vemos muito a abordagem sobre ela nos livros anteriores tanto quanto neste. Diana, porém, deixou um gostinho de quero mais quando tocou no assunto. Algumas passagens do livro nos deixam de cabelo em pé. A uma em especial, envolvendo uma punição, que eu li e pensei: você não fez isso, Diana.

Eu tenho a sensação de já saber aonde Diana nos quer levar quando ela começa a dar mais voz a outros personagens. Roger e Brianna, por exemplo, muitas vezes têm capítulos somente deles. Nessas passagens, o ponto da narrativa foge à primeira pessoa e passa à terceira. Há momentos divertidos quando envolvem as crianças, momentos agoniantes nas operações e pesquisas de Claire. A sensualidade continua em alta. E cada vez mais Diana me deixa com vontade de ler seus livros por causa dessa narrativa envolvente,

Concluindo

Lembro de há muitos anos ir à livraria e ver os livros da série quando eram lançados pela Rocco. Mesmo àquela época, eu já queria poder lê-los. Achava as capas legais e os títulos me chamavam a atenção. Porém, nunca encontrava os primeiros. Fiquei muito feliz quando a recém chegada ao Brasil, Saída de Emergência como selo do grupo Sextante, anunciou o relançamento dos livros. Eu enfim poderia começar a lê-los. Sei que o sexto e sétimo já foram publicados mesmo na época da Rocco: Um sopro de neve e cinzas e Ecos do futuro. Então, torço muito para a Arqueiro, que agora publica todos os livros, possa lançá-los o mais breve possível.

Eu recomendo muito a leitura dos livros. Aproveitem promoções, procurem cupons de desconto. Peçam de presente. Não importa como. Corram atrás e leiam!

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