quinta-feira, 29 de junho de 2017

[RESENHA DUPLA] Maus, de Art Spiegelman


Editora: Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras)
Páginas: 296
Publicação: 2005

Olá, leitores!

Hoje trazemos mais uma resenha dupla do blog, sendo a primeira de uma HQ. Eu e o Tiago lemos juntos Maus do Art Spiegelman, uma história verídica sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial. As minhas impressões ficaram em azul e as do Tiago em verde. Esperamos que gostem da resenha! =)

Existe um certo fascínio ao redor das duas grandes guerras mundiais pelo qual todos nós deveríamos nos deixar envolver. Falando assim, soa como se fosse algo bonito pelo qual se encantar. De certo modo, quando lemos sobre as guerras há um mistura de sentimentos tão grandes que, naqueles instantes, mergulhamos no que estamos lendo e o mundo ao redor fica silencioso. Pelo menos, é assim que eu me sinto e senti quando li livros como "O Menino do Pijama Listrado" e "Fique Onde Está e Então Corra". Ambos são ficção que romanceiam os horrores das guerras. Maus, no entanto, é o relato real de um sobrevivente contado de forma lúdica, através de quadrinhos. Neste livro, os judeus são representados como ratos, poloneses como porcos, alemães como gatos e os americanos são os cachorros. Há outras nacionalidades por lá, outros animais para representá-las.

Maus é uma história sensacional. A grande sacada dos quadrinhos, além de trazer uma história verídica, foi a de retratar os personagens como animais, de acordo com as suas nacionalidades. Além de trazer uma forma explicativa de como a Guerra aconteceu, esse recurso pode salientar o preconceito vivido pelos judeus, que eu muitos panfletos do partido nazista eram colocados em charges como ratos, fazendo uma absurda chacota com os traços faciais desse povo.

O livro começa com um mensagem forte sobre como Vladek Spiegelman entende o valor da amizade. Anos depois, Art Spiegelman visita o pai, com quem em algum momento deixou de ter muito contato, para biografar a história dele. Vamos conhecer Vladek momentos antes da Segunda Guerra Mundial o alcançar.

Vladek era um udeu que sobreviveu a vários campos de concentração e relata ao filho tudo o que sofreu na pele. Sua história de vida é muito tocante e dura, ao mesmo tempo, e boa parte de tudo o que ele passou acabou por moldar a sua personalidade atual, quando já está enfrentando os anos de sua velhice. Art conseguiu exprimir isso de uma forma muito eficaz nos quadrinhos, sem tender para o esteriótipo judeu e, ainda assim, embasar todas as atitudes de seu pai.

Lembro de quando assisti pela primeira vez à adaptação de "O Menino do Pijama Listrado" e fiquei chocado com a cena final. Na época, eu ainda não havia lido o livro e não sabia da capacidade humana de elaborar algo tão abominável quanto aquilo. Maus vai nos falar das famosas chaminés, do cheiro doce e de gordura queimando. Não importa a "suavidade" de vermos animais e não pessoas naquelas situações - nos é contado pelos olhos de alguém que presenciou e teve a sorte de escapar, o que torna tudo muito mais real.

Toda a parte gráfica do livro é muito importante para trazer ao leitor o horror e as condições deploráveis e sub-humanas que o Tiago levantou aí em cima. É chocante demais ver que tudo isso ocorreu com seres humanos e se torna mais forte ainda quando contada pela boca de alguém que vivenciou isso de dentro e sofreu na pele. 

Podemos ler e ouvir relatos sobre a guerra, mas é incrível como sempre há algo a mais pra ser contado e descoberto. E é de suma importância que a história seja contada de todas as formas para que ela permaneça fresca na memória. 

Leitura mais do que recomendada a todos que gostem de livros sobre Segunda Guerra e para quem quer se aproximar de tudo o que ocorreu por lá. Maus é leitura de um dia. Mesmo sendo publicada em dois fascículos originalmente, esse volume único que a Companhia das Letras traz fará com que você não consiga largar a história em nenhum momento. Não há como sair da leitura de Maus da mesma forma como que se entrou.

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