terça-feira, 27 de junho de 2017

[RESENHA] Nós de Ievguêni Zamiátin


Editora: Aleph
Páginas: 345
Publicação: 2017

O mundo que conhecemos hoje não mais existe. Agora, nós, humanos, vivemos regidos pelo Estado Único, instituição responsável por ordenar a sociedade e prover de felicidade ilimitada a todos os cidadãos que nela vivem. D-503 é um desses. Engenheiro, sua vida segue a cartilha social à risca; ele só tem relações sexuais pré-determinadas com parceiras em horários afixados para procriação; ele também vive em uma casa sem paredes, com vidros expondo toda a sua rotina, uma vez que agora o individual quasse não mais existe e tudo é público; e, além disso, ele vai todos os dias em praça pública para escutar as diretrizes do governo único ou para visualizar o que acontece com queles que se opõem ao sistema. 

Porém, num de seus momentos íntimos de procriação, D-503 encontra uma mulher que lhe mostra algo extremamente perigoso e letal para a sociedade onde vivem: a imaginação. Desde então ele passa a se perguntar se tudo em que acredita de fato acontece ou se ele não esta delirando e se deixando contaminar por esse germe. Sua vida não mais será a mesma.

Há muitos anos eu me interessei em ler Nós, assim que o vi numa lista de distopias clássicas para serem lidas. Porém, mesmo vasculhando muito na internet, não consegui encontrar uma edição do livro nem à venda, e nem, até mesmo, em ebook, o que fazia com que a leitura fosse inviabilizada. Quando soube que a Aleph lançaria essa versão, fiquei bastante ansioso para tê-la em mãos e devorar o livro inteiro.

Nós não recebe o nome de mãe das distopias em vão. A história traz traços claramente inspiradores para outras obras do gênero, como a sociedade absolutista, a ausência dos sentimentos individuais e a iniciação de uma fagulha por alguém da sociedade que viria a desencadear uma revolução magnânima. Como eu já havia lido Admirável Mundo Novo e 1984 anteriormente, dois de meus livros favoritos da vida, me peguei em diversos momentos lembrando das histórias, em diversas cenas e em situações de conflitos entre os personagens, além, é claro, da filosofia que compõe aquela sociedade distópica. Esse livro é leitura obrigatória para os fãs do gênero e para todo que queiram aumentar a sua capacidade de crítica social.

Vale destacar essa edição incrível que a Aleph fez para esse livro, com capa dura, arte gráfica interna e extras contendo uma resenha do livro feita por ninguém mais, ninguém menos que George Orwell.

Recomendo muitíssimo a leitura para todos mas, sobretudo, para aqueles que, como eu, são amantes de distopias clássicas e querem saber de onde surgiu todo esse gênero.
                                                                     

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