sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[RESENHA] Tash e Tolstói, por Kathryn Ormsbee

Editora: Seguinte.
Páginas: 376.
Publicação: 2017.


Tash e Tolstói, escrito por Kathryn Ormsbee, é um livro juvenil que pretende abordar uma forma de amar pouco conhecida chamada assexualidade. Uma pessoa assexual é aquela que pode ter interesse romântico por outras pessoas, porém sem ter vontade de fazer sexo. É através dos olhos de Natasha Zelenka, uma adolescente de 17 anos que ama Tolstói, que Kathryn abordar essa temática.

Narrados em primeira pessoa, o livro é dividido em capítulos relativamente curtos que fazem com que a leitura flua muito rapidamente. A escrita de Kathryn é leve e fluída, como um livro para jovem abordando um assunto delicado como esse deve ser.

A história conversa bastante com o dia de hoje. Tash e sua melhor amiga Jack criaram uma websérie para o YouTube chamada Famílias Infelizes, uma adaptação contemporânea do romance russo Anna Kariênina. Quando seu canal é mencionado por uma famosa youtuber, ele viraliza da noite para o dia e ganha milhares de seguidores. Isso faz com que Tash se torne um pouco obsessiva com tudo o que envolve a websérie, como cronograma de filmagens, e não perceba que algumas coisas estão mudando ao seu redor. Em pouco tempo, Famílias Infelizes é indicada ao prêmio Tuba Dourada como melhor série estreante. E essa é a oportunidade de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber por quem ela sente um forte interesse.

Kathryn aborda a assexualidade de Tash de forma bem sucinta, entre outros assuntos pertinentes à adolescência de qualquer garota. Por isso, não esperem encontrar aqui uma visão profunda sobre o que significa o A na sigla LGBTQIA. A assexualidade de Tash é, assim como a sexualidade de qualquer pessoa, apenas mais um elemento que compõe sua pessoa. Porém, senti que a autora podia ter explorado melhor o assunto. Arrisco a dizer que se não fosse falado em algum momento, não teria feito muita diferença à história.

Falando em história, é impossível ler este livro sem se deparar com todos os spoilers possíveis de Anna Kariênina. Como o romance é um clássico, provavelmente a regra do spoiler não deveria prevalecer tanto. Mas sempre deu aquela pontada no peito quando a autora contava alguma coisa relacionada ao romance de Tolstói. Foi duro ler os spoilers? Foi, mas faz parte.

Caso vocês terminem a leitura de Tash e Tolstói interessados em conhecer a história que inspirou Famílias Infelizes, a Companhia das Letras lançou recentemente uma versão de Anna Kariênina.
                                                                     

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