sexta-feira, 15 de setembro de 2017

[RESENHA] Paola de W. P Ferro


Editora: Alley
Páginas: 216
Publicação: 2017






Paola é uma descendente de italianos que vive no bairro da Mooca em São Paulo. Sua vida é cheia de reentrâncias e situações que formaram a personalidade que tem hoje em dia. Começamos a narrativa com ela retornando ao Brasil, num aeroporto da Itália. O que ela virá fazer aqui? O que ela foi fazer lá? Essas perguntas serão respondidas aos poucos, à medida que pegamos em sua mão e deixamos ela nos contar a sua vida.
A vida de Paola é composta de um processo de amadurecimento e de descoberta muito grande. Seus irmãos, Salvatore e Vicenzo, italianos protetores, sempre a trataram como uma menina indefesa, o que ela detestava. À medida que ela cresce e se distancia mais de seus pais, um novo mundo se abre e ela acaba por derrubar alguns preconceitos e afirmar algumas de suas ideias sobre o mundo e sobre as pessoas.
A relação de Paola com seu pai é, talvez, o ponto mais forte desse livro. Descendente de italianos, ele é fortemente o macho alfa típico: sustenta a casa, acha que mulher deve ser do lar, que os filhos devem perder a virgindade logo cedo para "aprenderem a ser homens" logo cedo, etc. Isso tudo teve um impacto na vida de Paola e seus irmãos muito forte e terá uma importância na narrativa, sobretudo no final.
O livro é narrado toda em primeira pessoa, sob a ótica da protagonista. A principal característica desse livro é que, mesmo sendo proibido para menores, ele não traz o sexo como um elemento narrativo vulgar ou erotizado. Ele tem sentido e função dentro da história que está sendo contada. Esse tipo de escrita é rara de ver em autores atualmente, uma vez que muitos usam de cenas eróticas como muleta para atração de público leitor e para reparação de erros de narrativa no texto. Não é este o caso nesse livro.
Aliás, a narrativa do W. P. Ferro é bastante eficiente para contar a história da protagonista. Ele traz uma escrita limpa, objetiva e que prende o leitor por entre os pensamentos e a narração da protagonista. Fiquei alegre ao ler um texto com essa maturidade de prosa no primeiro romance de um autor.
Outro ponto que gostei muito foi a questão da visibilidade trans que o autor traz no texto. Há personagens transexuais na história e elas são retratadas não de forma caricata ou estereotipada, mas sim de uma forma tridimensional, mostrando seus sentimentos, suas formações e suas personalidades. Gostei bastante disso uma vez que esse grupo é pouco retratado na literatura e, quando acontece, tende sempre ao clichê e ao preconceito.
O final do livro traz uma boa síntese de quem a personagem protagonista é e de tudo o que representou a sua jornada. Sempre li Paola como uma mulher inteligente, madura de sentimentos e ciente de si e dos que a rodeiam. A cena final coroa isso de forma a confirmar as minhas convicções sobre ela.
No geral, Paola é um livro cativante, interessante, que desperta no leitor a vontade de ler página após página a até o seu final. Recomendo demais a leitura a quem se interessa por livros do gênero.


                                                                     

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