quinta-feira, 26 de outubro de 2017

[Resenha] Casos de Família, de Ilana Casoy




Editora: Darkside Books
Páginas: 560
Publicação: 2016

Lembro-me de estar com minha prima e minha avó em sua casa. Era meio de semana e tudo parecia comum. Almoçamos e ficamos assistindo televisão, como era de costume quase todos os dias quando saía da escola. Porém, naquela tarde iria ser noticiado algo que pararia o Brasil e chocaria a sociedade. A notícia era que um casal, na cidade de São Paulo, foram mortos brutalmente em sua casa. Os filhos chegaram em casa de madrugada e viram algo incomum no local e chamaram a polícia. Uma tragédia como várias no nosso país, mas algo desdobraria dias depois: a filha foi a mandante da morte dos próprios pais.
Este livro é uma obra-prima não somente para pessoas na área de direito, mas para aqueles que sempre tiveram a curiosidade de conhecer a história da família Richthofen. Uma trama que sucedeu meses de investigação e interrogatórios, peças de um quebra-cabeça espalhadas e coube à polícia junta-las com uma equipe preparada para este tipo de evento.
Ilana participou de alguns momentos importantes deste caso, principalmente a reconstituição do crime e o julgamento. A obra é construída como uma ficção e diário, mas sabemos que tudo que está ali realmente aconteceu. Acompanhamos desde o dia da morte de Manfred Albert Von Richthofen e Marísia Von Richthofen, depoimentos, uma vasta gama de informações colhidas pela autora através de entrevistas de pessoas envolvidas no caso. Também contém transcrição do que ocorreu no dia do julgamento.
Uma família que vive na zona nobre de São Paulo. Albert era um empresário renomado, Marísia psiquiatra, seu filho estudioso e sua filha cursando a faculdade de Direito. Uma família aparentemente perfeita, mas por trás havia muitas brigas e mentiras. Quem imaginava que aquela menina ser mandante da morte de seus próprios pais, com a motivação de ficar junto com seu namorado (os pais de Suzane não apoiava o namoro) e com o dinheiro da herança montar seu próprio negócio.
Como diz um ditado: “O diabo ensina fazer, mas não ensina esconder” é algo que se encaixa perfeitamente neste caso. Suzane, seu namorado Daniel e cunhado Cristian conseguiram ser bem sucedidos na morte do casal, porém assim que a polícia chega ao local já começa incoerências e contradições vindas dos três. O crime foi planejado, arquitetado por Suzane e Daniel, mas há informações mostradas na obra que me deixou assustado, por exemplo, horas da morte do pai Suzane estava abraçada com seu namorado como se nada tivesse acontecido ou dias depois a menina já perguntando sobre quando já poderia vender a casa. Algumas pessoas da polícia desconfiaram da atitude de Suzane, mas não tinham provas. No entanto, o trabalho em equipe conseguiu juntar as peças do quebra-cabeça e chegou ao veredito: Suzane, Daniel e Cristian foram os responsáveis da morte do casal Von Richthofen.

O outro caso contido no livro é da pequena Isabella de Oliveira Nardoni, de 6 anos de idade, foi asfixiada e jogada da janela do prédio. Os responsáveis de tal crime foi o pai, Alexandre Alves Nardoni e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá. O crime ocorreu em março de 2008.

Ilana neste “A prova é a testemunha”, aborda como foram os processos de julgamento. A autora esteve presente aos dias que decorreram no tribunal e conseguiu de maneira fascinante nos transpor naqueles momentos de angústia, tristeza, revolta e choque. Neste caso fiquei mais emocionado por ser uma criança indefesa ter sido assassinada pelo próprio pai. Uma menina que tinha vários sonhos, uma mãe que tinha Isabella como companheira e teve a filha ceifada pelo progenitor.
No segundo caso também há imagens de como foi o crime e fotos da perícia para chegar a tal resultado. Anotações da autora também são encontraadas no final do livro, seus pensamentos e o anseio de juntar o quebra-cabeça e entender como Alexandre e Anna Carolina chegaram a tal ato.
Estas histórias verídicas nos mostram como a mente humana é misteriosa e pode ser sombria. De um lado a filha mandou matar os pais por ficar com o namorado e interesse pela herança e do outro o pai junto com a esposa assina uma criança de apenas 6 anos de idade. Infelizmente há muitas Suzzane, Alexandre e Anna Carolina ao nosso redor, mas não há nada escrito em suas testas identificando o quão cruel podem ser. Do pobre ao rico, negro ao branco, todos podem ser responsáveis de crimes terríveis e sempre deixará o mundo espantado.

Para quem é fã de casos criminais, aprecia a área do direito e jornalismo “Casos de família” é um livro indicado. Aqui vocês acompanharão a partir de uma escrita envolvente, histórias sombrias envolvendo duas famílias e assassinatos. Não li direto estes casos, pois foi forte e angustiante. Porém, é uma obra bem escrita e é nítido o quão vasto foi a pesquisa da autora para chegar até aqui
     
                                                                     


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