quinta-feira, 26 de outubro de 2017

[RESENHA] A Primeira Pedra de Krysztof Charamsa


Editora: Seoman
Páginas: 288
Publicação: 2017

Krysztof Charamsa é um padre da igreja católica, que por anos trabalhou na alta cúpula do Vaticano, no departamento que um dia já foi a Inquisição. Lá ele teve contato com os mais diversos pedidos de absolvição de pecados por parte dos fiéis da igreja: desde jovens que tinham se masturbado e, com isso, rompido com a regra de não fazer sexo antes do matrimônio, até casais que faziam pedidos especiais, na maioria negados, de fertilização in vitro para conseguir serem pais. Tudo isso começou a perturbar demais o conteico de sagrado e de igreja que Charamsa tinha e o levou a questionar tudo o que o rodeava ali. 

Somando-se a esse sentimento de que algo não estava correto em tudo aquilo, Krysztof vinha há anos lutando contra um sentimento que o enchia e, ao mesmo tempo, o tentava o tempo todo: a atração por outros homens. Sabendo que sodomia era algo absurdamente condenado pela igreja a qual servia, ele se via completamente subjugado e tentava a todo custo esconder isso e fazer com que esse sentimento desaparecesse de alguma forma. Tudo mudou quando ele conheceu, eum um bar gay que frequentava esporadicamente, Eduard, aquele que se tornou o amor de sua vida e que mostrou a ele que tudo aquilo que ele sentia não era errado nem que Deus o condenaria por isso.

A Primeira Pedra é um livro que mistura memórias e críticas de um padre do alto escalão da maior instituição do mundo, Igreja Católica, que expõe a sua verdade e o seu conceito de toda a hipocrisia que viu e viveu por trás da sua vida eclesiástica. Krysztof reuniu toda a sua coragem para expor ao mundo a sua sexualidade sabendo que, sendo padre, isso seria um agravante jamais perdoado pelo Vaticano.

Se o processo de aceitação enquanto homossexual já é algo muito difícil para a maioria dos gays e lésbicas na sociedade atual, para um padre é mais ainda, pois traz consigo uma série de estigmas e julgamentos incluídos em sua vocação. Para um padre que era membro do Vaticano, era algo completamente impensável e um escândalo de maiores proporções. Além disso, a forma como Charamsa assim o fez (ele se assumiu publicamente, ainda enquanto padre, na abertura de um congresso da igreja sobre família) escandalizou a todos e alardeou a imprensa mundial sobre o caso.

Desde que vi esse livro na livraria fiquei com muita vontade de lê-lo uma vez que o próprio subtítulo já é altamente polêmico. Desde que comecei a leitura, fui muito bem recompensado do início ao fim. A escrita do autor é muito direta, é como se escutássemos ele desafabando em voz alta próximo de nós. Ele é objetivo, sem fírulas e expõe tudo o que pensa e o que viveu que, por si só, já foi algo muito difícil de acontecer. Admirei muito a coragem dele, do início ao fim, de lutar para escreve e publicar um livro com tanto potencial de revelia, criticando dogmas e hipocrisias de uma instituição que tem o histórico e a dimensão da Igreja Católica.

Leitura mais do que recomendada para quem se interessa pela temática e, para quem ficou curioso com a capa e para saber mais sobre a história do Charamsa, pode se jogar sem medo que será uma leitura muito proveitosa.
                                                                     

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